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Goetia Simplificada — Frater Michael Sebastian Lùx

Para muitos aspirantes a magista, a prática da evocação mágicka de forças demoníacas sugere imagens de magos medievais trajando longos robes, armados com varinhas e espadas, de pé em círculos evocando agentes do Inferno a fim de realizar pactos para obter riqueza, amor, eterna juventude, ou qualquer outra coisa que convir à vaidade do intrépido bruxo. Talvez seja esta imagem e os métodos aparentemente difíceis de preparação das ferramentas dos rituais, memorização de longas conjurações e exorcismos, e a incompreensão das prosaicas forças ligadas à nossa realidade espiritual, o que tem feito a prática da evocação goética ser muito denegrida e incompreendida, mesmo por alguns dos grandes adeptos da nossa atualidade. Até que ponto esse viés é merecido ou não está totalmente aberto ao debate. A meu ver, no entanto, seus benefícios não podem ser questionados por aqueles determinados a tomar as medidas necessárias para se envolverem com essas forças face-a-face e que o processo para fazê-lo não precisa ser demasiado complicado pela recriação de cada detalhe, quer seja das ferramentas ou templos descritos nos vários textos que nos foram transmitidos. Este ensaio visa proporcionar um resumo simplificado de minha extensa prática da evocação ao longo de quase dez anos e demonstrar que este não é apenas um processo acessível, mas que pode enriquecer a vida do mago, independentemente de sua situação.

Para o leitor, talvez o mais famoso livro que detalha a prática da evocação mágicka seja o Lemegeton, ou a Chave Menor do Rei Salomão traduzido por S.L. MacGregor Mathers, o grande adepto da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn); muito foi escrito sobre este texto em particular nos últimos cem anos por magos e acadêmicos da mesma forma e, em muitos aspectos, está em conformidade com a imagem da evocação presente no inconsciente coletivo com um círculo mágicko complicado, descrição exaustiva de ferramentas necessárias e coisas efêmeras e um registro ou hierarquia de espíritos com descrições de seus poderes e habilidades. Muitos autores contemporâneos como Lon Milo DuQuette, Christopher Hyatt, Carroll Runyon e Michael Osiris Snuffin têm escrito extensivamente sobre este livro em particular e têm informado, a uma geração inteira, sobre sua aplicabilidade prática. Há, porém, outros grimórios que não são tão bem explorados, ou têm passado somente nos últimos anos pelo processo de serem cuidadosamente examinados e re-examinados pelo seu papel na consciência do emergente renascimento mágicko. Textos como o Grimorium Verum, o Dragon Rouge, e outros do início da era moderna e da bibliothèque bleu estão sendo redescobertos e re-explorados em seus contextos individuais e comparados com outros de datas anteriores. Este ensaio, em particular, essencialmente abordará a experiência com a Chave Menor de Salomão e o Grimorium Verum, mas para aqueles que estão interessados em explorar outros textos eu incluí uma bibliografia no final deste ensaio.

A maior parte da literatura contemporânea sobre a prática da evocação demoníaca tende a enfocar a prática em dois modelos: a) o paradigma psicológico em que as entidades evocadas são complexas projeções subjetivas do inconsciente do magista ou b) o paradigma espiritual, em que as entidades evocadas são tratadas como entidades únicas e independentes separadas da consciência do mago. Na minha opinião, a questão epistemológica de saber se existem essas entidades subjetiva ou objetivamente, enquanto certamente merecedora de um tratamento mais completo, é provisoriamente discutível, e independentemente de sua natureza, os seres evocados frequentemente atuam independentemente, dadas as considerações apropriadas e tratados como tal — isto também se aplica a outros seres e entidades que o mago pode encontrar em sua vocação. É, no entanto, de primordial importância que o magista que irá participar da prática da evocação tenha mente sã e um profundo conhecimento prático de magia elemental antes de começar a prática da evocação mágicka. No mínimo, eu incentivaria o indivíduo a passar algum tempo a familiarizar-se com os exercícios mencionados no Appendix VII do Liber ABA, em particular o Liber HHH, Liber O, e o Bornless Ritual (Ritual do Inascido, também conhecido como Liber Samekh). Além disso, incentivo a leitura atenta do ensaio de Aleister Crowley, “An Initiated Interpretation of Ceremonial Magic” (Interpretação Iniciática da Magia Cerimonial), que pode facilmente ser encontrado on-line, bem como da maioria das edições da Chave Menor de Salomão de Mathers / Crowley, assim como do Crystal Vision Through Crystal Gazing de Frater Achad.

Dependendo da situação, a prática da evocação em escala completa pode ser difícil de ser realizada devido a restrições espaciais, especialmente na maioria dos ambientes urbanos. Mesmo um templo temporário para a prática da evocação mágicka exige, no mínimo, oito a nove metros de espaço desobstruído — não incluindo o próprio círculo mágicko! Por esta razão, é provavelmente mais conveniente para muitos de nós praticar o que alguns chamam de evocação no plano astral. Embora eu tenha algumas divergências sobre a definição semântica devido às diferenças na compreensão operatória, a prática da evocação no astral através de alguns meios reflexivos tem uma longa e honrada história na prática mágicka, e tem a vantagem de ser capaz de ser realizada, mesmo em um pequeno apartamento. Usando o nosso método especial, o templo mínimo requer:

→ uma mesa ou escrivaninha de pelo menos 90×30 cm;
→ espelho de vidência ou bola de cristal,
→ tecido pesado preto de 45×45 cm;
→ papel ou pergaminho.

Além destes, pode-se desejar usar água benta que pode facilmente ser feita em casa ou obtida na Igreja Católica ou Episcopal local; um aspergillum feito a partir de alecrim, manjerona, hortelã, arruda; e qualquer veste ritualística. Dependendo do grimório que esteja sendo usado, há inúmeras opiniões diferentes sobre as considerações para a preparação e consagração de suas ferramentas mágickas. A meu ver em uma circunstância ideal preparar-se-ia cada uma segundo as regras específicas do livro mágicko em questão, mas, uma vez que este raramente é o caso, pode-se prepará-las de acordo com o espírito do texto e ainda obter resultados eficazes. Adicionalmente velas, incensos e armas elementais, tais como as utilizadas na Golden Dawn ou por iniciados de A.·.A.·. podem ser úteis para o mago.

Com o tecido preto o magista vai fazer o que eu tenho chamado de Linho da Arte — não particularmente adequado, com certeza, mas, na ausência de um círculo em escala completa, o Linho da Arte pode tornar-se uma ferramenta poderosa para evocação. Para este efeito, o magista terá de pegar o tecido e dividi-lo em nove quadrados de modo a criar uma grade de 3 linhas x 3 colunas. Curiosamente, estas dimensões não são muito diferentes do triângulo e fazem alusão a três como o primeiro sólido, bem como a Saturno, o planeta das limitações. Restringindo os espíritos em um triângulo, tal como sugerido na Chave Menor de Salomão, o que estamos fazendo limita a sua capacidade de moverem-se livremente e controla seus poderes primordiais para os nossos próprios fins (presumivelmente) construtivos. Três multiplicado por três é nove que também é único na medida em que é o número da Sephirah Yesod, que rege a Lua e a manifestação de visões, sonhos e fenômenos psíquicos.

No centro do quadrado faça um triângulo equilátero em branco ou vermelho usando uma tinta não-solúvel em água tal como tinta acrílica ou silk-screen. Em torno deste, pinte dois círculos concêntricos de modo que você acabará com uma imagem como esta (Figura 1):

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Isto está de acordo com o Triângulo de Evocação descrito na literatura salomônica, contudo assemelha-se mais aproximadamente do círculo mágicko descrito no Dragon Rouge e no Grimorium Verum. Durante o seu processo de evocação você estará chamando os espíritos para sua bola de cristal (ou espelho de vidência) que será posta sobre o triângulo na mesa.

O próximo passo na criação do Linho da Arte será pintar o hexagrama de Salomão (veja Figura 2) sobre os lados cardinais do tecido de modo que, quando colocados na mesa ou altar, eles apareçam virados para as quatro direções. A imagem utilizada em particular é o mesmo hexagrama descrito no Grimorium Verum, Dragon Rouge, Heptameron e em muitos outros grimórios medievais e modernos, como representado abaixo:

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Esta imagem pode facilmente ser modificada para atender ao hexagrama descrito na Chave Menor de Salomão, que é usado no avental do mago (Figura 3) ou até mesmo pode ser simplificada ainda mais para o hexagrama mágicko descrito por Crowley com o triângulo descendente vermelho e o ascendente azul, com a imagem de um Tau dourado invertido no centro (Figura 4). O objetivo do hexagrama, de qualquer forma, é evitar que energias não convidadas se aproximem da mesa de trabalho do mago, bem como para lembrar aos espíritos e ao magista o seu lugar no macrocosmo.

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Quando todo o Linho da Arte for espalhado, ele deve assemelhar-se a isto (Figura 5):

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O próximo passo na construção do Linho da Arte, assim como todos os instrumentos utilizados pelo mago, este deve ser consagrado ou dedicado adequadamente. Uma vez que este é uma ferramenta relativamente recente, existe uma série de opções que se poderia seguir, mas de acordo com a tradição da magia goética, temos optado por usar a consagração da Chave Maior de Salomão do Livro II, capítulo XVII:

“Sede presente para ajudar-me, e minha operação ser consumada através de vós; ZAZAII, ZALMAII, DALMAII, ADONAI, ANAPHAXETON, CEDRION, CRIPON, PRION, ANAIRETON, ELION, OCTINOMON, ZEVANION, ALAZAION, ZIDEON, AGLA, ON, YOD HE VAU HE, ARTOR, DINOTOR, Santos Anjos de Deus; se façam presentes e infundam virtude neste [Linho], de modo que ele assim obtenha poder através de vós, que todos os Nomes e Símbolos nele escritos recebam o devido poder, e que todo o dolo e empecilho parta deste, através de Deus o Senhor misericordioso e gracioso, Aquele que vive e reina por todas as eras. Amém.”

Em seguida recite os salmos 72, 117, 134 e o “Benedicite Omnia Opera” e finalmente este é aspergido com água benta e incensado, dizendo:

“Eu te conjuro, ó [Linho], por todos os Nomes Sagrados que tu recebas eficácia e força, e tornes-te exorcizado e consagrado, de modo que nenhuma das coisas escritas sobre ti se apaguem do Livro da Verdade. Amém.”

Está concluído, o Linho da Arte está pronto para uso e, quando não estiver sendo utilizado, pode ser seguramente dobrado e armazenado num local seguro.

O próximo item importante necessário para esta forma de evocação é a bola de cristal ou espelho de vidência. Durante o processo de evocação, este item será colocado no meio do triângulo, é neste item que o espírito será conjurado. Não há regras rígidas e rápidas para este item, mas na minha opinião este deveria ter pelo menos 15 cm de diâmetro para acomodar uma visualização confortável e ser consagrado durante um momento auspicioso. Para isso, encontramos uma sugestão no livro Wicca: a Guide for the Solitary Practitioner (Guia Essencial da Bruxa Solitária) de Scott Cunningham: basta que o item seja imerso em uma tisana de artemísia (Artemisia vulgaris), durante uma Lua Cheia. Pode-se também tomar como referência os métodos de Franz Bardon em sua obra A Prática da Evocação Mágica, que delineia uma série de considerações muito avançadas, mas vantajosas para a evocação em geral.

Antes da evocação, vale a pena levar em conta quais espíritos seriam úteis para o mago. O Lemegeton faz um bom trabalho de descrição de características particulares de cada espírito e seus campos (ou reinos) de ação de uma maneira que outros, incluindo o Grimorium Verum, não o fazem. Para explorações iniciais, sugiro fazer uma lista de suas necessidades imediatas e os espíritos correspondentes que podem o auxiliar. Outro método, sugerido-me uma vez por Michael Snuffin, consiste em usar as cartas do Tarot of Ceremonial Magic de Lon DuQuette, que apresentam os selos dos espíritos d’A Chave Menor, embaralhá-las, tirando três cartas, e fazer uma adivinhação com base nos espíritos que aparecem. Embora este método tenha um certo grau de ambiguidade, tem me servido bem em algumas operações e pode fornecer algum tipo de assistência para outros. Uma vez decidido o espírito, seu selo pode ser desenhado na cor apropriada em cartolina ou gravada em madeira, metal ou numa jóia apropriada (se houver). Na maioria dos casos, cartolina é mais do que suficiente. Este é então abençoado com água benta e deixado de lado até a hora da evocação.

Na data da evocação, sugiro que separe o dia (ou, no mínimo, a metade deste) para meditar sobre a operação. De acordo com as sugestões dos grimórios, considero útil abster-se de carnes e bebidas alcoólicas, bem como desligar telefone e computadores para limitar as interações sociais a aquelas relativas à nossa família ou a amigos muito íntimos. Durante este tempo prepare a mesa, lavando-a com água benta e consagrando-a com óleo de Abramelin marcando cinco cruzes na a superfície sob a forma de um pentagrama antes de colocar o Linho da Arte sobre a superfície, colocando a bola de cristal no triângulo e cobrindo-a com um pano de seda preta, juntamente com o sigilo do espírito. Uma vez que o tempo ideal para a evocação é à noite, pode ser útil dispor velas no altar de cada lado do círculo. Lâmpadas votivas de cobalto ou vidro vermelho escuro podem ser particularmente eficazes na eliminação de distrações enquanto tornam o ambiente apropriado.

O óleo de Abramelin pode ser confecionado misturando 2 ml de óleo essencial de Mirra com 4 ml de óleo essencial de Canela, 1 ml de óleo essencial de Galanga e 3,5 ml do melhor azeite de oliva (ao aumentar a receita sempre siga a mesma proporção entre os ingredientes).

O resumo da operação é o seguinte:

I. Trabalho Preliminar
a. Preparação do templo e instrumentos, incluindo revisão das conjurações
b. Abstenção de sexo e comida durante pelo menos seis horas antes da operação
c. Banho ritualístico
d. Meditação ou trabalho energético, como o Pilar do Meio

II. Abertura
a. Ritual de Banimento do Pentagrama
b. Ritual de Banimento do Hexagrama
c. Ritual do Não-Nascido (Liber Samekh)
d. A purificação do templo com água benta e incenso

III. Conjuração
a. Análise do sigilo do espírito até que o elo seja estabelecido
b. Recitação da conjuração [1]

IV. Recepção do Espírito
a. Interrogatório sobre a identidade do espírito
b. Juramento ou Contrato de Obediência
c. Estabelecimento da comissão do serviço
d. Contrato de Pagamento [2]

V. Despedida
a. Licença para partir
b. Rituais de banimento como na abertura

Este método de evocação, enquanto quase idêntico em estrutura aos métodos convencionais, é decididamente simplificado e como mencionado não requer o extenso trabalho ou espaço necessário para a evocação tradicional. Seu único obstáculo é ser uma experiência um pouco limitada em comparação com a evocação convencional, da mesma forma que comunicar-se com alguém face-a-face é diferente de comunicar-se com alguém via Skype. De acordo com a minha experiência pessoal, as conjurações usadas podem ser comutadas, dependendo do grimório usado, mantendo a consistência interna com o texto a ser utilizado. Além disso, como o mago experiente deve ter notado, alguns dos termos usados para esquematizar a operação foram propositadamente alterados para refletir uma relação mais igualitária com os espíritos em contraste com a relação hierárquica “mestre / escravo” que é decididamente um resultado da perspectiva pré-moderna, monoteísta e patriarcal tipicamente prevalecente nas visões judaica, cristã e islâmica de mundo. Assim, proponho que se aproxime dos espíritos com o mesmo respeito que teria no comissionamento de alguém para criar uma obra de arte ou na contratação de alguém para um emprego, o que traz à tona o próximo ponto.

Sem dúvida, muitos vão ter objeções à ideia de fazer um juramento ou pacto com entidades demoníacas. Este medo, enquanto compreensível, é na maioria dos casos irracional posto que espíritos fazendo exigências ultrajantes é apenas mais um dos contos morais de magos medievais que vendem a sua alma ao Diabo em troca de seus desejos. Embora a possibilidade de “vender a alma” seja merecedora de muita exploração teológica, o fornecimento de pagamentos simples, como acender velas em honra dos espíritos, gravar seus sigilos em materiais mais caros após a conclusão bem sucedida de trabalhos, ou mesmo espalhar seu nome são mais do que o suficiente para agradar a estas entidades. Como sempre, gostaria de advertir o aspirante a mago contra oferecer elementos próprios, tais como sangue ou outros fluidos corporais, mas sinto a necessidade de salientar que nem mesmo estas ofertas estão excluídas dos anais da goetia ou até mesmo entre alguns praticantes contemporâneos.

Após a conclusão bem-sucedida de uma evocação, é importante que o mago faça um cuidadoso registro de sua vida espiritual e mundana em um diário. Isso tem duas utilidades, na medida em que: a) fornece um registro subjetivo de eventos e acontecimentos e, b) serve como referência de eventos que podem voltar a ocorrer ou que precisam ser observados em uma continuação da operação. É importante notar que o processo operatório de evocação estende-se, frequentemente, para além do ritual de evocação em si. Por esta razão, após a entidade ter prestado os seus serviços, caberia a ele [o mago] executar uma conjuração para formalmente agradecer ao espírito por sua ajuda, bem como para fornecer, quaisquer que sejam, os pagamentos que foram acordados no âmbito do Contrato de Pagamento. Sob nenhuma circunstância deve o espírito ser pago antes da conclusão da tarefa! Se um espírito, que já havia concordado em trabalhar para o mago, não conseguir cumprir o serviço, ele pode ser evocado novamente e ser demitido das suas funções ou amaldiçoado e amarrado à obediência. Como sempre, eu prefiro a primeira opção, mas deixo isto a critério do mago.

Se uma determinada operação está acordada a ser cumprida a longo prazo, o mago pode precisar fornecer ao espírito algum apoio adicional, um pouco diferente do que foi discutido no Contrato de Pagamento. Isso também não é inédito, a Chave Maior de Salomão dedica um capítulo inteiro a esta consideração no Livro II, capítulo XXII:

“Em muitas operações, é necessário fazer algum tipo de sacrifício aos demônios. Às vezes, os animais brancos são sacrificados para os bons espíritos e pretos para os maus. Tais sacrifícios consistem no sangue e, por vezes, a carne… Quando é necessário, com todas as cerimônias apropriadas, fazer sacrifícios de fogo, eles devem ser feitos com madeira que tenha alguma qualidade correlacionada aos espíritos invocados… Quando fazemos sacrifícios de comida e bebida, tudo que for necessário deve ser preparado sem o Círculo, e as carnes devem ser cobertas com algum pano branco limpo, e deve haver também um pano branco limpo abaixo delas; com pão novo e bom vinho e espumante…”

De acordo com um método específico discutido por Lon Milo DuQuette em seu My Life With Spirits, pode-se prosseguir com o trabalho preliminar de costume e a conjuração do espírito e oferecer-lhe sangue de animal comprado em um açougue ou espremido de boa carne moída e misturado com qualquer bebida alcoólica de boa qualidade (minha preferência é Bacardi 151), por fim ateando fogo à mistura. De acordo com a narrativa mitológica do Novo Testamento o feiticeiro Jesus de Nazaré exorcizou uma legião de demônios colocando-a em uma horda de suínos [3], eu descobri que o sangue dos porcos, comprado em qualquer supermercado asiático, proporciona um grande sacrifício que muitos espíritos parecem gostar.

Por fim, a prática da evocação mágicka não é inteiramente sobre como conseguir o que se quer, mas sim formular novas relações e explorar novas formas de experimentar o mundo e pode ser um poderoso método de enriquecimento espiritual (e pessoal). Dizer que é fácil seria enganoso e desonesto — conheci alguns espíritos que não foram nada cordiais e que tiveram de ser submetidos aos rigores de maldições e banimentos —, contudo depois de algum tempo e esforço, o mago vai achar que lidar com espíritos é, em muitos aspectos, como lidar com pessoas que simplesmente não têm corpos. A minha esperança é que este material seja suficiente para motivar seu interesse e que você comece sua própria exploração do mundo dos demônios. Desejo-lhe o melhor em suas experiências.

BIBLIOGRAFIA

Achad. (1998). Crystal vision through crystal gazing: Or, The Crystal as a Stepping-Stone to Clear Vision; a practical treatise on the real value of crystal-gazing. Kila, Mont: Kessinger.

Agrippa, N. H. C., & Skinner, S. (2005). The Fourth Book of Occult Philosophy. Berwick, Me: Ibis Press.

Bardon, F., Hanswille, G., Gallo, F., & Johnson, K. (2001). The Practice of Magical Evocation: A Complete Course of Instruction in Planetary Sphere Magic: the Evocation of Spirit-Beings from the Planetary Spheres of our Solar System. Salt Lake City, Utah: Merkur Pub.

Crowley, A., DuQuette, L. M., Hyatt, C. S., & Wilson, D. P. (1992). Aleister Crowley’s Illustrated Goetia: Sexual Evocation. Scottsdale, Ariz., U.S.A: New Falcon Publications.

Crowley, A., Desti, M., Waddell, L., & Beta, H. (1997). Magick: Liber ABA, book four, parts I- IV. York Beach, ME: S. Weiser.

Cunningham, S. (1989). Wicca: A Guide for the Solitary Practitioner. St. Paul, Minn., U.S.A: Llewellyn Publications.

DuQuette, L. M. (1999). My Life with the Spirits: The Adventures of a Modern Magician. York Beach, Maine: Samuel Weiser.

DuQuette, L. M., & DuQuette, C. (1994). Tarot of Ceremonial Magick: A Pictorial Synthesis of the Three Great Pillars of Magick. Stamford, CT: U.S. Games Systems.

Mathers, S. L. M. G., Crowley, A., & Beta, H. (1995). The Goetia: The lesser key of Solomon the King: Lemegeton — Clavicula Salomonis Regis, book one. York Beach, Me: Samuel Weiser.

Oxford University Press., & Cambridge University Press. (1989). The Revised English Bible: With the Apocrypha. Oxford:

Oxford University Press. Snuffin, M. O. (2010). Conjuring Spirits: A Manual of Goetic and Enochian Sorcery. United States: Concrescent Press.

Solomon & Mathers, S. L. M. G., & In De, L. L. W. (1914). The Greater Key of Solomon. Chicago: De Laurence.

Stratton-Kent, J (2009). The True Grimoire. London. Scarlet Imprint.

NOTAS

1 A meu ver, o espírito não pode aparecer após uma única recitação, por isso é melhor esperar por um ou dois minutos entre recitações sucessivas para permitir que o espírito apareça na bola de cristal ou espelho. Se ele não aparecer após três, ou, no máximo, sete recitações é melhor abandonar a operação. Considero que as maldições tradicionais são o melhor recurso quando nenhum outro está disponível ou se os espíritos conjurados são abertamente agressivos com o mago.

2 Enquanto muitos podem oporem-se a ideia de fazer um contrato recíproco com um espírito, a meu ver, fornecer alguma forma de pagamento em troca de serviços prestados é um grande passo no desenvolvimento de um relacionamento com entidades espirituais, bem como corporais, como o seu barista ou garçom favorito.

3 Marcos 5: 1-20, Mateus 8: 28-34, Lucas 8: 26-39

Traduzido por Lizza Bathory de Edge of the Circle Books Newsletter — Simplified Goetia

3 comentários em “Goetia Simplificada — Frater Michael Sebastian Lùx

  1. Olá peço Encarecidamente Licença aos Administradores para Divulgar o meu Grupo e site, a União e a Ajuda mútua tende a Fortalecer o Crescimento em conjunto, Atenciosamente…
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  2. Olá, boa noite,

    Primeiro, agradeço muito o seu texto.

    Há muitas pessoas atualmente desejando conhecer mais, e praticar também, a arte da goetia. Acredito que isso se deva às dificuldades financeiras que o mundo enfrenta através da falta de emprego, da inflação, enfim…

    No entanto, por mais que busquemos textos que nos contemplem como uma familiarização e simplificação da goetia, conseguimos muito pouco.
    O seu texto, por exemplo, embora tenha a intenção de simplificar a goetia, desmistificando-a, acaba – ou assim me parece – enfatizando o cuidado, o medo, o perigo, que os novatos como eu acabam tendo que encarar. E ao final não nos ajuda muito a seguir adiante com nossos estudos.

    O que eu gostaria – e acredito que muitos gostariam também – é de um texto que nos dissesse como nos familiarizar com a goetia, pouco a pouco, através de meditações, leituras (como essas do seu texto, que fiz agora), e/ou algum preparo mais simples até que – sem perceber – já nos pegassemos praticando a goetia.

    Você pode me dizer, “mas você já está fazendo isso, já tem esse caminho que está pedindo”. E eu lhe direi “quando essas orientações vêm de um mago experiente, galgamos mais caminho”.

    Portanto, um texto assim seria ótimo para os novatos.

    Me perdoe se essa minha mensagem ofende você. A intenção não é essa. A intenção é mais mostrar o meu desespero diante do desejo da prática e do medo gerado pela falta de conhecimento mais simples.

    Boa noite e excelente semana!

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