Deixe um comentário

Código de ervas — Ou, você não precisa matar um gato preto

Muitos grimórios e livros de magia usam nomes de animais e partes destes como um código para ervas e outros materiais. Aqui estão alguns destes códigos, uns do Papiro Mágico Grego (veja Greek Magical Papyri XII:401-44), uma obra composta entre 200a.C. e 500d.C. Outros de Galeno e Dioscorides. Galeno (120-200 d.C.) foi um proeminente médico e filósofo romano de origem grega, e provavelmente o mais talentoso médico investigativo do período romano. Suas teorias dominaram e influenciaram a ciência médica ocidental por mais de um milênio. Dioscórides (fl. 50-70 d.C.) foi um autor greco-romano do tempo de Nero, considerado o fundador da farmacognosia através da sua obra De materia medica, a primeira farmacopéia (uma espécie de livro de receitas da medicina) da civilização ocidental, que foi a principal fonte de informação sobre drogas medicinais desde o século I até ao século XVIII. A De materia medica encontra-se dividida em cinco livros. Nela se descrevem cerca de 600 plantas, 35 fármacos de origem animal e 90 de origem mineral, dos quais só cerca de 130 já apareciam no Corpus hippocraticum e 100 ainda são considerados como tendo atividade farmacológica. Assim, fica claro que desde a antiguidade, partes de animais nomeadas em fórmulas mágicas não se referem obrigatoriamente a partes reais de animais e sim de plantas. São precisamente essas fontes antigas às quais grimórios medievais e renascentistas se referiam quando usaram códigos de ervas em fórmulas para materiais mágicos. Não há nada de “Nova Era” nisto. Pelo contrário, é muito tradicional o uso de códigos como uma “barreira” para evitar o acesso de um qualquer à maior parte do conhecimento. Um código de ervas é exatamente uma espécie de obstáculo para os leigos.

– Língua de Víbora: Erythronium grandiflorum (uma liliácea, lírio pintado ou Erythronium dente-de-cão); Plátano.

– Pé de Asno ou Pé de Touro ou Casco de Cavalo: Tussilago farfara.

– Asa de Morcego: Folha de Azevinho.

– Pelo de Morcego: Musgo.

– Pé de Urso: Alquemila (Alchemilla mollis).

– Olho de Pássaro ou Olho de Cristo: Veronica chamaedrys

– Sangue: Seiva de Sabugueiro ou seiva de outra árvore.

– Sangue de uma cabeça: tremoço (Lupinus albus).

– Sangue de um ombro: Acanthus spinosus.

– Sangue de Ganso: Seiva de Amoreira.

– Sangue de um Babuíno-sagrado (Papio hamadryas): Sangue de uma Largatixa pintada, Largatixa-leopardo (Eublepharis macularius).

– Sangue de Cobra: Hematita.

– Sangue de um olho: Tamarisco (Tamarix gallica).

– Sangue de Ares: Beldroega (Portulaca oleracea).

– Sangue de Hefesto: Absinto.

– Sangue de Héstia: Camomila.

– Dedos sangrentos: Dedaleira (Digitalis).

– Gaio-azul: Loureiro ou Louro (Laurus nobilis).

– Osso de Ibis: Sanguinho (Rhamnus).

– Cérebro: Goma de Cerejeira (esse termo geralmente designa goma de qualquer árvore frutífera).

– Sangue de Touro ou Semente de Hórus ou Olho de Estrela: Marroio.

– Sêmen de Touro: Ovos de Escaravelho da família Meloidae.

– Focinho de Bezerro ou Boca de Cachorro: Erva-bezerro ou Boca-de-lobo.

– Rabo de Capão (Galo Castrado): Valeriana officinalis.

– Gato: Nepeta cataria (Erva-de-gato).

– Pé (pata) de Gato: Gengibre silvestre (Asarum canadense) ou Hera-terrestre (Glechoma hederacea).

– Coágulo, Vara de Jacob ou Vara de Júpiter: Verbascum thapsus (verbasco ou barbasco, tipo, pavio ou vela-de-bruxa).

– Velas de defunto ou Poeira de Cemitério: Verbasco.

– Excremento de Crocodilo: Terra etíope.

– Pé de Corvo ou Pé de Pombo: Geranium maculatum,
Gerânio de bosque (Geranium sylvaticum) ou Botão de ouro (Ranunculus).

– Excremento de Demônio: Assafoetida, ou assa-fétida (Ferula assafoetida).

– Cachorro: Grama Couch (Elymus repens).

– Língua de Cão: Cinoglosa, Flor Cigana, Língua de Cão ou Orelha de Lebre (Cynoglossum officinale).

– Sangue de Dragão: Dragoeiro (Dracaena cinnabari).

– Escamas de Dragão: Bistorta.

– Águia: Trigonella foenum-graecum (feno-grego ou Alforva), Allium ursinum (ou Alho dos ursos).

– Orelha de Asno: Confrei.

– Orelhas de Cabra: Erva-de-são-joão ou Hipérico.

– Pé de homem inglês: Plantago major (tanchagem, também conhecida como transagem ou tansagem).

– Olho do dia: Margarida-comum (Bellis perennis).

– Olho: Parte interna de uma flor; Asteráceas, Margarida ou Eufrásia.

– Sebo de uma cabeça: Eufórbio.

– Dedos, sapo ou rã: Potentilla (potentilha, cinco-em-rama, tormentila, e morango estéril).

– Pé: Folha.

– Pata de Sapo:
Ranunculus bulbosus (Ranúnculo bulboso).

– Cabelo de Deus: Asplenium scolopendrium (Língua Cervina).

– Asa de Ganso jovem e pequeno: Galium aparine (Amor-de-hortelão).

– Grande olho de Boi: Leucanthemum vulgare (bem-me-quer, bonina, margarida, margarita, margarita-maior, malmequer, malmequer-maior, malmequer-bravo ou olho-de-boi).

– Estranhas: Raízes e caule de uma planta.

– Cabelo: Ervas secas fibrosas; Dryopteris filix-mas (Samambaia macho).

– Cabelo de Babuíno-sagrado: Semente de Endro (Anethum graveolens), também conhecido como Dill ou Aneto.

– Cabelo de Vênus: Adiantum.

– Barba de Lebre: Verbasco (Verbascum thapsus).

– Falcão: Erva falcão (Hieracium caespitosum).

– Coração de Falcão: Semente de Absinto.

– Cabeça: Flor.

– Coração: Nogueira; broto, semente ou noz.

– Língua de Corça ou Língua de Cavalo: Língua Cervina (Asplenium scolopendrium).

– Coroa de Rei: Flor viburno (Viburnum prunifolium).

– Sangue de Kronos: Cedro.

– Cordeiro: Alface.

– Orelhas de Cordeiro: Betonica (Stachys officinalis).

– Pata (de animal): Folha.

– Cabelo [juba/pelos] de Leão: Língua de um nabo [isto é, as folhas da raiz principal].

– Dente de Leão: Dente-de-leão (Taraxacum officinale) ou Coroa do sacerdote.

– Sêmen de Leão: Sêmen Humano.

– Bílis humano: Suco/Extrato de Nabo [provavelmente colza ou couve-nabiça (Brassica napus)].

– Rouxinol: Lúpulo.

– Garra: Folha.

– Osso de médico: Arenito.

– Rabo de Porco: Leopardo do Bane (pode se referir à Aconitum, Paris quadrifolia, Doronicum orientale, Paris quadrifolia).

– Cabeça de Carneiro: Valeriana Americana.

– Sêmen de Ammon: Sempervivum.

– Sêmen de Ares: Trevo.

– Sêmen de Hélio: Heléboro Branco.

– Sêmen de Hefesto: Erigeron.

– Sêmen de Hermes: Dill ou Aneto.

– Coração de Pastor: Bolsa-de-pastor (Capsella bursa-pastoris).

– Pele humana: Xaxim.

– Crânio: Leucocoprinus brebissonii.

– Língua de Pardal: Fallopia.

– Focinho de Porco: Folhas de Dente-de-leão.

– Lágrimas de Babuíno-sagrado: Sumo/Essência de Endro (Anethum graveolens), também conhecido como Dill ou Aneto.

– Dentes: Pinhas.

– Sangue de Titã: Alface Silvestre (Lactuca virosa).

– Sapo: Linária, Verônica-dos-campos.

– Chifre de Unicórnio: Raiz de Unicórnio falso (Chamaelirium luteum); Raiz de Unicórnio verdadeiro (Aletris farinosa).

– Urina: Dente-de-leão.

– Focinho de Doninha: Lamiastrum galeobdolon.

– Pé de homem branco: Tanchagem (Plantago major).

– Garra de Lobo: Lycopodiopsida.

– Pata de Lobo: Ajuga reptans.

– Leite de Loba: Euphorbia.

– Pica-pau: Peônia.

– Vermes: Raízes finas.

TRADUZIDO POR:

LIZZA BATHORY

Blogueira d’O Submundo em tempo integral e estudante de Ciências Econômicas nas horas vagas.
elizabeth.bathory.ce@gmail.com
Confira mais textos desta autora clicando aqui

FONTE: ALCHEMY WORKS

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: