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Algumas etimologias das palavras relacionadas com a bruxaria

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Aragonês: Bruixa / Broixa – Bruixo – Bruixería
Catalão: Bruixa – Bruixot – Bruixeria
Espanhol: Bruja – Brujo – Brujería
Galego: Bruxa – Bruxo – Bruxaría
Leonês: Bruxiu / Bruxu – Bruxia / Bruxa – Bruxiería / Bruxería
Occitano: Bruèissa / Broisha – Bruèis / Broish – Brueissariá / Broisheria
Português: Bruxa – Bruxo – Bruxaria

A raiz brux- / bruix- (de onde vem, por evolução fonética, o espanhol moderno bruj-) é comum a todas as línguas latinas faladas na Península Ibérica, incluindo a occitano (aranês). Sua origem é desconhecida e a maioria dos estudiosos consideram que vem de uma antiga palavra pré-romana.

Se há diferentes propostas etimológicas para esta raiz ibérica. As duas mais plausíveis são:

– Que esteja relacionada com o nórdico antigo brugga, “fazer poções” (de onde vem o inglês brew – “elaborar cerveja, preparar o chá”).

– Que proceda do protocelta (língua comum falada por todos os celtas antes da separação nas línguas modernas: irlandês, galês, bretão, etc.) brixta, “feitiço” (de onde deriva o nome da deusa gaulesa Brixta ou Bricta), brixtu – “magia”.

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Espanhol: Hechizo – Hechicera – Hechicero – Hechicería
Português: Feitiço – Feiticeira – Feiticeiro – Feitiçaria
Catalão: Fetiller / Fetillera
Francês: Fétiche

No espanhol hechizo e em português “feitiço” derivam do latim “facticius”: coisa produzida, artificial, não natural (de “facere” – “fazer”). Daqui aparecem as outras palavras derivadas em ambas línguas, e possivelmente também a forma catalã.

Do português feitiço surge o francês fétiche, originalmente para referir-se às  estatuetas africanas como objetos mágicos (pela importância central de Portugal na primeira difusão das culturas africanas na Europa). Do francês fétiche deriva, com novos significados, o inglês fetish, e daqui o alemão fetisch, o holandês fetisj, etc.

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Galego: Meiga – Meigo
Leonês: Meiga – Meigu

Proveniente segundo muitos do latim maga / magus, “pessoa dedicada à magia”.

A origem destas palavras latinas pode estar relacionada com a raz indoeuropea que significa “grande” (grego megas, sânscrito maha) ou com o nome dos sacerdotes zoroastristas da Pérsia: magush.

Segundo outros derivados do latim medica, “pessoa dedicada à medicina”, o que explicaria melhor seu inicio me-.

Meigo e meiga têm no galego também o duplo sentido do castelhano “encantador / encantadora”, que é, além da pessoa dedicada à bruxaria, aquela que atrai ou seduz. No português meigo / meiga significa exclusivamente “doce”, “delicado”, “amável”.

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Francês: Sorcière (bruxa) – Sorcier (bruxo) – Sorcellerie (bruxaria)
Créole do Haití: Sòsyè (bruxa)
Inglês: Sorceress (bruxa)Sorcerer / Sorceror (bruxo) – Sorcery (bruxaria)

Todos estes nomes procedem do francês, que por sua vez é uma evolução do latim sortiaria, “que vê as sortes”, o que fazia referência a uma mulher que se dedicava à adivinhação.

Para alguns estudiosos da língua basca, a raiz latina “sortes” estaria também na origem do basco Sorgin / Sorginkeria (bruxaria).

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Inglês: Witch (bruxa) – Witchery / Witchcraft (bruxaria)

A palavra witch deriva de uma raiz germânica que somente se encontra no inglês e nos dialetos do baixo-alemão (descendentes dos antigos saxões). No inglês antigo era wicca (pronunciado “witcha”) “bruxo”, e wicce (pronunciado “witche”) “bruxa”. No baixo-alemão médio era wicken “embruxar”. Como sucede com outras raizes europeias para designar os bruxos (veja o comentário anterior sobre o ibérico bruix-/brux-) sua origem é obscura e controvertida, objeto de numerosas polêmicas entre os etimologistas.

Entre as raizes germânicas e indoeuropeais propostas estão:

– O indoeuropeu weik “separar, dividir”, que havia dado origem ao gótico weihs “sagrado”.

– O indoeuropeu weg’h “mover-se”, no sentido dos movimentos e gestos dos rituais.

– O germânico wiggon, no inglês antigo wigle “praticar a adivinhação”.

– O germânico wikkjaz “praticar a necromancia”. Há que se dizer que a necromancia era definida nos antigos dicionários como “Daemonum invocatio” (“invocação do Demônio”).

© Miguel Algol.

Traduzido por Lizza Bathory.

Fonte: El Baile del Espíritu

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