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O Florescer da Rosa Apocalíptica, The Red Goddess — Peter Grey

Babalon

EU TENHO VISÕES

Céus negros e corpos caídos. Sua fosforescente beleza sobre um fundo de Guerra Santa. Ela me susurra, tão docemente que penetra em um nível celular, este é o néctar de Sua presença, o mel, a amrita. O mundo é um ossuário negro, todas as estrelas se apagam. Tudo está sendo consumido, nada importa mais que Ela. Trabalhar com Babalon atrai estas inquietantes visões.

Milenarismo e sonhos apocalípticos povoam nossa cultura. Cada nova película de sucesso mostra outro panorama da devastação planetária em imagens de computação muito bem produzidas. Escapismo, enfermidade mental e histeria de cultos caracterizam esta classe de pensamento. Somente porque os enlouquecidos estão afirmando que o fim está próximo não significa que não seja verdade. O pós-modernismo tem cantado o fim da história, mas as pragas, guerras e as catástrofes continuam acontecendo com maior frequência. Temos crescido com o apocalipse, as ameaças nucleares, biológicas e ecológicas são muito reais. Babalon está ligada inexoravelmente com estes acontecimentos do fim dos tempos. É aqui que devemos examinar a desagradável ideia de que o apocalipse está realmente sobre nós, que a fúria divina foi desencadeada. Isto não requer uma crença literal em nenhum diagrama religioso esquemático de devastação. Considere a possibilidade. Pense o impensável. Pergunte-se por que é esta uma ideia tão proibida.

Há fortes argumentos de que estes são os últimos dias. De que já passamos do ponto critico e nos curvamos sob o apocalipse. Abraçar Babalon é muito diferente do que beber cool-aid com álcool ou deslizar-se em devaneios de fenobarbituricos e ficção científica. Confrontamos e demos as boas-vindas ao florescimento da rosa apocalíptica.

Não há nenhum lugar para esconder-se.

O BATISMO DE SANGUE

Babalon é a Deusa do Apocalipse. É muito mais incômodo para nós aceitarmos isto que à Kali Yuga, Ragnarok ou o fim do mundo ocasionado por uma catástrofe mundial, porque estes são nossos simbólicos pesadelos transmitidos desde nossos berços. Se queres absoluto Amor então deves aceitar a destruição absoluta.

Em Seu manto apocalíptico Babalon pergunta: O que você não pode sacrificar voluntariamente?

O apocalipse pode ser tomado como significando uma mudança de consciência, a agenda do transhumanismo, um salto evolucionário, um ponto omega onde a informação é duplicada instantaneamente. Estas são interpretações alegóricas e espirituais do apocalipse a se meditar – porém não deveríamos temer considerar a possibilidade de uma guerra final. A Magia(k) tem se afastado em demasia no simbolismo e espiritualidade, é tempo de literalmente voltar atrás. Sentir, experimentar e respirar o perfume embriagador de Sua presença, viver cada um de teus dias como o último. Esta tomada de consciência não conduz a reunir-se passivamente nas colinas, como as Testemunhas de Jeová tem fazido, para esperar o fim. Esta lhe dá um profundo senso de urgência para cada ato. Esta reconhece a divinidade do homem e da mulher. Esta conhece e celebra que Babalon e o Anticristo estão aquí.

Esta é uma linha do tempo apocaliptica para que você a considere e use para enriquecer tua experiência sobre a terra. Eu não dou conclusões definitivas. Simplemente estou oferecendo possíveis narrativas. Estas são as entranhas fumegantes de onde teremos que adivinhar, os símbolos que nos foram transmitidos para forjar espadas, arados ou naves espaciais.

DIVINA PROVIDÊNCIA

A visão de João do apocalipse não inclui uma cláusula de saída. O apocalipse simplemente cai em cascata. Muitos crêem que isto está acontecendo e estão ansiosos para desempenhar seu papel.

Para os renascidos cristãos modernos, o Apocalipse é um mapa do caminho para a Jerusalém celestial. A ideia do “arrebatamento”, quando os crentes são corporalmente erguidos ao céu momentos antes do fogo final, tem milhões de crédulos seguidores. Este é um estado mental/atitude muito perigoso que incentiva a passividade, impotência e aceitação cega.

Outros cristãos do pós-mileniarismo crêem que devemos criar um reino de Deus com a religião dirigindo a política para que Jesus regresse e marque o início do fim. Isto seria uma caminhada kitsch na história da religião, porém a nova Direita cristã tem o poder e influência para colocar em prática o sonho de João. A política exterior americana mostra a forte influência não apenas sobre a política do petróleo, mas também sobre o pensamento apocalíptico cristão. Blair e Bush foram guiados por sua fé e orações juntos antes de embarcarem para a guerra do Iraque.

Como devotos de Babalon, o pensamento apocalíptico em todas suas formas dá mais poder à nossa Deusa. Isto faz parte da corrente, contudo João estava equivocado.

AS HOSTES ANGELICAIS

Dee nos deu visões que competem com as de Blake em sua cromática glória. Os anjos Enoquianos não trazem boas novas. Como temos visto, suas advertencias são desoladoras. A Magia(k) enoquiana está em marcha como uma bomba-relógio. Em uma história magicka é impossível não ver a coincidência que tem posto o apocalipse en movimento. Nesta interpretação, Dee e Kelley estavam à frente de seu tempo e fora de seus limites.

Donald Tyson tem sido amplamente ridiculizado por argumentar que recitar as Chaves Enoquianas irá trazer o apocalipse. Que o Anticristo trará o Dragão encurvado. Que seremos lançados e espancados pela incursão de Choronzon. Não sou suficientemente precipitado para condenar Tyson. Algo está se movendo e a magia(k) Enoquiano é uma peça crucial do quebra-cabeças. Ao que parece Tyson vê como se Crowley tivesse aberto a porta um pouco. Certamente The Vision and the Voice de Aleister é uma proeza Enoquiana. Como era de se esperar do filho de um pregador, este é rico em simbolismo apocalíptico.

Crowley desempenhou o papel da GRANDE BESTA e sim, necessita de maiúsculas, sem reservas. Ele não assumiu deliberadamente o manto do Anticristo, mas preparou o caminho. Crowley viu a matança da Segunda Guerra Mundial como um batismo para o Aeon de Hórus. Gentil leitor, cubra suas orelhas, Hórus na guisa Thelêmica de Haspocrates, é o Anticristo. Jack Parsons tentou heroicamente assumir este papel, utilizando de novo a magia(k) Enoquiano e a magia(k) sexual como chaves.

Aderindo ao culto de Crowley ou não, a Europa se converteu em um graal encharcado de sangue. Sim, os antigos gregos podiam convocar as sombras dos mortos com os corpos de touros. Que espíritos foram alimentados pela Blitzkrieg e nutridos em Auschwitz?

A divisão do átomo marcou uma importante mudança magicka. A bomba de Oppenheimer nos deu repentinamente o poder para destroçar o mundo em pedaços. A detonação destruíria todas as antigas certezas — O mundo poderia ser destruido por fogo. Quiçá as guaritas foram abertas pela bomba?

À luz disto, os amplamente incoerentes desvarios de Kenneth Grant acerca das incursões alienígenas de além da Zona Malva podem começar a terem sentido. Ele descreveu o indescritível terror da mudança, da sobrecarga de informação, do fim de uma era, invocando os inomináveis pesadelos protoplásmicos de Lovecraft.

Não devemos ter medo disso.

Eu vejo o retorno e a Deusa do Amor e não me surpreendo com as coroas de caveiras. Beijo Sua boca ensanguentada. Penetro as pétalas de Sua rosa. Deixo o medo ir e sacrifico tudo. Estou disposto a queimar o mundo.

A DESTRUIÇÃO DE TUDO QUE AMAMOS

Seguimos passando prazos arbitrários. Jesus se foi devido à vida interior dos discípulos e não voltará. O Grande Rei do terror não desceu dos céus em 1999 como Nostradamus previu. Contudo, estou suficientemente seguro para entrarmos na era do Anticristo e do Apocalipse.

Por quê?

Porque a humanidade foi transformada. O indivíduo, o Anticristo, nasceu. Nosso estranho novo estado nos infundiu com potencial divino. Somos a heresia final contra Deus. Podemos descer o fogo do céu. Nosso mundo está em uma encruzilhada onde podemos nos converter em Deuses ou destruir a biosfera. Aceleremos o apocalipse através de atos impudicos de Amor e enfrentemos as consequências que podem surgir. Amor e Guerra estão escritos sobre as faces da moeda que lançamos em seu seio. Ela não vê nenhuma diferença entre elas. Quanto mais conhecermos Babalon mais sentido isto terá para nós.

Todos vamos morrer.

TRADUZIDO POR:

LIZZA BATHORY

Blogueira d’O Submundo em tempo integral e estudante de Ciências Econômicas nas horas vagas.
elizabeth.bathory.ce@gmail.com
Confira mais textos desta autora clicando aqui

FONTE: MANUS SINISTRA

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