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SEFIRÓS [SEPHIROTH]

Habitualmente, a ordem «hierárquica» dos Sefirós é a seguinte:

1 — Keter (coroa)
2 — Hokhmah (sabedoria)
3 — Binah (inteligência)
4 — Hessed (graça; amor) ou Guedulah (grandeza)
5 — Guevurah (poder) ou Din (julgamento) ou ainda Pahad (crença)
6 — Tiferet (majestade) ou Rahamim (misericórdia) ou ainda Lev shamayim («coração do céu», no sentido de região central)
7 — Netzah (duração)
8 — Hod (esplendor)
9 — Yessod ‘olam (fundamento do mundo) ou Tsaddiq («o Justo»)
10 — Malkuth (reino) ou ‘Atarah (coroa) ou ainda Shekhinah.

A cada um dos Sefirós corresponde um nome divino particular:

1 — Ehyeh
2 — Yah
3 — YHWH (vocalizado Elohim)
4 — El
5 — Elohim
6 — YHWH
1 — YHWH Sabaot
8 — Elohim Sabaot
9 — El Hai ou Shaddai
10 — Adanai

No próprio interior do sistema dos Sefirós existem numerosos agrupamentos e combinações. Deste modo, os Sefirós, 2, 4 e 7 formam a «coluna da direita» (‘amuda de-yemina), assento das forças masculinas, positivas. 3, 5 e 8, a «coluna da esquerda» (‘amuda de-smala), assento das forças femininas, negativas; e 1, 6, 9 e 10 a «coluna do meio» (‘amuda de-metsi’uta), onde se harmonizam e se encontram em equilíbrio as forças antagônicas.

Os Sefirós 1, 2 e 3 formam o ‘olam ha-muskal, o mundo criador das forças espirituais. 4, 5 e 6 o o’lam ha-murgash, o mundo criador das forças da alma, e 7, 8 e 9 o ‘olam ha-nuth’a, o mundo criador das forças da natureza.

Os três primeiros Sefirós constituem um grupo à parte, nitidamente diferente dos outros. São Sefirós ha-binan, as forças de base do sistema cósmico.

No interior do sistema dos Serifós existe igualmente uma espécie de hierarquia. É deste modo que Hokhmah é concebida como a saída do existente a partir do nada, e «ponto zero» que em si ainda não é nada mas que, na Binah, se desenvolve ao nível da «Mãe do Mundo», ponto de partida, por seu lado, de todo o devir cósmico, a partir de onde se desenvolvem progressivamente seis outros Sefirós enquanto princípios espaciais. É igualmente em Binah que se detém toda a meditação, toda a questão posta pelo místico quanto às origens das coisas e do Universo. Hokhmah, pelo contrário, é o primeiro princípio positivo subtraído a toda a investigação e procedente do «nada».

Hessed e Guevurah (Din) representam respectivamente o amor e a justiça de Deus, enquanto Tiferet é o ponto de reunião de todas as forças ativas que, em Yessod, têm acesso ao estádio produtivo. A «encarnação» mais poderosa da última tríade era, segundo a tradição esotérica, a dos três patriarcas: Abraão, Isaac e Jacob.

É no «lado esquerdo» («coluna da esquerda») que se concentram as forças negativas que, privadas do equilíbrio exercido pela «coluna da direita», sofrem de uma hipertrofia de influência de Din (julgamento) e tornam-se a Sitra ahara, o «outro lado», o império das forças obscuras e demoníacas. Segundo certos autores, trata-se de um império convenientemente estruturado e hierarquizado no qual a realidade cessa durante o tempo em que o equilíbrio é restabelecido por um «influxo» poderoso vindo do «lado direito», neste caso chamado «lado santo».

O Sefiró mais importante do ponto de vista da especulação cabalista é o último, o que está mais diretamente em relação com o «mundo de baixo» e também o mais acessível à meditação, Shekhinah, a presença permanente do Reino de Deus (Malkhut). Privado de todo o poder ativo próprio, reúne nele a totalidade das forças superiores.

Uma grande importância assume, dentro da simbologia da Cabala, a simbologia sexual. Deste modo, as forças «femininas», por natureza passivas e receptivas, são concebidas como um elemento restritivo e, logo, negativo (é precisamente o caso de Din, «julgamento»). Tiferet, chamada nesta perspectiva «o Rei», representativa das forças ativas, por um lado, e Malkhut, que resume nela todas as forças passivas (debaixo desta tendência é Matronita, a «matrona» ou Rainha), por outro, unem-se pelo ziwwug qadosh, a «santa união» cujo símbolo, no mundo material da criação, é o casamento.

Em vez do sistema «linear», que é o da apresentação dos Sefirós na Cabala antiga, a Cabala do Ari refugia-se antes sob a forma de círculos concêntricos. Entre os dois sistemas, existem também diferenças quanto aos nomes atribuídos aos Sefirós e quanto à sua classificação. É deste modo que, segundo Lúria, o Sefiró Keter (o primeiro) não faz parte do sistema dos Serifós propriamente dito, mas constitui antes a «junção entre o En-Sof, por um lado, e, por outro, os restantes dos Sefirós. Já segundo a antiga Cabala, Keter é concebido como englobando em potência todos os outros Sefirós.

Um elemento absolutamente original da teoria dos Serifós do sistema de Lúria é o dos partsufim — do grego prosopon, «face» —, formas personificadas de princípios metafísicos contidos no conjunto dos Sefirós. É deste modo que, na sua totalidade, os dez Serifós formam o partsuf Adam, a «figura de Adão», onde os diferentes Sefirós correspondem às diversas partes do corpo humano. Keter forma um partsuf à parte, chamado Arikh anpin, o «grande rosto»; nesta qualidade, engloba igualmente a totalidade dos dez Sefirós. Hokhmah e Binah são respectivamente o princípio paternal (Abba) e maternal (Imma). Os outros seis Sefirós, de Hessed a Yessod, formam o Ze’er anpin, o «pequeno rosto». Por seu lado, Malkhut representa o aspecto feminino do «pequeno rosto» e é chamado, nesta perspectiva, nugba, englobando igualmente o conjunto dos dez Sefirós. [CTJ]

Fonte: Philosophia Perennis

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