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Por que magia do Caos?

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Autor: Phil Hine

Trechos extraídos de HINE, P., CARROLL, P. J., “Condensed chaos: an introduction to Chaos Magic”, Tempe: The Original Falcon Press, 2010, pp. 5 – 13

Tradutores: Kaoístas anônimos.

“Como nosso mundo evolui, também evolui nossa magia. Através da história, a forma pela qual a magia é descrita e entendida também se transforma; desde o início, no “proto-Xamanismo”, até o grande “renascimento mágico”, na virada deste século. A Magia do Caos estabelece e faz a nossa entrada para o próximo século. Tem havido revoluções na ciência, literatura e arte.

A Magia do Caos é a primeira revolução no campo da magia. Filosofias mágicas antigas têm sido enraizadas em conexão com o passado, como dos ancestrais ou historicamente (romantismo mágico). Embora muitos dos pilares da Magia do Caos estejam em construções feitas na magia, ela amplia mudanças em vez de continuidade, como uma constante universal ou única. Nós vivemos num mundo que está mudando rapidamente, um mundo onde as aplicações da alta tecnologia e a saturação de nosso meio nos permite misturar estilos de infinitas maneiras, onde elementos do passado, presente e possivelmente do futuro estão presentes em muitos aspectos de nossa vida cotidiana, desde as roupas que vestimos até as crenças que adotamos. Enquanto outros sistemas mágicos prometem estabilidade, um tempo fixo e um universo ordenado e todo fechado, a Magia do Caos se modifica com a fusão e a fluidez da vida moderna.

A Magia do Caos começou a atuar no fim dos anos 70, como o rock punk, amedrontando o status quo. Vemos agora a teoria do caos se movendo de obscuros setores da matemática até ser aceita como uma nova ciência. Temos visto Fractais gerados por computador se tornarem moda, “mandalas” para a nova geração. Caos tem se tornado moda. Nós não rejeitamos a cultura moderna, nós a aproveitamos. Então como a Magia do Caos se diferencia de outros sistemas em evidência em nosso mundo moderno? Em primeiro lugar, a Magia do Caos é um paradigma ao invés de um sistema nela mesma. Ela é uma aproximação ou uma visão geral, onde cada um, individualmente, cria seu próprio psicocosmo mágico. Ao invés de seguir um caminho, a Magia do Caos “traça” e segue seu próprio caminho, buscando o que é melhor para ela.

Os magos caóticos têm, desde o princípio, a opção de serem tão ecléticos quanto desejarem, selecionando condições e técnicas de qualquer sistema mágico que acreditem ser útil, sejam do passado, presente ou futuro, da literatura, arte, ciência, pseudo-ciência, tecnologia ou fantasia. O impacto revolucionário da Magia do Caos é dar ênfase à experiência própria. O que interessa é a experiência de vida ao invés de se acomodar a crenças, segredos ou listas de correspondências. Não existem professores.

No Caos não há professores, livros “sagrados” ou tradições que ditem crenças e comportamentos. Os magos do Caos são livres para agirem primeiro, escolherem suas questões e depois suas respostas. Este é o mago do Caos ao invés de guru ou professor, ele é responsável pelo desenvolvimento , experiência, criatividade e resultado de suas ações. A magia tem sido um caminho ou uma forma de criarem ilhas de ordens, tema que Austin Spare chamou de “caos normal”. Como a realidade se tornou mais complexa, parece que realidades se tornaram incrivelmente abstratas e relativamente simples.

O mundo de um Xamã tribal é o reflexo do seu mundo diário, em contraponto ao mundo interior de “visões” cabalistas do século XX. (…) A visão geral da Magia do Caos é que qualquer ilha de ordem que criarmos é melhor em claves temporários, que acreditamos serem uma ferramenta e não um conjunto de limitações que podem rapidamente se tornar um dogma estagnado. Então, o mago caótico deve escolher e adaptar o complexo sistema cabalista como um parâmetro temporário, exatamente como deveria, dado o tempo suficiente, esvaziam-se de suas crenças pessoais que governam todos os aspectos de seu comportamento e de sua atitude. “Nada é verdadeiro, tudo é permitido” é um dos poucos slogans do Caos.

Não entendemos porque alguns ocultistas reagem ao Caos, ainda que militantes anarquistas. Como nos movemos em direção ao século 21, um número de conceitos que, até recentemente pareciam estáveis e entendidos, têm sido questionados. Um dos conceitos indistintamente pronunciados sobre a Magia do Caos é a falta de base ética. A maioria das ordens e sistemas ocultos postula claramente o estabelecimento de sua ética, e isso não quer dizer que o praticante precise cumpri-la. O paradigma do Caos rejeita a necessidade desta atitude e, ao invés disso, pende na direção de que pessoalmente a moralidade cresça dentro de cada um e individualmente, se defina e aplique seus próprios princípios éticos, em contraponto à sua imposição. Tendo dito isso, a Magia do Caos é, em geral, pró-vida e pró-liberdade de expressão.

A magia tende a ser tratada como separada ou além da nossa existência do dia a dia. A Magia do Caos, contudo, sustenta que os trabalhos mágicos funcionam melhor quando são adaptados às situações de nossa vida. (…) O ajuste do Caos é se tornar mais flexível e adaptado no mundo em que vivemos, para abrir um vasto ângulo em vez de uma única visão direcionada do universo e abrir novas alternativas para encontrar a posição e perspectiva para agir e atuar decisivamente.

Magia se torna não somente o que fazemos, mas como vivemos. A magia se estagna quando se torna presa em um conjunto de formulações e procedimentos. Olhar além do que conhecemos como magia, é ir além.”

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