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AMANTES DEMONÍACOS — SUCCUBUS E INCUBUS

Dois dos espíritos mais inusitados associados com a bruxaria medieval são os succubus e incubus. O succubus é do sexo feminino, o incubus, do sexo masculino, e eles são geralmente da variedade de espíritos demoníacos que buscam a união sexual com suas vítimas. Além de espírito familiar, succubus e incubus funcionavam quer como amante das bruxas ou como uma ferramenta para atacar sexualmente as vítimas escolhidas. Em alguns casos, os poderes sedutores das succubus tornaram-se associados com a bruxa, e o incubus poderia ser tanto seu familiar como companheiro sexual. Relatos sobre esses dois tipos de demônios eram muitas vezes citados quando interrogavam “bruxos” e “bruxas” durante a Renascença. O que eles realmente eram (ou são) é uma questão a ser debatida. Mais tarde, tornaram-se temas míticos que, devido à sua natureza sexual ilícita, foram capturados pela “tórrida” imaginação de prelados e popularizaram-se tanto. Devido à sua natureza popular, eles ainda podem ser encontrados, de uma forma ou de outra, hoje. Basta fazer uma busca na internet para “succubus” ou “incubus” e testemunhar o volume existente.

Curiosamente, a raiz da palavra tanto para succubus e incubus é o verbo latino “cubare” (deitar), onde incubus significa “deitar sobre”, e succubus significa “deitar sob”. O incubus era conhecido como um demônio que se colocaria sobre o corpo de uma mulher, causando pesadelos e paralisia. O succubus, de alguma forma, ficava entre o homem adormecido e a cama, o envolvendo. Estas eram as entidades demoníacas que supostamente estavam íntima e sexualmente envolvidas com os seres humanos, representando uma classe única de espíritos. Enquanto que os demônios geralmente possuíam o corpo de suas vítimas, habitando a alma destas, um incubus ou succubus se ligavam com suas vítimas, assim drenavam externamente a sua força vital. Eles geralmente apareciam (primeiramente) através de sonhos, causando intensas fantasias eróticas, paralisia do sono e pesadelos, muitas vezes resultando em algum tipo de orgasmo espontâneo.

Essas entidades eram bem conhecidas e identificáveis ​​alvos de exorcismos e banimentos/ritos de bênção, tanto ​​de cristãos quanto de judeus, a partir do final da Alta Idade Média. (Havia uma seção especial para esses demônios no “Malleus Maleficarum”.) Mais tarde, foi dito que as bruxas e bruxos tinham amantes demoníacos (mas é claro!), e que esses seres poderiam até mesmo ocupar corpos físicos. Não obstante, de acordo com Tomás de Aquino, os demônios foram identificados como seres sem sexo definido, sendo demônios femininos e masculinos contrapartes de uma mesma entidade, de modo que os succubus e incubus eram fachadas intercambiáveis ​​para o mesmo espírito. Esta lógica afirmava que o succubus copulava com homens, recolhendo seu sêmen, e, em seguida, se transformava em um incubus, injetando, assim, o sêmen coletado em uma vítima do sexo feminino. Talvez essa fosse uma forma de explicar as ejaculações noturnas ou gravidez inconfessada devido ao incesto ou estupro.

A própria criança nascida de uma suposta ligação com o sobrenatural teria qualidades sobrenaturais. Grandes heróis (como Gilgamesh) e magos (Merlin) tinham a fama de serem a prole desse tipo de entidades espirituais. Enquanto os íncubos eram essencialmente não nomeados, as súcubos foram expressamente mencionadas e associadas com vários atributos de Lilith. Então, agora chegamos ao núcleo importante da imagem mítica do succubus-incubus, que é a sua associação com a antiga mulher-demônio, conhecida como Lilith.

Lilith tinha fama de ser a primeira esposa de Adão, mas ela se recusou a submeter-se a ele (a maneira elegante de dizer que ela se recusou a se deitar debaixo dele). Devido a essa insubordinação, ela foi expulsa do paraíso por Javé (Yahweh), que então formou Eva como sua substituto. Mais tarde, ela se tornou a consorte e mãe de demônios e predadora de crianças e adolescentes do sexo masculino. Lilith era conhecida pelos antigos acádios e figurava em sua lista de espíritos como uma espécie de demônio feminino predatório, e mais tarde foi considerada uma das rainhas demoníacas. No entanto, com o passar do tempo, ela foi esquecida por todos, exceto pelos judeus hassídicos, que ainda colocavam encantos escritos contra Lilith nos berços e camas de seus filhos, e esta prática continuou até o início do século XX. O século XIX viu Lilith retornar na cultura popular europeia, tornando-se uma caída, romântico e rebelde tropo literário. O final do século XX testemunhou a elevação de Lilith ao posto de deusa em algumas seitas de bruxaria moderna. Eu tenho discutido anteriormente a respeito de Lilith como sendo associada com os Nephilim, mas isso é assunto para outra hora.

Atualmente succubi e incubi se transformaram, na mídia e literatura, em sedutores vampiros, ou figuram em vários tipos de ligações sobrenaturais ilícitas. Eles também podem ser encontrados na representação de seus tipicamente negativos e obsessivamente sexual encontros, reais ou imaginados. Amor não correspondido e obsessão sexual parecem ser a chave para esses tipos de temas, e hoje estamos obviamente muito fascinados com eles. (Eu me pergunto o que isso diz sobre nós?)

Embora existam alguns exemplos de métodos para convocar um incubus ou succubus a manifestar-se, parece que uma terrível obsessão sexual não satisfeita e complacência para entregar-se ao excesso, dissipação e morbidez perversa poderiam facilmente produzir o fenômeno desejado. Utilizar algumas velas pretas estrategicamente colocadas, em seguida, deitar-se nu, em um satanicamente adornado círculo mágico, na postura do “pentagrama”, enquanto ardentemente evoca um amante demônio, também deve efetivar este truque.

Quanto a controlar o que foi evocado e salvaguardar a si mesmo, esses pensamentos precisam invariavelmente serem dispensados por completo, fazendo de tal operação muito perigosa (e bastante estúpida). Eu também poderia acrescentar que há uma diferença marcante entre a formulação de um encontro com a divindade satânica (se o magista é distintamente do LHP) e convidar um incubus ou succubus para possuí-lo. A primeira é uma operação litúrgica do Caminho da Mão Esquerda, e o último, um desejo sexual auto-destrutivo.

A cobiça e procura por um amante demoníaco é, muito provavelmente, um sintoma de problemas e questões mais profundas. Poderia muito bem indicar uma apreciação doentia da sexualidade, e, talvez, uma incapacidade de encontrar um parceiro humano adequado. Apetite sexual insatisfeito, juntamente com uma inata habilidade para se conectar com as forças ocultas ou entidades sobrenaturais podem ser uma combinação terrível imbuída com nefastas consequências. O fruto de tal combinação é raramente positivo. Um analogia moderna é o vício fervente por pornografia online que assombra os indivíduos que são funcionalmente incapazes de ter uma relação sexual. Eu sei em primeira mão como este tipo de vício pode realmente consumir uma pessoa que perdeu o contato com o mundo real da interação humana, e como isto é um substituto amargo e insatisfatório para uma relação sexual real.

Talvez um aspecto dos modernos incubus ou succubus possa ser encontrado no interior da maciça comercialização underground do sexo que figura em quase toda parte. Os conservadores religiosos tanto odeiam e temem esse submundo comercial, e ainda assim parecem incapazes de, ou não querem realmente, cessá-lo. Nosso medo cultural, repugnância, vergonha e fascínio por todas as coisas perversamente sexuais dá-lhes enorme poder em nossa saturada mídia nacional. Eliminar a culpa, medo e vergonha é provavelmente o primeiro passo na redução do poder da sexualidade negativa. Tal sexualidade midiática tem ainda invadido o ocultismo e a prática da magia, e pode ser encontrada na internet, juntamente com todo o resto. (Além disso, a mistura do LHP com pornografia tem obtido muitos seguidores nos dias de hoje, como o popular site “Goetia Girls” tem demonstrado.)

Não me interpretem mal, como pagão eu apoio uma abordagem bastante libertária da sexualidade em nossa sociedade. Eu também sou contra qualquer forma de censura ou intervenção legal que restrinja ou limite a sexualidade dos adultos conscientes. Não obstante, conheço as dores de um amor não correspondido e a necessidade insatisfeita de uma liberdade sexual nos meus primeiros anos como adulto, e sei como isto pode produzir todos os tipos de problemas sociais e psicológicos. Essas forças internas, se não forem devidamente tratadas, podem até mesmo se manifestarem como relacionamentos abusivos e auto-destrutivos no mundo real. Tenho testemunhado mulheres que continuam a se envolverem com seus “amantes demoníacos” enquanto estão sendo terrivelmente usadas e abusadas. Eu também já experimentei alguns destes abusos em primeira mão a partir dos meus próprios amantes demoníacos. Talvez succubus incubus tenham se tornado eufemismos sociais para relacionamentos ruins e abusivos que devem ser decisivamente terminados, mas que estão psiquicamente demasiadamente emaranhados. Testemunho o fato de que homens ou mulheres podem libertarem-se de anos com um amante abusivo, apenas para rapidamente caírem como presas de um novo abusador.

Felizmente, descobri que vários níveis de amor próprio espiritual, alinhamento pessoal com a Divindade e o “Amante Interior” podem ser usados como poderosas ferramentas de cura para eliminar relacionamentos negativos e seus efeitos de longo prazo. Assim, também, pode-se ser honesto sobre uma associação íntima, determinando o que é realmente necessário e bom para si mesmo, e, mais importante, ouvindo as advertências da família e dos amigos. Quebrar ciclos de abuso pode ser poderosamente gratificante e edificante, liberando assim uma pessoa de seu próprio ciclo de auto-destruição e permitindo-lhe buscar relacionamentos que são progressivos e auto-fortalecedores.

Feiticeiras e feiticeiros, vampiros e vampiras, e amantes demoníacos de todos os tipos podem parecer fascinantes e poderosamente sedutores, mas eles são apenas ferramentas para auto-destruição. Você pode brincar com eles, e você pode até ter custos e intensos encontros agradáveis, mas se você ficar viciado por seus próprios anseios e necessidades, então você passará por um período muito ruim — se você sobreviver. Na minha opinião, não há maior mecanismo para a total de auto-destruição que alimentar e ampliar desejos não realizados. (Então vamos nos libertar e sermos felizes.) Você foi avisado!

Por Frater Barrabbas

Traduzido por

FONTE: Talking About Ritual Magick: Demon Lovers – Succubi and Incubi

4 comentários em “AMANTES DEMONÍACOS — SUCCUBUS E INCUBUS

  1. Isto é interessante, mas, diga-me, vc realmente teve um amante Súcubos, eu me sinto um pouco confuso em relação a existência destes monstros, e se seria agradável ter um encontro com uma sucubos

  2. Amei o texto e sua opinião sobre, meus parabéns, consegui entender que contatos com esses seres não são benéficos a nós humanos, entendi também que um homem ou mulher com conhecimento e uma boa energia, poderia satisfazer seu desejo sexual em troca de um pouco de sua energia, mas provavelmente homens e mulheres fortes, inteligentes e com boa energia não precisariam de buscar esse tipo de prazer. Obrigado pela postagem, Jonny.

  3. Vc’s sabe algum ritual pra destruir de vez esses demônios???🌚🌚🌚

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