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CIRCUITOS V A VIII: CONTINUAÇÃO DA EVOLUÇÃO

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Nota: A seguinte descrição dos circuitos é um resumo levemente parafraseado do material de Robert Anton Wilson sobre os quatro circuitos superiores em seu Prometheus Rising (Falcon Press, 1983). As citações de Lao Tsu são do Vintage Books Tao Te Ching, traduzidos por Gia-fu Feng e Jane English; as parábolas Zen são do Zen Flesh, Zen Bones de Paul Reps. As aplicações para o dia-a-dia são minhas.

      Enquanto os Circuitos de I a IV estão presentes e operantes em cada ser humano adulto, a ativação dos quatro circuitos seguintes não é tão generalizada. Em alguns, nenhum destes circuitos foi acessado, enquanto outros podem ocasionalmente ter experiências com um ou mais dos Circuitos Superiores. Em todo caso, tais circuitos representam emergentes tendências evolutivas, que estão presentes somente em um relativamente pequeno percentual da população. O cibernauta procura aumentar essa percentagem.

Circuito Cinco: O Holístico Circuito Neurossomático

      Este circuito é caracterizado por sentimentos de êxtase ou bem-aventurança, aumento da sensibilidade, prazer sexual até mesmo em atividades e experiências ordinárias, felicidade generalizada, descontraído aumento de contentamento com o estado das coisas em geral. Gurdjieff referiu a este circuito como o Verdadeiro Centro Magnético. Os dispositivos de accionamento incluem retiros de isolamento, a técnica Hindu de pranayama ou respiração controlada, ambientes de gravidade zero, e, para os mais aventureiros, a cannabis. Experiências como regeneração espontânea ou “cura pela fé”, sentimentos de eterna juventude, e aceitação arrebatadora dos outros/eventos envolvem pelo menos uma ativação temporária deste circuito. Técnicas de controle do Circuito Cinco têm sido empregadas em práticas iogues, tântricas e zens, antigos rituais psicodélicos gregos assistidos por drogas em cultos a Elêusis, Dionísio, Mitra, assim como sufis e, provavelmente, no cristianismo primitivo também. Tentar ocasionalmente ativar o Circuito Cinco resultará num temporário, embora desconcertante, período conhecido como a “noite escura da alma” ou “cruzamento do Abismo”, caracterizado por sensações físicas dolorosas, desconforto corporal generalizado, distorção, pesadelos, ansiedade e uma aversão ou medo da luz. De qualquer forma toda dificuldade que tal estado traz, eventualmente, passará na bem-aventurança extasiante da experiência positiva com o Circuito Cinco.

      O Quinto Circuito, concentrado em grande parte do córtex direito, “pensa em Gestalts” — isto é, os processos do Quinto Circuito não são progressões lineares, mas holísticas, percepções simultâneas. Neurologicamente interligado com os órgãos genitais e sistema límbico (associado com o primeiro circuito) e amiúde trabalhando através das endorfinas, o circuito é muitas vezes engatilhado por sexo descontraído. Alguém que tenha ativado e imprimido este circuito é radiante, alegre, tem saúde excepcional parece resplandecente. As várias queixas dos circuitos inferiores — doenças físicas do primeiro circuito; autoridade agressiva, submissão e emoções turbulentas associadas ao segundo circuito; perplexidade do terceiro circuito sobre como melhorar a qualidade de vida; e a culpa do quarto circuito — são resolvidas de forma exponencialmente rápida com o advento da consciência do quinto circuito. Uma descrição precisa da vida dos adeptos do quinto circuito é “flutuando com um pé fora do chão”.

Aplicações do Circuito Cinco

      Parece-me que uma das maneiras mais eficazes para integrar experiências do quinto circuito na vida diária é focalizar a consciência intensamente no espaço-tempo. Focar no “aqui agora” transforma as tarefas mais mundanas em um conjunto de hedônicas sensações e praticamente apaga do vocabulário o tédio. Paul Reps relaciona isto a um antigo conto em seu Zen Flesh, Zen Bones:

      Estudantes de Zen passam, pelo menos, dez anos com seus mestres antes de ter a presunção de ensinar a outros. Nan-in foi visitado por Tenno, que, tendo passado a sua aprendizagem, tornou-se um professor. O dia estava chuvoso, então Tenno usava tamancos de madeira e carregava um guarda-chuva. Após cumprimentá-lo Nan-in comentou:

      — Suponho que você deixou seus tamancos de madeira no vestíbulo. Eu quero saber se o seu guarda-chuva está no lado direito ou esquerdo dos tamancos.

      Tenno, confuso, não tinha uma resposta instantânea. Ele percebeu que era incapaz de carregar o Zen em cada um de seus minutos. Ele tornou-se pupilo de Nan-in, e estudou por mais seis anos para executar o Zen em todos os seus minutos.

      Se este circuito tivesse sido alcançado, não seria possível deixar de lembrar onde o guarda-chuva estava! No momento em que largou o guarda-chuva, Tenno estaria tão absorto no jogo de cores e formas entre o guarda-chuva, tamancos e a decoração do vestíbulo, por exemplo, que aquelas imagens teriam sido nitidamente estampadas em sua mente e prontamente acessadas em sua memória. Neste estado, o ambiente torna-se um rodopiante mar de nítidas sensações que simplesmente caminhar por uma calçada torna-se um espetáculo circense: a textura do calçada é uma profunda escultura de aleatoriedade perfeita; os montinhos de grama escapando através das rachaduras são deliciosas explosões verdes em contraste com o concreto; flores silvestres ao longo dos lados espalham seus maravilhosos tons através do campo visual, parecendo florescer no próprio cérebro; árvores a poucos passos de distância saltam para o mente com cada depressão e protrusão na casca em grande detalhe; os blocos na calçada parecem loucamente inclinados e exageradamente tridimensionais; o repentino som de um sprinkler no pátio adjacente parece uma delicada e harmônica sinfonia; o céu impossivelmente azul contra as etéreas nuvens — o corpo inteiro formiga, parecendo prestes a levantar do chão e voar! Escusado será dizer que a vida torna-se fluídica, uma experiência hedônica em que o tédio inexiste.

      Mas o que acontece quando seu banco te sacaneia, a chuva estraga o seu acampamento, seu carro quebra, e seu melhor amigo anuncia que já não está mais falando com você? Um amontoado de pragas contra as divindades locais ou tentar forçar as coisas em seu esquema elegantemente preparado em nada lhe ajudará. Com essa abordagem, você apenas andará por sua casa resmungando durante todo o dia até que você acabe com o rosto azul. Nessas ocasiões a coisa mais sensata a se fazer é parar, fechar bem seus olhos (supondo que você não esteja dirigindo), dar saltos, gritando loucamente algumas vezes, em seguida, fazer alguma respiração profunda até sentir-se relativamente estável. Esperamos que, durante o curso da respiração seu rosto (e outros músculos) relaxem um pouco. Agora, você pode abrir seus olhos para um mundo mais calmo e continuar a planejar seu próximo passo.

      A primeira prioridade deve ser aliviar qualquer dor física que você possua, se os meios estão à mão, de modo que possa pensar mais claramente. Devagar, tensione e relaxe todos os músculos, um por vez; respire profunda e lentamente, enchendo seus pulmões e expandindo seu abdômen com ar; segure por alguns momentos, depois solte, ainda lentamente, parando um pouco com todo o ar liberado antes de inspirar novamente. Enquanto isso, lentamente, diga a si mesmo “Calma, calma, calma”, prolongando cada som dentro da palavra de acordo com sua respiração. Agora, faça um balanço sobre sua situação. Exatamente o que mudou, e quais são as implicações imediatas? Provavelmente nada disso importará futuramente; muitas possíveis complicações nunca se desenvolvem. Aceite a total responsabilidade por suas percepções! A importância da última frase não pode ser suficientemente enfatizada. Através da experimentação eu descobri que geralmente um problema não é um problema a menos que você o perceba como um. Se tudo isso falhar, um encolher de ombros e a simples decisão de seguir com o fluxo, para fazer o que for necessário e tentar aprender com a situação parece ser a melhor abordagem. Lutar contra a realidade batendo com o nariz na porta não leva a nada e é extremamente frustrante, para dizer o mínimo.

      Como Lao Tsu disse,
           Não é sábio precipitar-se…
           Se a energia é usada demasiadamente, segue-se a exaustão.
(LV)
           …
           O mundo é governado por deixar as coisas seguirem o seu curso. Ele não pode ser governado por interferir.
(LXIV)
                     — Tao Te Ching

      Finalmente, mais uma dica de uma parábola Zen:

      Certa vez, Buddha contou uma parábola num sutra:

      Ao atravessar um campo, um homem encontrou um tigre. Fugiu a sete pés, com o tigre atrás dele. À sua frente encontrou um precipício em que acabou por cair. Mas conseguiu agarrar-se à raiz de uma velha videira e ali ficou pendurado, com o tigre a cheirá-lo. Tremendo de medo, olhou para baixo e viu outro tigre, lá longe em baixo, que o esperava, cheio de apetite. A sua vida estava completamente dependente da videira. Mas apareceram dois ratos, um branco e outro preto, que pouco a pouco começaram a roer a raiz da videira. Foi só nesse momento que se apercebeu que, mesmo ao pé da raiz, crescia um morango apetitoso. Agarrando-se à videira com uma mão, colheu o morango com a outra. E foi o melhor morango que ele já comeu!

Circuito Seis: O Coletivo Circuito Neurogenético

      O Circuito Seis está a funcionar quando as informações arquivadas em nosso DNA tornam-se conscientemente acessíveis durante o estado de vigília. O “diálogo” do RNA-DNA começa a transmitir mensagens para o sistema nervoso central de dentro de cada neurônio. As descrições de experiências deste circuito tipicamente incluem “memórias de vidas passadas”, temas reencarnacionais, conceitos de imortalidade, a ideia de registros akáshicos, ou a percepção de algo como a hipótese de Gaia, que vê todo o nosso planeta como um organismo consciente, com todas as vidas em cima dele inexoravelmente interligadas. A música de Beethoven cria um quadro bastante preciso desta perceção; grandes doses de LSD inevitavelmente desencadeiam uma consciência semelhante temporária. Gurdjieff chamou este circuito de o Verdadeiro Centro Emocional ou (Centro Emocional Superior).

      Várias culturas têm dado diferentes nomes ao Sexto Circuito ao longo do tempo — os hindus chamam de “Atman”, os gregos de “Visão de Pan”, os chineses de Tao, etc. Quando o Sexto Circuito é inicialmente ativado, geralmente personifica arquétipos oriundos da filosofia pessoal, interpretados como “deuses”, “deusas” e/ou “demônios”. A teoria de Jung de arquétipos do inconsciente coletivo descreve bem este fenômeno. Esses arquétipos comumente aparecem no mundo dos sonhos; tornando-se mais iminentes até que o Sexto Circuito é invertido, amiúde o circuito é humanizado como uma imagem do “Eu Superior”, como o Bobo Cósmico, o Santo Anjo Guardião, anões, o Homem Verde, etc. Se o circuito permanece ativado, as percepções tendem a se moverem em direção a visões de uma conscientização evolutiva, desencadeando um esquema evolucionário de intensificação da auto-consciência, incluindo a conscientização de toda a biosfera de Gaia, desenvolvimentos passados assim como possibilidades futuras. A morte não é mais algo a ser temido, pois não há mais uma única vida, e sim um quadro contínuo de vidas e mortes operando na realidade.

      Os processos do Circuito Seis, provavelmente operando a partir do neo-córtex direito, usam uma linguagem com multi-camadas de intermináveis associações e conotações conjuradas para cada conceito — uma linguagem similar à usada por James Joyce em seu Finnegans Wake. Quando uma pletora de sincronicidades emerge na vida diária, o sexto circuito está definitivamente ativo, espelhando esta linguagem de conceitos simultâneos em eventos diários.

      A experiência básica do Circuito Seis é a comunhão ou conversa com o antigo “arquiteto” genético por trás de todos organismos físicos. Seja personificado como um divinamente intoxicado arquétipo masculino ou feminino ou definido como impessoal, uma força amorfa, a realização de uma vasta força vital torna-se cada vez mais auto-consciente e explora as infinitas possibilidades que estão por vir.

Aplicações do Sexto Circuito

      O emalhamento da consciência do Circuito Seis em seu formato diário pode ser uma aventura! Primeiramente, vamos considerar trabalhar com os arquétipos genéticos. A aplicação mais útil destes arquétipos, de modo cotidiano, parece ser a prática de “incorporação” ou “invocação de um deus (deusa)”, etc. Vamos dizer que você está no seu caminho para entregar uma apresentação particularmente complexa, e você está compreensivelmente nervoso. Pare um ou dois minutos para selecionar um arquétipo apropriado ou montar o seu próprio a partir dos arquivos genéticos, em seguida, construa uma poderosa e sucinta fantasia na qual você, como o arquétipo, demonstra a sua eloquência, seu equilíbrio, sua segurança imperturbável, ou qualquer outra coisa que você precise para esta ocasião específica.

      Como exemplo, você pode escolher Connor MacLeod do filme Highlander por seu dinamismo, serenidade e confiança — durante os minutos seguintes, você pode sentir a antiga espada em suas mãos como o toque de um velho amigo, sentir o poder e a emoção da Quickening —, sentir o estado de alerta como a circundar seu inimigo, sentir o espaço vazio até o centro da paz enquanto você age sem esforço e com fluidez, com todos os nervos formigando no mesmo ritmo — sentir a espiral quântica se elevando como o poder da auto-realização explodindo em você —, então pode reclamar o prêmio. (Fade to black…) Agora você viaja rapidamente com botas aladas através da memória dos circuitos, emaranhados jardins neurais, encontra as melhores palavras, a maioria dos gestos eficazes, com o grau de entusiasmo suficiente para brilhar… Agora você pode bancar o maestro, conduzindo cada elemento de uma madrugada magnífica no momento certo com a perfeita dança de sua batuta, enquanto o céu clareia, animais se agitam, brotos se abrem em uníssono, enquanto o sol aparece ao longo do horizonte… Aposto que você está muito menos nervoso agora. Boa sorte!

      Além da fantasia arquetípica, o Circuito Seis tem outros usos vantajosos — nomeadamente, analisar as “futuras” possibilidades dos blueprints genéticos. No mínimo, essas excursões irão expandir sua perspectiva e servem para lembrá-lo de que nada é estático — que não estamos no ápice de uma tendência evolutiva, e sim constantemente a conceber novos caminhos para o “futuro”. Após contemplar algumas das realidades abridoras de olhos podemos avançar para o cultivo, sendo amiúde muito mais fácil apreciar a nossa posição atual no Universo de nossa escolha.

Circuito Sete: O Circuito da Metaprogramação

      O Circuito da Metaprogramação é ativado quando o cérebro se torna consciente de si mesmo como engenheiro/criador da experiência. Quando você pensa em sua mente como mente, então pensa em sua mente que contempla que a mente como mente, e assim descobre o caminho para a metaprogramação da consciência. A maioria dos métodos com função de “iluminação”, leva o aluno a dar voltas e voltas em círculos até que seja golpeado pela percepção de que ele próprio é responsável por tudo o que ele experimenta. Com o auxílio deste circuito, torna-se um auto-programador, após os programas de auto-programação, programa-se a programação da auto- programação, etc. — a consciência cibernética foi alcançada. De repente, se é atacado pelo bom humor, totalmente relacionado à natureza de todos os mapas-realidade do terceiro circuito; rígidos sistemas dogmáticos que afirmam haver apenas um “Único Caminho Verdadeiro” tornam-se piadas cósmicas a serem vorazmente ridicularizados. O Grande Jogo torna-se visível de uma só vez; criar suas próprias regras, alterá-las à vontade, até mesmo fabricar diferentes tabuleiros para seu entretenimento e edificação, tudo isto faz parte do Circuito Sete.

      Aparentemente, operando a partir dos lobos frontais, o circuito da metaprogramação tem sido chamado pelos gnósticos de “alma”, pelos chineses de “não-mente” (wu-hsin), pelos budistas tibetanos de White Light de the Void, os hindus chamam de Shiva-darshana, já Gurdjieff de Verdadeiro Centro Intelectual. Quando você finalmente perceber que o “eu” não é constante, mas que está em constante mudança e que a “alma” (Circuito Sete) não tem precisamente uma forma pois ela reveste todas as formas, interpretando todos os papéis imagináveis — você descobre estar em um estranho loop não menos desconcertante, dramático e engraçado que um koan Zen. Tudo o que resta a ser feito é constantemente figurar novas maneiras de criar mapas-realidade que são ainda mais divertidos, mais inclusivos e mais encantadores do que os que você estava usando ontem!

Aplicações do Circuito Sete

      Não há muito o que se falar sobre a aplicação do Circuito Sete no dia-a-dia, devido à natureza do próprio circuito; a aplicação, neste caso, é descobrir e relembrar como assistir o Universo em si, vendo assim seus próprios circuitos em ação. Uma vez percebida, esta descoberta liberta-o para adotar as metáforas que quiser ou mesmo nenhuma, para extrair elementos úteis de cada mapa-realidade e se desfazer imediatamente dos não-funcionais. As possibilidades deste ponto são infinitas. Com a assombrosa percepção da total auto-responsabilidade e autodeterminação vem a tensão criativa necessária para construir, editar e destruir novas visões de mundo para sua diversão e proveito. Há muito a ser aprendido através da dispensa de mapas-realidade inteiros, mesmo que apenas por períodos limitados de tempo.

      Como Lao Tsu sabia:

      “Na busca pelo aprendizado, cada dia algo é adquirido.
      Na busca pelo Tao, cada dia algo é deixado para trás.”

      E a partir da tradição Zen:

      Nan-In, um Mestre japonês durante a Era Meiji, recebeu um professor universitário, que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.

      Nan-In, enquanto isso, servia o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.

      O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:

      — Está muito cheia! Não cabe mais chá!

      Então, o Mestre Nan-in disse:

      — Como esta xícara, você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como eu posso lhe demonstrar o Zen sem que você primeiro esvazie a sua xícara?

                       — Zen Flesh, Zen Bones

      Tal curso de reciclagem da objetividade pode, naturalmente, ser bastante surpreendente — se há uma coisa que se pode esperar de forma confiável da experimentação com este circuito é o elemento-surpresa. A ética situacional, a relatividade e o agnosticismo são, de fato, ferramentas úteis; o cibernauta fará bom uso delas.

Circuito Oito: O Quântico Circuito Não-Local

      Também chamado de Circuito Metafisiológico, este tipo de consciência envolve reconhecer o modelo como um modelo e prosseguir para escapar do modelo propriamente dito. Por exemplo, os circuitos que temos discutido teoricamente estão baseados no cérebro; no entanto, em experiências fora do corpo (OOBE), a consciência parece escapar completamente dos limites do sistema nervoso e funcionar independentemente do mesmo. A OOBE — desencadeada por grandes doses de LSD ou cetamina, várias práticas de yoga, técnicas xamânicas, e às vezes de ocorrência espontânea — é um dos muitos fenômenos de libertação da consciência que encaminha para o tipo de experiência diversamente conhecida como união com a consciência do todo, comunhão com a Mente Cósmica, Unidade com Deus, etc.

      A experiência do Circuito Oito pode ser melhor explicada pelo Teorema de Bell, que demonstra a impossibilidade de sistemas isolados em um universo onde cada partícula está constantemente em comunicação “instantânea” com todas as outras. “Todo o sistema é um sistema inteiro”, em outras palavras. No entanto, a Relatividade Especial diz que a energia não pode viajar mais rápido que a luz, então que meio carrega esta comunicação “instantânea”? Dr. Edward Harris Walker diz que é a “consciência”; Dr. Jack Sarfatti afirma que é a “informação” e explica sua teoria com a seguinte metáfora: se o universo inteiro pode ser comparado a um mega computador, então o domínio sub-quântico é composto por mini-mini- computadores. O hardware de cada computador (universo, cérebro individual, mecanismos sub-quânticos, etc.) é local no espaço e no tempo. No entanto, o software é não-local. Como a informação não é energia, mas é o que ordena energia, não há conflito com a Relatividade Especial.

      Em todo caso, encontros do último tipo parecem estar além de qualquer descrição. Palavras tornam-se completamente inadequadas; segundo Wilson, possivelmente Beethoven tenha dado a melhor descrição com o quarto movimento de sua Nona Sinfonia.

Aplicações do Circuito Oito

      A linguagem tipicamente se revela insuficiente para descrever fenômenos não-locais, mas existem alguns métodos de visualização do Universo através de uma perspectiva não-local. Uma técnica mais gratificante é primeiramente focalizar nos próprios batimentos cardíacos, em seguida, expandir o foco para incluir um coração ou pulso semelhante batendo em uníssono dentro de cada coração humano, cada coração animal, em seguida, fundindo-se com as pulsações da vida vegetal, e assim por diante até o pulso trovejante da Terra, expandindo para o cosmos ligado com os outros planetas, estrelas, quasares, etc. O âmbito de aplicação da imaginação é o único fator limitante. Este exercício, realizado muitas e vividas vezes, é uma ótima maneira de se sentir ligado com o Universo. A empatia parece ser um elemento vital para a abertura do circuito Oito; portanto, exercícios envolvendo a percepção de eventos/emoções simultaneamente a partir do ponto de vista de várias pessoas diferentes ao mesmo tempo são muito úteis. Como as ligações são forjadas mais facilmente entre pessoas que partilham uma ligação íntima, o sexo reverente é uma excelente oportunidade para expandir a consciência para incluir múltiplas sensações.

      Como o Circuito Oito é não-localizado no tempo, bem como no espaço, habilidades de time-bridging como precognição e retrocognição entram em jogo. Muitas vezes, a precognição é uma questão de confiar em suas próprias percepções mais do que qualquer outra coisa, em vez de qualificá-las como “apenas” imaginação ou fantasia. De fato, nem o futuro nem o passado podem ser descritos como fixos, uma vez que a realidade de cada pessoa difere tão amplamente, e muitas possibilidades podem ou não se concretizar em um determinado ponto. Com a ativação deste circuito, vem a crescente consciência de que várias realidades são mais ou menos arbitrárias e igualmente válidas dependendo do cenário de utilização, uma progressão lógica das descobertas de metaprogramação do Circuito Sete. Finalmente, o indicador mais óbvio de que o Circuito Oito está em operação é um expansivo, feeling “cósmico” que desafia qualquer descrição, mas que faz com que a pessoa se sinta totalmente maravilhada.

Conclusão

      O objetivo do cibernauta deve ser ativar permanentemente e incorporar cada um dos quatro circuitos superiores em sua vida cotidiana. Estes modelos ampliados de consciência podem e devem trabalhar com a realização da interconexão e relatividade de todos os esquemas mentais para produzir uma maior satisfação com a vida e um maior senso de humor para jogar “O Jogo”. Uma vez que estes circuitos estejam em saudável operação, cada momento se torna uma espiral vertiginosa de intoxicação com a vida e um criativo esforço para evocar ainda mais divertimento através dos processos de desdobramentos do trabalho.

Adaptado por Lizza Bathory de Sacred-texts.

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