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A Magia Sexual Lúgubre de Aleister Crowley

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      Infelizmente, o termo magia sexual está envolto em uma névoa lúgubre. Ele traz à mente imagens fantasiosas de orgias e atitudes pornográficas de depravação dramática. O estilo de vida excêntrico e escandaloso de Crowley alimentava a imaginação da sociedade. Por conta disso, qualquer percepção pública ao seu respeito era maculada por uma aura de maldade e blasfêmia. É verdade, Crowley chocava a qualquer um digno de choque. No entanto, para o desapontamento de pretensos magistas, magia sexual se trata de uma disciplina espiritual yogī da mais elevada ordem. Sua execução demanda um treinamento físico intenso e uma mente meditativa unidirecionada. A teoria subjacente por trás das práticas é um desafio à mente e à imaginação como os postulados da física quântica. No entanto, a chave fundamental da magia sexual é impressionantemente simples, podendo ser resumida na palavra êxtase – o estado de consciência divino que experimentamos quando temporariamente obliteramos o sentido de separatividade com o Absoluto no momento do orgasmo. Nesse momento curto, embora eterno, o Ser se torna o Todo e quando nos tornamos o Todo, não existe nada que não possa ser criado.

      Os estudantes de hoje são desafiados com a linguagem utilizada por Crowley em seus escritos, que os produzia na intenção de camuflar uma discussão direta sobre o tema. Essa linguagem crepuscular adotada por Crowley não se dava apenas por suas obrigações para com a O.T.O., mas também por conta da legalidade. Em sua época – e até os dias de hoje em algumas partes do globo – era ilegal publicar qualquer tipo de informação com conteúdo sexual. Portanto, ele se via obrigado – e ironicamente encantado – a utilizar um jogo de palavras que velava o mistério aos olhos do profano. Impossível dissuadi-lo, ele utilizava sua genialidade para esboçar metáforas de magia chocantemente explícitas como ele queria. Ao orgasmo e êxtase ele se referia como morte e sacrifício; os fluídos sexuais – elementos sagrados usados como eucaristia há milênios pela tradição tântrica vāmācāra – ele chamou sangue, água ou elixir; o pênis ele chamou de lança, baqueta, crucifixo ou cruz; a vagina de cálice, rosa ou
graal. Em Magia em Teoria Prática (Capítulo XII), ele diz: Você terá problemas com esse capítulo a menos que compreenda seu significado. A essa passagem ele faz uma nota:

      Existe um ditado tradicional que diz que quando o Adepto faz declarações honestas e compreensíveis, é quase certo que ele quis dizer algo completamente diferente. A Verdade é, no entanto, claramente exposta em suas palavras. É sua simplicidade que confunde os indignos. Eu escolhi determinadas expressões nesse Capítulo de tal modo que sejam susceptíveis de induzir ao erro aqueles magistas que permitem que interesses egoístas maculem sua inteligência, mas também para prover lampejos úteis àqueles compelidos por seu juramento a devotar seus poderes para causas legítimas.

~ Fernando Liguori
Extrato de O Olho de Hoor, Vol. I, No. 1.
http://fernandoliguori.blogspot.com.br/

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