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Uma Nota sobre o Ritual da Marca da Besta

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Texto retirado da tradução de Liber V vel Reguli, 2003 e.v., por Fernando Liguori

Crowley discursou bastante sobre este Ritual nos apêndices de MTP dizendo: (a) meu Hexagrama privado; (b) o Ritual da Marca da Besta e (c)?. Eis aqui uma incógnita indecifrável! Em Cefalaú, na Sicília, um diário de 27 de Outubro de 1921 Crowley dizia que Liber V é o resultado de várias operações individuais. Especificava o Sinal Rosa Cruz, provavelmente “meu Hexagrama privado”.

Liber V vel Reguli é considerado o Ritual maior do Pentagrama Thelêmico.

Esse Ritual, muitas vezes realizado depois do Ritual Rubi Estrela (Liber XXV) é o primeiro decanato de Leão, a Estrela em seu coração.

Vel reguli é sintetizado por Marte e Júpiter, respectivamente Geburah e Chesed. Seria a energia de Marte em comunhão com a energia de Júpiter.

Chesed sendo a primeira Sephira abaixo do Abismo é o elemento conciliador de Geburah, sendo assim, ela é usada como o elemento de atração das forças do Novo Æon. Essa é a função deste Ritual, atrair para atmosfera do Magista as forças da corrente mágica do Æon de Hórus.

O Ritual da Marca da Besta atrai as forças solares, 666, o criador e doador da vida.

Crowley exorta sobre a Marca da Besta em Liber 418 e um trecho dessa excelente exortação pode ser encontrado em O Livro de Thoth.

Porém, o que seria invocar as forças do Æon de Hórus?

Invocar as forças deste Novo Æon é invocar as forças de Thelema. Para que o leitor compreenda o que é invocar Thelema, será transcrito um texto de Crowley a respeito de Thelema: Talvez seja tarefa ingrata tentar falar em liberdade na maioria dos países localizados abaixo do equador.

Talvez também pareça notável existir filosofia que ouse não estar ajustada a uma cada vez mais comum época de preconceitos e restrições. O que haveria em nosso país se, de repente, um movimento, uma força, uma corrente, surgisse com tal ideal verdadeiramente livre, igual e fraterno? A resposta é de poucos conhecida.

Porém grande parte destes poucos constituem a casta dos que fazem a sociedade ser apenas instrumento de sua mesquinhez. E foi esta mesma elite que, precisamente sabendo das hipóteses da consecução da Vontade humana, por algumas décadas calou homens e mulheres que queriam simplesmente viver.

Outros, embora possuidores de um conhecimento capaz de libertar o espírito, lamentavelmente afetados por condicionamentos e terríveis rancores, mantiveram-se em tolas demandas a buscar títulos, patentes, exclusividade e o que quer que fosse supostamente necessário para camuflar o tosco complexo de inferioridade, normal em cidadãos do terceiro mundo; no caso específico, o Brasil. Estes tolos, apesar de reconhecidamente fortes, perderam-se na diversidade dos conflitos que procuraram, acabando soterrados por suas próprias rigidez e intolerância; e, ironicamente, serviram simploriamente aos caprichos daquela elite dominadora. Ao fim, passaram e bem pouco fizeram.

Certamente pouco restou. Mas o que restou, por penoso aprendizado, permaneceu puro em essência. E o que será que sucede o Tolo, o Zero? A Unidade, a Essência, ou a Vontade.

E vimos aqui justamente a isto, reapresentar a Lei da Vontade.

Esta Vontade é o testemunho de uma ininterrupta necessidade de crescimento, sendo a síntese da virtuosidade divina original e causal expressa em amor. Amor, um ideal que muito perdeu de seu primordial significado, sendo transformado em onírico agente de propaganda social. Entendamos como amor, o resultado da ação da Vontade, sendo o meio plasmador e efetivador da manifestação essencial.

Tal necessidade de crescimento não é caracterizado por ânsia e sim por determinação natural da expressão vida. E assim como a expressão vida segue independente de adversas forças que nela incidem, a Vontade no homem não pode, tendo a verdade como princípio e meta, ser restringida por quaisquer que sejam as razões. Sua restrição implica morte.

Em Liberdade encontramos o lar da vida onde o grande propósito atua, sendo consequência direta da identificação da Vontade. Temos então definidos os três pontos básicos da Lei. Vontade, Amor e a resultante Liberdade.

Estando estes conceitos fora do alcance da maioria, fica fácil a proliferação de equivocadas regras de condutas bem como falsos regimentos de moral e ética. A liberdade conquistada passa longe dos mal conhecidos procedimentos anárquicos, promovedores de desordem social. Desordem social, exatamente como a que vivemos, é o mais vil crime contra a manifestação da Vontade.

É imprescindível o auto-conhecimento, para que a identidade original desvele sua Vontade, cabendo ao identificador a realização da mesma. Não haverá conflitos, pois A Vontade sendo única não é contraditória.

A analogia das órbitas é uma imagem da Lei. São diversos os mundos, diversas as estrelas e sistemas, todos realizando sua vontade expressa como a particular órbita de cada unidade. Não há conflitos, nem interferência entre os traçados, como se todas as vontades fossem respeitadas, apenas há Ordem. Relacionar homem e estrela é útil, pois entender-nos como parte de um sistema que reserva para cada indivíduo uma própria órbita ou caminho, é entender o mecanismo da Lei.

Na perfeita compreensão dos parâmetros básicos da filosofia, reside o segredo da iniciação dos Mestres do Templo da Arte Alquímica. Na não observância do caminho do entendimento, está a final perdição dos Escravos do Abismo.

Todos já ouviram, enfaticamente e exaustivamente, a respeito da comercializável era de Aquário, de modo que, ao abordarmos este assunto, urge a brevidade.

No embate dos opostos não é raro tomarmos o escuro pelo claro, o positivo pelo negativo, o belo pelo feio. O Oculto assim sempre o será, por sua própria lógica de (não) existência. Um exemplo claro disto: a era de Peixes teve seu tempo, seu messias, sua doutrina, seu Livro. Mas o que é o culto cristão senão uma crença em valores estritamente relacionados com Fé, Religiosidade e Caridade; o amor, a maternidade, a Grande Mãe ou A Virgem? Precisamente o signo oposto ou oculto a Peixes; Virgem.

Da mesma forma, a tão aclamada nova era de Aquário oculta o sentido essencial desvelado por outro signo, a era de Leão. Esta oculta face do presente período, está diretamente envolvida com o Culto ao Sol, onde o homem assume sua condição divina, deixando de ser um ente passivo iluminado por Mercúrio, ou o Messias da era de Peixes-Virgem, passando ele mesmo a ativo iluminador; não mais um representante da verdade, mas a verdade mesma determinada por sua Vontade. E interessante observar que o termo “iluminado” caracteriza carência de luz própria, diferindo posicionalmente de “iluminador” ou aquele que emite luz.

O Culto ao Sol, vale esclarecer, não possui identidade com a ingênua prostração diante do astro-rei, nem implica em sacrifícios rituais em nome de qualquer deus. Além do nítido enfoque fálico, o Sol simboliza essência e liberdade de expressão em alto grau de pureza. Tal pureza não compactua com os mal delineados apelos conceituais e comportamentais de espiritualidade. Pureza apenas por ser original, nada mais. Cultuar o Sol é tarefa de toda uma vida, é desenvolver ao máximo a si próprio em todos os sentidos, sejam internos ou externos; é fazer com que a personalidade torne-se forte o suficiente para suportar o peso e o brilho do archote que todo homem e toda mulher porta. Isto é o que determina o Signo de Leão. E o Leão é a fera, a Besta.

Novamente lembramos a imagem das estrelas e suas órbitas. Reconhecer-nos como sendo a expressão única da verdade, e não encontrar eco para tal sentimento em outros, é incorrer em grave erro, sendo esta atitude fruto de despreparo moral, ético e humano; nela achamos a fonte de toda discórdia e insatisfação. As estrelas sugerem o exemplo, são vários Sóis, todos no mesmo universo sendo centro de um sistema, não havendo disputa entre os astros. Portanto, é necessária a compreensão de tal atitude junto com os princípios fundamentais da Lei. Este sintoma é próprio daqueles que permanecem presos à sombra de um passado e ainda carregam a cruz do Filho Único.

Finalizando, pensar em um Estado onde possamos estar organizados, vivendo livres, aprendendo e ensinando, sendo a expressão da Vontade manifestada as claras e sem compromisso, com certeza é agora uma simples aspiração e utopia. Mas é exatamente nas utopias e nos sonhos, onde encontramos os responsáveis pelo movimento do mundo. Agora o que podemos fazer é respirar fundo e agir, percebendo as nítidas tendências mundiais, sentindo a mudança já iniciada. Faze o que tu queres, esta é a plenitude da Lei. E num termo grego, significando Vontade, encontramos a Palavra desta Lei: Thelema.

Nos encontramos na nova Era, no eixo astrológico de Aquário-Leo. Leão é o oposto complementar de Aquário.Leão leva em suas costas Aquário. A BESTA (Leão); NUIT (Aquário). No XI° Atu do Tarot de Thoth vemos os dois em êxtase. Analisando essas correspondências, vemos que o XI° Atu (Teth) liga Chesed a Geburah, ou seja, o caminho que precede o Abismo de onde a própria Besta surge. A realização deste Ritual traz as forças de Aquário-Leo para o campo de operação do Magista.

Essas correspondências entre o Ritual e o XI° Atu podem ser vistas com o estudo minucioso dos primeiros gestos do Ritual, que simbolizam a união do Phallus e da Kteis, ou Nuit e Hadit. Aqui começam surgir as conotações tântricas. Hadit é a Serpente-Leão enroscada no Muladhara, a Kundalini.

Crowley para este Ritual fez a utilização dos Pentagramas Inversos, representando assim a descida do Espírito sobre a Matéria.

A Besta é Baphomet e ao usarmos os Pentagramas Inversos estamos invocando essa força fohática. Neste Ritual, Baphomet, a União da Besta e da Mulher Escarlate na saída do Abismo. Essa é uma representação apresentada em Tiphereth.

Muito mais poderia ser dito, porém, esse é um Ritual oficial da A.’.A.’., sendo assim, é chegada a hora de me calar.

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