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O MASSACRE DOS INOCENTES

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Mais um magnífico levantamento das falácias cristãs pela dra. Ana Zarco Câmara. Existe possibilidade de continuar-se mantendo a quimera de que a Bíblia fala de ocorrências “historiográficas”? Creio que não… Enfim, segue o texto:

“Uma das maiores farsas já perpetradas pelo cristianismo, amplamente refutada por estudiosos das mais variadas correntes e perspectivas, tratar-se-ia do suposto “massacre dos inocentes”, infanticídio que segundo relato bíblico teria sido posto em prática na cidade de Belém, por ordem do rei da Judéia, o famigerado Herodes.

Abaixo listo três perspectivas, da mais moderada, do teólogo Emil Schürer, que embora não afaste completamente a possibilidade de tal evento, descarta que Jesus Cristo tenha sido um alvo de tal deliberação, até a mais radical, do historiador e acadêmico Paul Maier, que considera absolutamente improvável o infanticídio “per se”. Este é apenas um dos episódios fictícios que pelas vozes hegemônicas dos cristãos, vem ecoando pelos séculos, a despeito de qualquer possibilidade histórica, na tentativa de tornar verídico o que não passa de informação manipulada, distorcida e sagazmente repetida. Porque uma mentira repetida, torna-se VERDADE.

1) Ainda que se parta do pressuposto de que o disposto em Mateus, II:1-23 seja verdade, isto é, que tenha ocorrido o “Massacre dos Inocentes” sob as ordens de Herodes, o evento jamais poderia afetar a existência de Jesus Cristo, caso tenha existido como relatado biblicamente e acreditado pelos cristãos. Já no séc. XIX, um teólogo e historiador protestante, Emil Schürer identificara a data de morte de Herodes entre o final de Março e começo de Abril do ano 4 a.C., isto é, quatro anos antes sequer do tradicional nascimento do Nazareno (datação, coloque-se, aceita até hoje pela maioria esmagadora dos historiadores). Cf. SCHÜRER, E., “A History of the jewish people in the time of Jesus Christ”, trad.: rev. John MacPherson, Nova Iorque: Charles scribner’s Sons, 1891, v. 1, pp. 400 – 467.

2) O historiador E. P. Sanders, em sua busca por “delinear o Jesus histórico”, apresenta uma absoluta descrença na possibilidade de ocorrência de qualquer “Massacre dos Inocentes”, como relatado por Mateus e capaz de afetar o dito Redentor. Segundo Sanders, inda que Herodes fosse um tirano clássico – sangrento e insano -, inexiste qualquer evidência historiográfica, ou qualquer outra fora de Mateus, que sirva para atestar a historicidade de um infantricídio em massa perpetrado por ele. Cf. SANDERS, E. P., “The historical figure of Jesus”, Nova Iorque: Penguin, 1996, pp. 87 – 8.

3) Por fim, o historiador e acadêmico Paul Maier, efetiva um levantamento racional e histórico de como, segundo todas as fontes históricas, Clássicas e contemporâneas, torna-se impossível colocar qualquer crédito no “Massacre dos Inocentes” a Herodes, o Grande. Em verdade, qualquer biografia rigorosa e baseada em dados históricos, negará, segundo Maier, a mínima chance do tirano ter tomado partido em um evento como esse apesar de sua índole homicida e capaz de assassinar mulher e filhos. Cf. MAIER, Paul L., “Herod and the infants of Bethlehem”. In: SUMMERS, R., VARDAMAN, J. (orgs.), “Chronos, Kairós, Christos II”, Macon: Mercer do University Press, 1998, pp. 170 – 5.

Seleção de textos de R.C.Zarco.”

Um comentário em “O MASSACRE DOS INOCENTES

  1. Saiba que o símbolo de pomba do espírito santo é um pássaro de fogo.

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