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Uma Introdução a Demonolatria Moderna para Wiccanos & Neo-Pagãos

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Publicado originalmente em 11 de setembro de 2008

© Torey B. Scott

Demônios. Algumas pessoas podem ouvir o termo e estremecer. Outras podem ficar curiosas. Como acontece com qualquer vertente LHP, como o Satanismo, Luciferianismo ou Demonolatria, há uma notável falta de conhecimento real sobre o termo em questão e uma abundância de desinformação, medo e ignorância.

Demonolatria, como uma religião, é bastante jovem considerando as muitas seitas em operação. Apesar de antigas formas de Demonolatria datarem de milênios atrás e, especulativamente, até mesmo terem atuado no tempo dos Templários, as maiores seitas operacionais, o termo e práticas foram extra-oficialmente aceitos como um caminho por volta de 1950. A mais funcional destas seitas foi totalmente desenvolvida trabalhando com base em um hermético trabalho religioso, em 1998, com a fundação da Guild of Demonolatry. Hoje, a maior seita de Demonolatria operando abertamente é a Ordo Flammeus Serpens, com sede no Colorado, nos Estados Unidos.

Além de seitas e ordens oficialmente reconhecidas, a Demonolatria tem uma velada porém comumente aceita história, bem como uma prática geracional transmitida através de tradições de linhagens familiares. Esta é muito parecida com muitas práticas de bruxaria tradicional e a prática da Demonolatria “hereditária” é comumente conhecida como “Tradicional Demonolatria Familiar”, entre outros termos.

O QUE A DEMONOLATRIA NÃO É

Demonolatria não é uma religião que pratica missas negras. Demonólatras não sacrificam animais nem torturam crianças ou acreditam em cometer crimes para agradar ao Self. A Demonolatria é um caminho que incide sobre o Self e a melhoria deste (poder pessoal, etc.), que não viola as leis do homem nem dá ao praticante um passe livre para fazer o que ele ou ela quer. Todos nós somos responsáveis por nossas ações.

Para um demonólatra, demônios não são seres malévolos. Na verdade, muitos dos demônios honrados dentro deste caminho podem ter suas origens traçadas até uma série de panteões antigos (sumério, egípcio e grego, entre outros). Demonólatras geralmente não acreditam no conceito de inferno — não há poço infernal queimando e não há desejo de ter relações sexuais com Satan (na verdade, a maioria concorda que sexo com demônios não é uma ocorrência comum). Demonólatras rejeitam ideias cristãs e a condenação de demônios e Satan.

O QUE É DEMONOLATRIA

Demonolatria é uma religião que, surpreendentemente, tem muito em comum com as outras religiões neo-pagãs, como a Wicca. Embora a Demonolatria seja do chamado “Caminho da Mão Esquerda”, é uma religião neopagã politeísta que engloba magia ritualística, observância dos Festivais Sagrados e melhoria comunitária e familiar. A maioria dos demonólatras tem geralmente mais de 30 anos de idade — não é uma religião cheia de adolescentes que procuram ser “cool”. Demonolatria é uma religião em que os demônios são deuses — honrados, respeitados e tratados como qualquer outro deus de qualquer outro panteão, da mesma forma como os wiccanos honram e trabalham com suas próprias divindades.

Demonólatras consideram a prática de Evocação Cerimonial inatamente desrespeitosa. Para o demonólatra, demônios nunca devem ser ordenados, mas totalmente respeitados e a eles se deve pedir para prestar seu auxílio quando necessário. Assim como wiccanos não se atreveriam a convocar, insultar, prender e banir o seu Deus ou Deusa, os demonólatras visualizam este ato como uma atrocidade e um enorme desrespeito pelos demônios.

AS PRÁTICAS DA DEMONOLATRIA

As práticas da Demonolatria geralmente giram em torno da observância dos dias santos e festividades, orações e técnicas de meditação, apesar da magia ritualística ser uma prática comum também. Através da magia, o demonólatra visa melhorar a si, seus entes queridos, sua comunidade e o mundo ao seu redor. Os demônios emprestam ao demonólatra sua sabedoria, sua energia e, em alguns casos, sua força.

Os rituais da Demonolatria são adaptados individualmente, por isso não há duas práticas demonólatras exatamente iguais. É um caminho altamente adaptável que o indivíduo deve ajustar a si para alcançar melhores resultados pessoais. A maioria não é muito diferente dos rituais da Wicca ou da Magia Cerimonial. A principal diferença é que o demonólatra lança seu círculo, e exorta os demônios (há também demônios elementais para cada um dos quatro elementos) a emprestarem sua ajuda à sua magia.
Os quatro governantes elementais mais comuns encontrados na Demonolatria são:
→ Terra – Belial
→ Ar – Lucifer (É importante notar que a maioria dos demonólatras vê Lúcifer e Satan, como duas entidades distintas)
→ Fogo – Flereous ou Satan
→ Água – Leviathan

Uma das diferenças mais óbvias entre práticas da Demonolatria e Wicca é que demonólatras não lançam um círculo para proteção, mas sim o fazem para criar uma área de equilíbrio energético.

Alguns demonólatras optam por usar encantamentos — outros não. Mais uma vez, é um caminho altamente adaptável e individualizado que é único para o praticante. Algo que define o caminho da Demonolatria para além de muitas outras religiões pagãs é a utilização de maldições. Como muitos podem formar julgamentos precipitados ao tomar conhecimento desta prática, é importante notar que a Demonolatria usa maldições com muita cautela e prudência. Ninguém sai por aí jogando maldições contra as pessoas por qualquer razão tola. Às vezes, maldições são uma parte necessária da prática de alguns bruxos, o mesmo se dá na Demonolatria.

Outra prática que é comumente encontrada na Demonolatria é a incorporação de sangue em rituais mágickos. O sangue é retirado da forma menos invasiva e destrutiva possível (como com a utilização de lancetas de teste de diabetes para picar o dedo), auto-mutilação não é tolerada ou incentivada dentro da Demonolatria.

Demonólatras também usam muitas das práticas tradicionais de outros caminhos pagãos, como adivinhação com Tarot, etc.
Cada demônio tem um sigilo ou selo exclusivo que está associado com o seu nome e essência. Esses sigilos podem ser aqueles encontrados nas obras do século XX do demonólatra Richard Dukant, em grimórios mágicos, como A Chave Menor de Salomão ou mesmo aqueles concebidos pelo próprio demonólatra. Os sigilos são, geralmente, escritos em pergaminhos e queimados como oferendas e agradecimentos aos demônios. O ato de queimar o sigilo é visto por demonólatras como transformar o conhecimento em energia, tornando-o disponível para ser absorvido pelo demônio.

Não existe tal coisa como um clã dentro Demonolatria e demonólatras são mais geralmente praticantes solitários. No entanto, alguns optam por estabelecer os seus próprios caminhos e tradições ou participar de outras seitas e grupos de trabalho. Embora sacerdotes da Demonolatria sejam ordenados apenas após estudo rigoroso e comprovada dedicação ao caminho — não há necessidade de “iniciação”. Ritos de auto-iniciação e auto-dedicação são “oficialmente” aceitos como iniciações.

Não há “textos sagrados” a serem encontrados dentro da Demonolatria. Em vez disso, o conhecimento dos demônios é adquirida a partir da experiência de trabalhar com eles e a partir dos textos de muitos grimórios antigos e modernos (embora demonólatras rejeitem as aparências muitas vezes monstruosas dos demônios representados em textos cerimoniais como a Chave Menor de Salomão). Uma influente fonte aceita por muitos demonólatras modernos é a Hierarquia de Richard Dukante. Os sigilos e enns (orações sagradas, em línguas bárbaras, exclusivas para cada demônio) de Dukante são considerados precisos e muitas vezes são uma parte comum de materiais da prática do demonólatra.

DEMÔNIOS PATRONOS E MENTORES

Cada demonólatra trabalha com um demônio fundamental — este Demônio é chamado de “patrono”. Assim como wiccanos trabalham com divindades patronas, os demonólatras o fazem — no entanto, ao contrário da Wicca, é incomum demonólatras terem a dualidade de um demônio patrono e uma matrona. O demônio patrono pode ser um demônio com quem o demonólatra se conecta em um nível pessoal, que é o completo oposto de sua personalidade, o seu demônio elemental, que lhe dá lições para beneficiá-lo em uma miríade de fatores decisivos. Assim como wiccanos escolhem o seu patrono ou seu patrono os escolhe, os demonólatras o fazem.

Muitos demonólatras optam por ter o sigilo de seu patrono ou matrona marcado, cortado ou tatuado em sua pele, a fim de marcarem-se como um devoto de tal demônio.

Junto com um demônio patrono, a maioria dos demonólatras trabalham com o que é conhecido como mentor. O demônio mentor sempre escolhe o demonólatra — e não o contrário. Nessa relação, o mentor procura guiar o demonólatra ao longo de seu caminho e lhe ensinar habilidades para sua vida e para ajudá-lo em suas atividades terrenas. Esta é uma relação diferente daquela do patrono em que o mesmo auxilia o demonólatra em questões relacionadas com o demonólatra como pessoa (ou seja, ajudando-o a melhorar de vida, identificar seus pontos fortes e fracos e superar os obstáculos relacionados com a sua personalidade e seus medos).

Demonólatras não trabalham apenas com seus demônios patrono / matrona e mentor. Eles também trabalham com muitos demônios por inúmeras razões diferentes.

A VISÃO DEMONÓLATRA DOS DEMÔNIOS

Demônios são, para aqueles que os adoram, deuses. Eles não são criaturas inferiores de algum abismo flamejante deslizando através de nossos pesadelos para criar perigo e perversidades, mas sim seres divinos, assim como os deuses são seres divinos para wiccanos e muitos outros pagãos. Demônios são, em suma, os deuses rejeitados da antiguidade — vilanizados e injustamente temidos pelo cristianismo, perpetuados com falsos mitos. Embora a natureza dos demônios seja subjetiva e as opiniões sobre o que eles “são” variem de demonólatra para demonólatra, a maioria concorda que todos eles são uma raça de seres pertencentes a uma única fonte de energia — “O Todo” ou “Deus”, se você preferir. Algo muito parecido com o princípio do Mentalismo — demônios são muitas vezes considerados como manifestações de uma única fonte de força vital.

Isso não quer dizer que os demônios não são seres únicos com motivações e personalidades individuais, mas que, como nós e todas as criaturas da Terra, estão interligados pelo fluxo infinito do Espírito. Tal como acontece a maioria dos adeptos do LHP, demonólatras acreditam que o espírito do homem é tão exaltado e sublime como qualquer deus, demônio ou qualquer outro ser — posto que estamos todos interligados e todos nós somos o Espírito. Nenhum ser é menor ou maior do que o outro.

Demonólatras acreditam, quase por unanimidade, que os demônios são nossos amigos e nossos instrutores. Eles são os nossos guias e os nossos mentores, nossos guardiões e nossos protetores. Isso não quer dizer que demonólatras ingenuamente acreditem que os demônios são totalmente benévolos — mas que eles não são mais “perversos” do que qualquer outro deus de qualquer panteão. Demonólatras geralmente acreditam que os demônios obtêm benefícios a partir da troca de energia conosco, e que o respeito a demônios (às vezes) é crucial para nossa prosperidade e sustento. No entanto, a maioria concorda que os demônios não “necessitam” de nós para sobreviver, mas é uma honra beneficia-los tanto quanto eles nos beneficiam. Demonólatras acreditam que a percepção dos demônios, como os abordamos e consideramos reflete com precisão no comportamento destes para conosco. Em suma, se você tem medo de demônios e trata-os com desdém, suspeita ou desgosto, eles provavelmente não vão tratá-lo com muita dignidade — assim como geralmente agiria qualquer outro ser.

Lembre-se que os demônios, para demonólatras, não são seres intrinsecamente maus, conquanto são apenas deuses como os deuses e deusas wiccanos e pagãos. Há demônios do amor, fertilidade, amizade, famílias, crianças e até animais de estimação — assim como há demônios de destruição, vingança, peste e crueldade. O balanço não é totalmente “bom” ou “mau”. Demônios são seres espirituais e não estão presos a ideais humanos. No entanto, para demonólatras, demônios não são seres, de qualquer maneira, do mal.

Mais uma vez, as crenças de um demonólatra ou mesmo de cinquenta não são expressões das crenças de todos os demonólatras — mas de modo geral, a fonte do Espírito é Satan. Satan não é a antítese de “Deus” — Satan é vida… um ser que é ao mesmo tempo consciente e incognoscível — o Criador Todo-Poderoso. Satan é “Deus” para muitos demonólatras. “Deus” e Satan não são seres separados dentro da perspectiva de algumas formas de Demonolatria — eles não estão em oposição. Eles são a mesma pessoa — o mesmo Criador. Eles são energia, vida, o Espírito Puro.

Satan, para a maioria dos demonólatras, não é o Satan da Bíblia, o nome pode ser o mesmo, todavia Satan é Deus e Deus é Satan. O Espírito não pode ser limitado por meras palavras.

FESTIVAIS SAGRADOS DA DEMONOLATRIA

Assim como na Wicca, algumas seitas de Demonolatria Moderna reconhecem o fluxo e refluxo do ciclo da vida e o passar dos dias do ano.

Os demônios fundamentais (ou primários) adorados e reconhecidos durante estas festividades são Lúcifer, Leviatã (que domina dois festivais), Flereous, Eurynomous e Belial. Eles representam, respectivamente, a iluminação e a primavera; o ciclo da colheita e do fluxo de emoções dentro de si; o Fênix renascido das cinzas e a ideia do renascimento; o ciclo da morte e da auto-renovação e novos começos com a proclamação do renascimento do Sol.

Os dias dos Festivais Sagrados mais comumente observados na Demonolatria são as seguintes:

→ 21 de março — Rito a Lúcifer

→ 02 de maio — Rito a Leviatã

→ 21 de junho — Rito a Flereous

→ 21 de setembro — Segundo Rito a Leviatã

→ 31 de outubro — Rito a Eurynomous (Baalberith / Babael)

→ 21 de dezembro — Rito a Belial

Há também os ritos oficiais de casamento, ritos batismais, divórcios e até ritos funerários. Tal como acontece com qualquer outro caminho, estes são geralmente realizadas por um Sacerdote ordenado ou Sacerdotisa e são geralmente realizados em dias específicos de festividades que correspondem à natureza do rito.

CONCLUSÃO

Demonólatras normalmente não acreditam em ocasional possessão demoníaca, que alguém vá para o inferno ou que haja qualquer Anticristo. As pessoas não podem se tornar demônios. Demonólatras também não acreditam que Satan existe para nos tentar e recolher almas para seu entretenimento pessoal.

Embora sempre haja maçãs podres, como regra demonólatras não são maus, nem todos eles vestem-se de preto, usam correntes e maquiagem pesada, eles não se auto-mutilam, eles não sacrificam animais ou crianças, eles são simples e não criminosos devassos, não pregam o ódio e a violência. Demonólatras são pessoas comuns que são mães, pais, avós e amigos. Demonólatras aceitam a validade das crenças de todos, acreditam que a experiência é subjetiva e que o Divino se manifesta de forma diferente para todos. Somos todos irmãos e irmãs.

Esperamos que você tenha gostado deste artigo e saia com uma melhor compreensão deste caminho muitas vezes incompreendido e às vezes até mesmo temido. Demonólatras não são muito diferentes de wiccanos ou de praticantes de qualquer outra fé neo-pagã — demonólatras simplesmente reconhecem um conceito diferente de Divino.

Traduzido por Lizza Bathory a partir de Infernal Dialogues

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