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A HIERARQUIA HEPTARCHICA: OS 49 ANJOS BONS

Os 49 Anjos Bons são os primeiros poderes angelicais “mundanos” apresentados neste sistema. Esses listados no Sigillum dei Aemeth estão aparentemente de algum modo acima dos mundos no qual os homens vivem, assim como estão as Insígnias.

Tendo apresentado as Insígnias, o arcanjo Michael apresenta os 49 anjos dizendo:

“Agora você toca o mundo, e as ações na terra. Agora nós lhe mostraremos o mundo mais baixo: Os Governadores que trabalham e regem abaixo de Deus.”

Dee e Kelley foram apresentados a 7 talismãs (7×7). Cada quadrado de cada talismã continha uma letra e um número de 1 a 49. Através da reunião das letras com o mesmo número numa certa sequência, foram produzidos os nomes dos anjos.

A lista dos nomes, divididas em grupos de sete, foi chamada de Tabula Collecta. Dee organizou estes nomes em uma tabela circular a qual
chamou de Tabula Bonorum, dividindo os anjos em grupos de sete, com um Rei e um Príncipe encabeçando cada grupo.

Cada um destes sete talismãs originais foi associado a um poder sobre um aspecto particular da existência.

Os poderes designados a cada talismã ou letra são:

  • Graça e sabedoria;
  • A exaltação e governo dos Príncipes;
  • Prevalecendo em deliberação, e em cima da nobreza;
  • Ganho e comércio de mercadoria (Dee depois mudou para Água, sem nenhuma razão clara.);
  • As qualidades da Terra, e da Água;
  • Conhecimento do Ar e dos seres que se movimentam por este Elemento; e
  • Domínio do fogo.

Desta lista de poderes ele demonstraria que, ao longo de pelo menos uma dimensão, a magia Heptarchica não é de natureza completamente planetária. Os poderes se ajustariam mais na concepção de um mundo elementar quádruplo regido por um espírito de manifestação tripla, como nas mais baixas sete Sephiroth da cabala.

Retroativamente, Dee nomeara um atributo planetário a cada grupo de sete anjos, baseado nas conexões entre o Os Reis e os dias da semana. Atualmente, os estudantes têm interpolado um sistema de atributos duais, baseado no fato, que o Príncipe de um determinado dia aparece em um grupo diferente do Rei do dia.

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OS REIS, PRÍNCIPES, E SEUS MINISTROS

Seguindo a apresentação dos 49 anjos, há um buraco no registro de cerca de seis meses; aparentemente nenhuma operação fora executada neste período.

Ashmole especula aquele Dee e Kelley tiveram uma discordância em continuar o trabalho. Isto parece uma suposição razoável.

O registro pré-hiato termina com Kelley expressando antipatia e descrença nos espíritos por sugerirem que ele não entra em ação de acordo com sua natureza.

O registro pós-hiato começa com a nota: “Após a reconciliação com Kelley”.

O material desta seção é mais confuso que das anteriores. A fala dos anjos é mais elaborada e bombástica, o aspecto visual caracterizado por uma qualidade do equipamento. Talvez a contínua hostilidade de Kelley para com os anjos foi responsável pela mudança.

Primeiramente, são apresentados os poderes dos Príncipes, seguidos pelos seus sigilos.

Os Reis Heptárchicos aparecem em seguida. Eles descrevem os seus poderes, e cada um dos seus 42 ministros.

Os ministros a seu tempo apresentam seus nomes, em duas formas: uma tabela de seis linhas por sete colunas, cada uma contendo uma letra; e um talismã com seus nomes escritos sobre uma circunferência.

Os poderes designados aos Reis aparentam manter uma relação maior com uma natureza planetária do que esses poderes associados a letras individuais dos seus nomes. Porém, há algumas instâncias para onde os poderes aparentam serem impróprios para o planeta associado, e outros onde o poder do Príncipe não outorga com o do Rei.

Os 42 ministros nomeados para cada Rei são divididos em seis grupos cujos sete membros têm nomes formados pelas mesmas letras. Cada grupo rege uma seção de um quatro de hora do dia, começando à meia-noite. O primeiro grupo é tipicamente representado como expressando uma mais pura forma do poder do Rei que os cinco grupos remanescentes. Como no caso do lâmen e da mesa santa, os nomes dos ministros são derivados da tabela dos 49 anjos. Para os ministros, um método diferente foi usado para extrair os nomes para o conjunto de cada Rei. Também previamente, os nomes foram dados aos magistas antes do método de extração ser explicado.

PARTES PERDIDAS

Em vários trechos dos registros, são feitas referências a respeito de um “Grande Globo”, aparentemente um diagrama de algum tipo que não está entre os documentos que foram publicados até o momento. Neste contexto, parece que poderia ser uma variação adicional da Tabula Bonorum, ou dos 7 talismãs dos quais a Bonorum foi feita. Como Dee descreve-o:

“…Há letras importantes abaixo dos nomes do Rei e caracteres: e também há outras letras com números: … e além destas letras, algumas são versas e outras reversas.”

Aparentemente Kelley recebeu este diagrama em algum momento quando Dee não estava presente; Dee se refere a eles como tendo sido trazido a ele através de Kelley. Os anjos afirmaram todavia que ele era importante para o uso da magia.

Esta tabela seria usada na criação de talismãs para invocações dos anjos da Heptarchia.

Um exemplo de tal talismã mostra o sigilo de um dos Filhos da Luz em seu centro, com o nome de um Rei Heptárchico em um círculo ao redor dele. Um círculo exterior na parte reversa e letras normais forma a circunferência do talismã perdido.

MÉTODO DE USO

Nas sessões da primavera de 1583, os anjos indicaram que numa delas foi planejado que instruções detalhadas seriam dadas para o uso do sistema mágico da Heptarchia. Se esta sessão aconteceu, não está nos registros sobreviventes, mas alguma ideia da técnica geral pode ser recolhida de comentários de outras partes do registro.

O magista seria assentado à mesa santa usando o anel e o lâmen. A Insígnia do Rei a ser invocado seria colocada na mesa antes dele. Ele seguraria um talismã apropriado do Rei Heptárchico em uma mão, com um talismã dos nomes dos ministros do Rei colocados debaixo de seus pés. O magista chamaria o Rei então através de petição e oração, seguida pela exortação ao Príncipe dele, e invocações dos seis ministros principais. Eles apareceriam na Bola de Cristal, ao que o mágico os encarregaria a executar a tarefa por ele desejada.

Os manuscritos originais, deixados por John Dee, são bastante confusos e estão cheios de “buracos”. O sistema foi completamente ignorado tanto pela Golden Dawn como por Crowley, e muitos dos magistas modernos preferem trabalhar somente com as Chamadas Angélicas, deixando a Heptarquia como mera curiosidade histórica.

Analisando-se o processo da Heptarquia Mística como fenômeno mágico, podemos facilmente perceber a influência dos rituais de Goetia, ao mesmo tempo em que percebemos uma tentativa de se liberar desse sistema.

A magia em geral evolui em ciclos, e nessa ocasião o que imperava era justamente o conceito da magia mais supersticiosa, apoiada na crendice popular e no animismo.

Podemos até dizer com algum grau de precisão que John Dee, ao desenvolver o sistema de Magia Enochiana, antecipou o ciclo que só viria realmente tomar forma depois da Golden Dawn.

No presente trabalho não nos ocuparemos deste método, pois em breve pretendemos lançar um trabalho dedicado somente ao sistema da Heptarquia, trazendo informações e métodos importantes de trabalho.

Dos autores modernos, somente uns poucos têm se habilitado a trabalhar com a Heptarquia. Muitos a consideram uma versão de luxo da Goetia de Salomão. Com isso, a Heptarquia tem sido posta de lado, como se fosse menos nobre do que o restante do sistema. O sistema completo está registrado no manuscrito de John Dee, chamado de De Heptarchia Mystica.

Uma Heptarquia é um governo de sete regentes. Devemos lembrar que a Inglaterra anglo-saxônica era formada por 7 reinos, chamado
Heptarquia. A relação com os planetas ainda é evidente também nesse conjunto septenário. Porém, é importante salientar, que essa regência celestial não é apenas atribuída aos 7 planetas, de sol a saturno somente, mas também aos sete regentes do universo.

Como foi dito acima, não nos deteremos mais que o suficiente para explicar o sistema. Portanto, seguimos apenas com um resumo de como se prepara para usar a Heptarquia.

Antes de se realizar um ritual heptárchico, sugere-se:
· Alimentar-se moderadamente;
· Manter uma higiene cuidadosa;
· Manter o local limpo e arrumado;
· Evitar o uso de drogas, álcool e tabaco (pela minha experiência pessoal, é importante observar a regra);
· Observar a castidade (pela minha experiência pessoal, é resquício judaico-cristão);
· Evitar comportamentos extremados.

Sugere-se uma prece para iniciar os trabalhos e normalmente segue o modelo usado por John Dee em seus diários. Para os que
desejarem a prece original, ela pode ser encontrada nos diários do Dee, ou no livro de Donald Tyson, Magia Enochiana. Aqui, no entanto, prefiro uma versão menos imbuída de conceitos judaico-cristãos.

Curiosamente, se observarmos os diários de Dee, e eu mesmo possuo experiência semelhante nas minhas práticas, os anjos parecem ignorar completamente os conceitos religiosos expressados pela humanidade. Portanto, o modelo proposto aqui é um pouco menos apegado às figuras da Igreja Católica Romana.

“Ó Senhor do Universo, a quem nada, a não ser o silêncio pode expressar; Tu que te manifestas de mil formas entre os povos da Terra; Tu que não tens genealogia; deus entre os deuses, o que regula a existência de todos os seres, ouça-me: Peço a vós que me auxilie no desejo sincero de obter o conhecimento das coisas sagradas e da própria natureza do universo. Que tua mão me conduza entre os mistérios e me faça conhecê-los e dominá-los.

Que pelos teus senhores e governantes heptarquiais, que são reflexo da tua existência e retidão, eu, _______ (diga seu nome), venha a conhecer e a obter a visão e a conversação com teus anjos, de todas as esferas de poder, do mais alto ao mais baixo. E que assim, possa contar com o auxílio deles.

Que meu chamado seja abençoado por tua energia e bondade, que doravante meu corpo seja puro e forte, e que minha palavra seja confiável e reta, para que teus servos também atendam a meus chamados prontamente, como se ordem tua fosse.

Assim, que os quatro protetores dos quatro quadrantes (Rafael, Gabriel, Mikael e Auriel), protejam meu corpo e meu espírito de ataques de qualquer natureza (física ou espiritual). E que teus servos, Ministros dos Mistérios Heptarquiais, os Sete Reis Poderosos, os sete Ministros magníficos, e os súditos e serventes que lhes pertencem, tenham em mim um reflexo da tua imagem e poder.

Deposito em ti minha confiança, e que o poder a mim entregue, seja utilizado no engrandecimento da Grande Obra Enochiana, por minhas mãos, sem qualquer reserva mental ou espiritual.

Assim Seja.”

PRONÚNCIA DE PALAVRAS ENOCHIANAS

A pronúncia das palavras em Enochiano muitas vezes parece estranha ou difícil ao estudante, e também difícil de se lembrar, pois a maior parte das letras parece dispostas aleatoriamente.

As palavras enochianas são formadas por vários sistemas de quadrados mágicos. Seu significado e poder advém da posição das letras no nome sobre aqueles quadrados.

A Verdadeira Forma do Enochiano é desconhecida atualmente.

Baseado nos escritos de John Dee supõe-se uma pronúncia, mas sem qualquer certeza definitiva. O que propomos aqui é uma padronização para a língua portuguesa desse método.

A PRONÚNCIA DA GOLDEN DAWN

A Golden Dawn desenvolveu seu próprio método de pronúncia enochiana que é dado a seguir:
O que segue foi escrito por S.R.M.D.

“Em breve, no que diz respeito à pronúncia da Linguagem Angélica, a regra é que as consoantes são pronunciadas junto com a vogal que na nomenclatura da mesma letra em hebraico segue a consoante correspondente. Por exemplo, no caso da Beth, a vogal ‘E’ é a que segue a consoante ‘B’, e então, se sucederá que num Nome Angélico a ‘B’ precede a outra consoante como no caso de ‘SOBHA’, a pronúncia será ‘SOBEH-HAH’.

‘G’ pode ser tanto Gimel como Jimel (que é como os Árabes a chamam) segundo que seja forte ou fraca.

O ‘Y’ e a ‘I’ são semelhantes e o mesmo ocorre com o ‘V’ e o ‘U’, que podem ser usadas como vogais ou como consoantes. O ‘X’ é o valor da Samekh do egípcio antigo, mas há alguns Nomes hebraicos nos quais o ‘X’ tem o som de Tzaddi.”

Num ritual escrito por S.A. são dadas as seguintes regras para a pronúncia dos Nomes:

“Para pronunciar os Nomes tome-se cada letra
separadamente. O ‘M’ é pronunciado como Em; o ‘N’ como Em (também como Nu, já que em hebraico a vogal que segue a sua letra equivalente Nun é a letra ‘U)’; o ‘A’ é Ah; o ‘P’ é Peh; o ‘S’ é Ess; o ‘D’ é Deh.

NR FM é pronunciado Em-Ra-Ef-Em ou Em-Ar-Ef-Em. ZIZA é pronunciado Zod-ih-zod-ah.

Adre com Ah-Deh-Reh, ou melhor, Ah-ih-ahoh-ah-ih.

BDOPA é Beh-deh-oh-peh-ah.

BANAA é Beh-ah-em-ah-ah.

BITOM é Beh-ih-to-em, ou melhor, Beh-ih-teh.

NANTA é En-ah-em-tah.

HCOMA é Heh-co-em-ah.

EXARP é He-ex-ar-peh.”

Crowley usou o mesmo método, mas com algumas modificações que não serão citadas aqui. Sobre isso, só podemos dizer que ambos, a Golden Dawn e Aleister Crowley falavam o Enochiano erroneamente.

A PRONÚNCIA DO ENOCHIANO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Segundo estudos mais recentes de pesquisadores do Enochiano, a regra geral, para uma pronúncia próxima da usada por Dee e Kelly, seria consoantes como em inglês, e as vogais como nas línguas latinas, quase sempre abertas. Logo, daremos abaixo alguns exemplos simples e outros não tão simples, para que o estudante possa se basear na hora de pronunciar palavras e nomes em Enochiano.

Nas palavras onde existem vogais, pronuncia-se a palavra usando o som da própria vogal. No caso de palavras onde existem consoantes mudas, deve-se substituir pelo som normal da letra.

Algumas letras e palavras ainda assim possuem anotação no material de Dee, como “Ds” (quem, aquele), pronuncia-se “Dies”.

O “Z”, como o próprio Regardie anota, pronuncia-se “Zod” quando não é mesclado com o restante da palavra, mas nem sempre. Por exemplo, o nome do Anjo “Zaxanin” poderia ser vocalizado como “Zaksanin”, mas a palavra “Znurza” deve ser pronunciada como “zodnurza”.

Dee ainda indica que o “Dg” é usado para indicar um “g” suave, e o “S” para indicar um “C” suave.

Em muitos lugares indica que o “Ch” é pronunciado como “K”.

Exemplos:
Tplabc ……….. Tepelabêcê
Rxnl ………….. Rekesnele
Cla …………… Cela
Bdopa ……….. Bedopa
Hcoma ………. Hecoêma
Bitom ………… Bitoêm
Exarp ………… Eksarpê
S ……………… Ése
Ds ……………. Dies
Z ………………. Zod


A melhor regra para o Enochiano, é treinar cada palavra que será usada no ritual, de modo a adquirir fluência.

Os nomes e palavras em Enochiano funcionam como os nomes bárbaros usados em muitos rituais. Sua pronúncia quase sempre é desconhecida, mas as forças cegas às quais correspondem atendem o chamado do praticante desde que a força usada seja correta. Ou seja, mais que a pronúncia, a atitude do mago é que conta.

Visite também o grupo: http://br.groups.yahoo.com/group/ponte_oculta.com/

FONTE: PONTE OCULTA: SISTEMA ENOCHIANO IV

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