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SOBRE BAPHOMET (POR PETER CARROLL)

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The Book of Baphomet.

Uma introdução apresentada no lançamento do livro, 4/8/12, em Glastonbury, por Peter Carroll.

Gostaria de começar focando-me um pouco na vida e obra do homem que trouxe a ideia de Baphomet ao mundo moderno, Eliphas Levi, nascido como Alphonse Louis Constant (8 de fevereiro de 1810 – 31 de maio de 1875).

Foi educado como sacerdote católico, porém renunciou ao apaixonar-se. Passou então a escrever sobre política / teologia revolucionária, motivo pelo qual foi encarcerado duas vezes durante as diversas crises políticas da França de meados do século XIX. Depois disto iniciou uma influente carreira nos terrenos do esoterismo e da magia, escreveu numerosos livros e visitou a Grã-Bretanha, onde suas ideias tiveram um grande impacto na Golden Dawn.

Fez uma jornada de clérigo a radical, e de radical a mago.

Os ocultistas inspirados nele têm feito com que Levi seja lembrado como um dos principais responsáveis pelo ressurgimento da magia no século XX. Ele contribuiu com quatro ideias que parecem importantes:

1) A teoria da Luz Astral. Esta evolução das ideias neoplatônicas tem, quando menos, a virtude de fazer com que a gente pense de um modo mais profundo em como a magia pode funcionar.

2) Os pentagramas para cima e invertidos como símbolos que têm diferentes significados.

3) A correspondência entre as vinte e duas cartas do Tarot e as letras do alfabeto hebreu, com a qual abriu um enorme campo de especulação sincrética.

4) Baphomet, uma imagem que vale mais que mil palavras.

Ainda que pareça agora algo kitsch, depois de haver aparecido em tantas jaquetas de couro negro, as ideias que esta figura representa têm um enorme impacto. Levi indica basicamente que esta imagem constitui sua visão de Deus.

Parece que Levi escreveu sobre ela de forma comedida, quase tímida, porém leve em conta que ele já havia sido enviado à prisão por escrever de maneira demasiadamente clara sobre política.

A imagem que Levi apresenta parece mostrar sete qualidades:

Dualista. Deus-Diabo.

Andrógina. Inclui a Mulher.

Luciferiana. Portador da luz, da tocha, do conhecimento proibido.

Teriomórfica. Meio humano meio animal, como Pan, pagão, incorporando os “baixos” selfs.

Sexualizada. Peitos e pênis simbólicos. Os bodes excitados / satânicos.

Mágica. Caduceo, gestos mágicos, lua crescente e minguante.

Xamânica. Cornudo, teriomórfico, salvagem.

Justamente isto é tudo o que eu esperaria de uma deidade! Por isto o introduzi como um rito central de The Pact, na Missa do Caos.

De onde Levi pegou esta ideia? Bem, suspeito que parcialmente do mito histórico e lendas e em partes de suas próprias sensações e imaginação.

A Igreja Católica e o rei da França acusaram os templários de heresia, quase seguramente falsa, e seus inquisidores lançaram as acusações usuais nestes casos de sexo, feitiçaria, blasfêmia, e também de culto a Baphomet.

Os ocultistas admiram os templários baseados no fato de que eles puderam ter possuído realmente certo gosto pelo sexo e pela blasfêmia, e quiçá pela magia. No entanto seu pecado real contra o cristianismo ocidental foi perder a Terra Santa, como consequência de sua desastrosa derrota em Hattin.

A acusação de culto a Baphomet procede de uma má pronúncia: Muhammad = Mohamed = Mahomet = Baphomet. Os cruzados imaginavam que os muçulmanos adoravam a certo deus / diabo primitivo e selvagem, e que sua deidade havia derrotado a nossa.

Os templários foram acusados realmente de tornarem-se nativos e simpatizarem com o inimigo islâmico. As acusações de blasfêmia sugiram porque parte de seu treinamento consistir em estarem preparados para aparentar que renunciavam à sua fé caso fossem capturados. O Vaticano aceitou isto recentemente.

Todos os deuses, religiões e tradições mágicas são formados de fragmentos e peças de tradições anteriores. Tudo isto é sincretismo, os acadêmicos o confirmam e a Magia do Caos o adota como uma linha orientadora, sem desculpar-se por ele ou dissimulá-lo (sem apologia ou evasão).

Assim, partindo do desenho de Levi, o que têm feito os esotéricos modernos com Baphomet?

Dualista

Andrógino

Luciferiano

Teriomórfico

Sexualizado

Mágico

Xamânico

+ Gaiano

Eles têm acrescentado Gaia, no sentido da sacralidade da biosfera e da ecologia, da vida na Terra. E isto forma um estupendo Oito!

Este novo livro de Nikki Ward e Julian Vayne condensa a fascinante história do conceito de Baphomet, desde sua primera menção histórica, passando pelo desenvolvimento de Levi, até suas manifestações atuais.

Sua valente e audaz exploração sobre a corrente baphomética moderna, usando uma completa eroto-gnose e uma extrema quimio-gnose, cria uma narração que está destinada a entrar na lenda esotérica.

Recomendo este livro.

© Peter Carroll, Introdução ao The Book of Baphomet, de Nikki Ward e Julian Vayne. Mandrake of Oxford, 2012.

© da tradução para o português por Lizza Bathory.

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