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AS ESQUECIDAS FIGURAS FEMININAS NATALINAS

Introdução

Pode vir a ser uma surpresa para muitos que há um grande número de figuras femininas associadas a esta época do ano que foram obscurecidas, em boa parte, de nossa memória contemporânea. Muitas dessas figuras ainda são populares em seus países de origem, mas a América tem um contexto histórico diferente quando se trata da prática desta festividade, e é o conceito americano de Natal que, atualmente, tem sido exportado para o mundo.

Muito tem sido dito sobre o Papai Noel ser um amálgama de influências e, especialmente, sobre a sua imagem ser baseada no germânico deus Odin. Mas, é importante perceber que havia muitas outras figuras “natalinas”, tanto do sexo masculino quanto do feminino, que não encontraram seu caminho ao longo da moderna celebração americana de Natal. Figuras masculinas alemães como Krampus e Knecht Ruprecht estão chegando cada vez mais na mídia de notícias e entretenimento. Então, eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para celebrar o lado feminino do Velho Yule.

Mōdraniht – Noite das Mães

Um ótimo ponto para começar é o feriado germânico de Mōdraniht. Este feriado foi parte das festividades de Yule. Muitas pessoas já sabem que os doze dias de Natal vem do fato de que o Yule não era apenas uma celebração de um dia, mas sim um festival que durava vários dias antes e depois do solstício de inverno.

Mōdraniht é traduzido literalmente como Noite das Mães. Nós não sabemos muito sobre esta festa, pois a mesma foi suprimida após a conversão ao cristianismo. Sabemos que esta era um momento para celebrar a maternidade e, provavelmente, outros antepassados femininos. Esta celebração do feminino pode estar relacionado com a antiga correlação entre a fertilidade das mulheres com a fertilidade das colheitas e com o renascimento para uma nova vida. O Solstício de Inverno, afinal, comemorava o renascimento do Sol e o alongamento dos dias.

Assim como ocorre em algumas religiões indígenas, a veneração dos antepassados era um aspecto muito importante da espiritualidade germânica. Tanto antepassados masculinos quanto femininos eram homenageados. Mas parece que os ancestrais do sexo feminino tinham um papel importante como guardiões da linhagem familiar.

O Importante Papel das Mulheres Germânicas

Talvez isso tenha algo a ver com o fato de que as mulheres eram muitas vezes as guardiãs das casas e propriedades enquanto os homens estavam fora em guerreando, invadindo ou negociando. Nós sabemos que, como as celtas, as mulheres germânicas eram, frequentemente, treinadas para manejar espada. Embora ter mulheres no campo de batalha não fosse tão comum, quanto ter homens, também não era incomum. Há relatos da bravura feminina em batalhas, e sabe-se que certas táticas foram projetadas especificamente para as donzelas. Então, pode ser que as mulheres que defendiam as propriedades eram vistas como fortes protetoras por seus filhos. De fato, muitos nomes femininos germânicos têm elementos de força e de batalha em si. Por exemplo, o nome Mathilde é traduzido como “poderosa guerreira”.

De qualquer forma, sabemos que as mulheres ancestrais permaneceram como um elemento de destaque na religião pagã germânica. Elas eram celebradas não só durante Mōdraniht, mas também durante outra festividade no Equinócio de Outono – Dísablót. Enquanto a Mōdraniht tem origens anglo-saxões, o Dísablót é considerado nórdicos. Contudo, ambas as culturas partilham um patrimônio linguístico e cultural.

Além disso, as inscrições votivas ao longo do Reno demonstram que um culto às “Mães” (também chamadas Madres e Matrones) existiu no sul da Alemanha, Gália e norte da Itália. Metade das inscrições estão nas línguas germânicas, enquanto a outra metade é celta. Isso demonstra mais uma vez que a Antiga Religião colocava uma grande ênfase em celebrar a maternidade e o feminino.

A Mōdraniht era comemorada na data que hoje chamamos de véspera de Natal. assim este ano, levante uma taça e brinde por sua mãe, avó, tias, tias-avós, e todas as mulheres que ajudaram a criar a ti e teus antepassados. Este certamente é um costume antigo que pode ser apreciado, atualmente, por pessoas de qualquer religião!

Obstáculos no Retorno às Nossas Raízes

Há vários aspectos do folclore, tradição e costume popular que tem raízes muito profundas. Devemos lembrar que algumas tradições foram imersas na prática cristã por muitos anos, mas suas verdadeiras origens estão nas fendas obscuras dos antigos costumes pagãos.

As origens de tais práticas podem ser difíceis de identificar por uma variedade de razões. As culturas pré-cristãs do norte da Europa passavam seu conhecimento, histórias, poesias e mitos por via oral. Assim, na maioria dos casos, elas não deixaram registros escritos.

Outro grande obstáculo é a maneira como a Igreja Católica absorveu o paganismo, ao mesmo tempo em que dava nova roupagem a costumes e valores específicos: deuses viraram santos, festividades pagãs tornaram-se cristãs. Isto não causa choque algum para a maioria dos leitores. Muitos estão bem cientes de que Cristo não nasceu em dezembro, que a Páscoa é uma deturpação do festival pagão da fertilidade em honra à deusa Eostre, e assim por diante. Assim como sabe-se que o católico culto de santos surgiu como uma maneira de substituir divindades locais.

Hagiografia

Qualquer estudante de História Medieval deve estar familiarizado com um gênero da literatura conhecido como “hagiografia”. Esta é a descrição da vida dos santos. Todavia, este gênero difere muito da biografia ou História, porque hagiógrafos não tinham intenção de retratar a verdade em seus escritos. O estudo de textos hagiográficos medievais, portanto, deve ser feito com cautela e ceticismo porque o seu propósito tinha mais a ver com uma agenda do que com qualquer objetivo de retratar a verdade. Sendo a agenda/propósito a construção de novas figuras de veneração para substituir os antigos deuses e deusas pagãos.

Contudo, isso não quer dizer que todos os santos são falsos. Mas quando se trata de exemplos medievais, se não houver um fragmento de evidência fora do texto hagiográfico, se o santo é intimamente associada com uma festividade ou divindade, então a história do santo deve ser considerado nada mais do que um conto inventado para substituir lendas anteriores, e uma nova figura religiosa inventada para substituir uma anterior. Às vezes, as histórias são uma mistura de fatos reais e ficção. E noutras vezes a história de um verdadeiro personagem histórico era enxertada com uma lenda pagã.

Santa Luzia

Santa Luzia é um exemplo de santa amplamente exportado. Ela teve origem no Mediterrâneo e ainda é comemorada em certas partes da região. Contudo, ela foi muito bem recebida na Escandinávia, onde é conhecida como Santa Lucia. Se esta santa existiu ou não como uma pessoa real, eu não posso afirmar. De qualquer forma, isso é irrelevante para seu papel na Europa Setentrional. Santa Luzia tornou-se claramente uma nova entidade na Escandinávia, independente do que ela havia sido na Europa Meridional.

Em ambas as partes da Europa, St. Luzia está associada à luz. O fato de seu feriado ser comemorado em 13 de dezembro é significativo. Isto fortalece seus laços com costumes pagãos. O Dia de Santa Luzia é um dos primeiros das celebrações que marcam a chegada do Solstício de Inverno. Nas religiões aborígenes europeias, tal Solstício marcava o renascimento do Sol, isto é, o fim das noites longas. Comemorar a luz era comum neste período.

Na Escandinávia, existem outros elementos simbólicos que ligam Lucia aos tempos pagãos. Ela é muitas vezes representada transportando um feixe de grãos, que é um símbolo comum das divindades pagãs agrárias. Outra característica é que ela é por vezes acompanhada de jovens chamados stjärngossar (garotos estrelas) ou tomtenissar. Isto é significativo porque as palavras “tomte” e “nissar” se relacionam com os elfos (bastante presentes na antiga religião nórdica).

Christkind da Alemanha

Uma figura semelhante é o Christkind. Ao contrário de Luzia, esta não é a representação uma santa. No entanto, o que ela representa é ainda mais fascinante. Traduzido literalmente, Christkind significa Menino Cristo (referente ao Menino Jesus). Mas o mais curioso é que o Menino Jesus é representado por uma mulher adulta!

O Christkind é muitas vezes o único que entrega presentes para as crianças no Natal, bem como São Nicolau (que é uma figura separada do Papai Noel na Alemanha).

O fato de que a Alemanha, que partilha bastante herança cultural com a Escandinávia, mantém uma figura feminina bela e de outro mundo com uma presença tão acentuada durante as celebrações do Natal é mais uma evidência de que o feminino era tão significativo para os nossos antepassados em celebrações natalinas como figuras masculinas são hoje no Natal.

Isto não quer dizer que figuras masculinas não foram celebradas no passado. Mas, o objetivo deste artigo é simplesmente demonstrar que as influências masculinas e femininas eram mais equilibradas do que o são atualmente.

Snegurochka — Donzela da Neve

Embora a maior parte deste artigo tenha abordada figuras germânicas associadas com o Yule, deve-se dizer que as culturas celta, germânica, eslava, báltica e fino-úgrica compartilhavam muitas semelhanças no passado. Elas apresentam diferenças distintas, mas compartilham uma origem comum Indo-Europeia (salvo os falantes das línguas fino-úgricas). Elas também partilham climas e costumes similares e suas religiões nativas tem muito em comum umas com as outras. Há muitas vezes uma mistura de tradições entre estas culturas, especialmente quando são vizinhas.

Assim sendo, eu introduzirei à Snegurochka, uma figura do natal russo. Normalmente traduzida como ‘Donzela de Neve’, ela é outra personagem do Natal com origens complexas. Snegurochka é geralmente considerada como tendo raízes no antigo passado pagão eslavo. É possível que ela fosse uma deusa patrona do inverno, como a deusa nórdica Skaði. (E, de fato, a palavra Rússia vem dos nórdicos que se instalaram na área — os Rus).

Como muitas deusas europeias, Snegurochka sobreviveu no folclore de seu povo, mesmo depois que este foi convertido ao cristianismo. Frequentemente deusas foram rebaixadas a criaturas como fadas ou fadas-madrinhas, etc. No final do século XIX viu-se um grande renascimento do folclore por toda a Europa. Os mais famosos folcloristas deste período são os Irmãos Grimm. Assim como eles recolheram contos populares a partir de todo o mundo de língua alemã, o folclorista russo Alexander Afanasyev preservou os contos de seu próprio povo. Assim, a figura pré-cristã Snegurochka sobreviveu durante o período cristão.

A religião foi proibida na Rússia durante a era soviética. No entanto, celebrações da História russa, e especialmente a história do povo (camponeses), foram incentivadas. Então, um velho deus do inverno que era lembrado no folclore como um mago foi reinventado como a versão russa do Santa Claus — Ded Moroz. Todavia, ao contrário do Santa Claus americano, Ded Moroz viaja com uma encantadora companheira… sua neta, Snegurochka.

Holle, Esposa de Wotan

Frau Holle é uma figura enigmática, e portanto é complicado a explorar plenamente neste artigo. Deve notar-se que ela mantém muitas semelhanças com outras deusas europeias, assim como aquelas aqui mencionadas. Pensa-se que ela era uma divindade importante, que provavelmente foi atacada pela Igreja (trataremos disso mais adiante).

Como Snegurochka, Holle sobreviveu em lendas folclóricas. Seus contos foram registrados pelos irmãos Grimm. Eles encontraram suas histórias a serem generalizadas em toda as partes, da Europa, falantes de alemão. Seus contos existem nos Países Baixos, Áustria, Suíça, na região alsaciana da França, Polônia, e até mesmo na República Checa.

Assim como Snegurochka, Holle é associada a um poderoso deus pagão, Wotan. Na Escandinávia, onde ele é conhecido como Odin, Wotan é casado com Frigga. No entanto, na Alemanha, é Holle que usa essa coroa. O casal lidera a infame Caçada Selvagem.

A Caçada Selvagem era um mito conhecido em todo o norte europeu. Ele consistia em uma série de guerreiros fantasmas atravessando os céus em uma aterrorizante perseguição.

Como mencionado acima, tem sido referido que o Papai Noel foi, pelo menos parcialmente, influenciado por Odin. Assim como Santa Claus vaga pelo céus a cada noite de Natal, Odin cavalga através dos céus noturnos com a Caçada Selvagem durante o Yule. Ao contrário do Papai Noel, no entanto, Odin traz consigo uma mulher. E, em algumas vezes, Holle era conhecida por liderar a caçada sem ele.

Perchta

Como muitas das figuras discutidas antes, Perchta é multifacetada. Ela é considerada como sendo relacionada à deusa Holle, ou mesmo sendo outra forma desta, ambas compartilham o papel de “Guardiã das bestas”. Na Itália ela é associada à Befana.

Perchta é conhecida em todo o mundo de língua alemã e áreas vizinhas. Ela é, por vezes, vista como uma bela dama branca como a neve, e noutras como um monstro horrível. Ela teve inúmeros nomes, nos mais variados recortes de tempo e nas diferentes regiões, assim como Holle que é conhecida como Holda ou Hulda; Perchta, às vezes, é chamada de Perahta, Berchte, Berchta, Bertha e outras variações.

Holle / Perchta parecem terem sido muito difundidas e honradas pelos povos germânicos. E, como tal, uma grande campanha para deter sua veneração parece ter sido lançada pela Igreja (não muito diferente de Ostara e da campanha contra ela que ainda propaga-se atualmente).

Enquanto a deusa Holle sobreviveu no folclore como Frau Holle, Perchta transformou-se em um horrível monstro que sai da floresta para aterrorizar os moradores no Natal.

Conversão das Figuras Pagãs em Demônios

Deve notar-se que os alemães foram convertidos com o emprego de larga força. Carlos Magno fez de sua missão unir as tribos germânicas sob uma única bandeira. Contudo, é mais fácil unir povos se eles adoram um único Deus/têm um único sistema de crença. Durante esta campanha, a cultura nativa germânica foi atacada com vigor. Árvores sagradas antigas foram derrubadas, e festejos e deuses pagãos banidos.

Devido a isto, é difícil saber se Perchta teria essa faceta em seu contexto original. Sabemos que os seres sobrenaturais pré-cristãos eram frequentemente transformados em criaturas demoníacas pela Igreja. Muitos podem se surpreender ao descobrir que criaturas que tidas atualmente como belas e inofensivas, como fadas e elfos, tiveram o mesmo destino. Fadas foram fortemente associadas com bruxaria e eram frequentemente um recurso-chave em julgamentos de bruxas.

De qualquer forma, no Perchten hediondas criaturas saem a cada ano em torno do Natal e Ano Novo para assediar e assustar as pessoas boas que habitam os Alpes. O Perchtenlaufen junto com outros costumes dos Alpes, resultou no Krampus, outro “demônio” do Natal semelhante em aparência à versão monstruosa de Perchta. [Carolyn Emerick, 2014]

Em Oberstdorf, no sudoeste da parte alpina da Baviera há a tradição do der Wilde Mann (“o homem selvagem”). Ele é como o Krampus (exceto pelos chifres), veste peles e assusta crianças (e adultos) com suas correntes e sinos enferrujados.

No Brasil, há resquícios dessa tradição em Santa Catarina, no Vale do Itajaí. Nas cidades de Brusque e Guabiruba, por exemplo, é chamado ‘Pensinique’ (deturpação de Pelznickel, nome utilizada no Sul da Alemanha). Aparece vestido em roupa velha e sacos de juta, tem cabelo de palha, carrega um saco nas costas como o Papai Noel. Nesta trouxa ou saco, possui instrumentos para assustar as crianças más, e as muito más são ameaçadas serem levadas embora no saco. [Wikipédia]

Em Guabiruba, o Perchten se transformou em uma variação local chamada Pelznickel. Os Pelznickel são verdes, moram no meio do mato, não trazem presentes e tem o objetivo de cobrar o bom corportamento das crianças. Eles podem ter chifres, barbas e folhas. O Pelznickel aparece somente em dois momentos do ano: no dia de São Nicolau, em 6 de dezembro, e na véspera do Natal, dia 24. No restante do ano, ele mora na floresta.

Curioso, que a forma adotada na cidade de Guabiruba transformou a figura diabólica, da mistura do tipo humano com a cabra, a qual contém chifres, pés, rabo, etc…, em seres coberto de “barba de Bode”, tipo de vegetação característica da região e folhas verdes, com chifres e estes são moradores da floresta, mostrando a adequação ao meio brasileiro e de certa maneira, ao folclore brasileiro.

O Pelznickel existe no folclore da Floresta Negra, mas lá, como aqui, igualmente é uma variante da Deusa Perchta da mitologia germânica, que ao longo dos períodos históricos, se masculinizou e deixou de ser bela. Que também, tornou se parte da dualidade, formando o par com São Nicolau, durante a visita às crianças. [Angelina Wittmann, 2014]

Befana

De demônios de Natal a uma bruxa natalina! As crianças da Itália dão pouca importância para o Papai Noel, lá é a Befana que traz alegria e presentes.

É dito que Befana tem uma possível conexão com Perchta. De fato, o Norte da Itália festeja criaturas muito semelhantes com a alpina Perchten, especialmente onde a Itália faz fronteira com os Alpes.

Pensa-se que Perchta / Holle também estão relacionadas às Witte Wieven. Como mencionado acima, a deusa Perchta era uma dama vestida de branco (ou, em outras versões, uma mulher com pele branca como a neve). As Witte Wieven são espíritos femininos relacionados com as “damas brancas” do folclore europeu — Juffers ou Joffers, ou ainda Dames Blanches. Próximo à aldeia de Eefde, na provincia de Güeldres, nos Países Baixos, se encontra Wittewievenbult, traduzido como “colina das mulheres sábias”. A lenda local afirma que mulheres brancas aparecem a cada ano na véspera do Natal e dançam nesta colina. Estas mulheres eram conhecidas em toda a Europa em tempos pré-cristãos, e ainda são, atualmente, parte do folclore holandês. Supõe-se que a origem das Witte Wieven decorre da veneração dos espíritos de mulheres sábias. E, como sabemos, a palavra “witch” (bruxa) vem da palavra anglo-saxão “wicce” que significa exatamente isso — sabedoria/saber.

Bruxas Boas

Bruxas permaneceram muito comuns no folclore de toda a Europa. Atualmente nós estamos mais familiarizados com a versão demonizado, as bruxas velhas e más. Contudo, existem bruxas benévolas. Befana é um grande exemplo disto. Bruxas boas continuam comuns no folclore alemão também. Ainda hoje “bruxas de cozinha” (kitchen witches) — estatuetas feitas de materiais como tecido, palha de milho e frutas secas — são encontradas penduradas nas paredes de cozinhas alemãs. Essas bonecas tradicionalmente trazem boa sorte aos residentes e visitantes da casa e protegem contra falhas culinárias. Além disso, as bruxas têm seu próprio feriado na Alemanha conhecido como Walpurgisnacht, Noite das Bruxas, que ocorre na Primavera, na véspera da Noite de Santa Valburga — noite de 30 de Abril para 1º de Maio. No folclore alemão Walpurgisnacht é tida como a noite de reunião de bruxas em Brocken, o pico mais alto das montanhas Harz, uma série de colinas arborizadas no centro da Alemanha entre os rios Elba e Weser.

A Itália tem sua própria história de Bruxaria Tradicional. Os benandantis (bons caminhantes) era um grupo de bruxas e bruxos que se reuniam em segredo durante os séculos XVI e XVII. Quando interrogados, eles admitiam se encontrar, em transe/projeção astral, com as almas de outras bruxas para batalhar contra as forças do mal. Seu propósito era proteger seu povo de invisíveis forças malévolas.

La Vecchia Religione é o italiano de “A Velha Religião”. É dito por alguns que esta sobreviveu em segredo por todos estes anos. Com efeito, muitos italianos e ítalo-americanos tiveram um avó supersticiosa que avisou contra coisas tais como “o olho do mal”. A Velha Religião na tradição italiana está sendo revivida atualmente sob o nome Stregheria.

Befana a bruxa do Natal, junto com muitas velhas crenças supersticiosas italianas que permanecem predominantes hoje, demonstram que, mesmo na sede da Igreja Católica, velhas crenças são difíceis de exterminar.

Grýla

Outra figura folclórica associada com Natal é Grýla — uma mítica gigante islandesa. Embora não estivesse ligada às festividades natalinas até o século XVII, ela goza de uma longa história de tradição entre os islandeses. Foi mencionada por Snorri Sturluson no Edda poética, por isso possivelmente era conhecida pelos noruegueses de épocas bem anteriores. Seu nome aparece também na Saga Íslendinga e na Saga de Sverre (cuja primeira parte se entitula Grýla) que datam do século XIII.

Na tradição islandesa, Grýla é mãe dos 13 Jólasveinar (rapazes do Natal), seres descendentes de trolls que eram usados para assustar as crianças, eles desciam de sua montanha causando estragos pelo caminho, porém estes se modificaram muito e nos dias atuais a cultura islandesa trouxe uma figura mais bondosa com grande mansidão, chamado de Julenisse (Papai Noel), que traz presentes para crianças.

Grýla desempenha o papel de punidora de crianças desobedientes. Assim como o Krampus alemão arrastava para longe crianças más, durante o Natal Grýla pega seu saco e desce aos povoados em busca das crianças islandesas que não se comportaram para seu prato favorito: ensopado feito com crianças mal-educadas.

Adaptado por Lizza Bathory a partir de The Lost Female Figures of Christmas de Carolyn Emerick.

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