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DESCOBERTA DE UMA ESTELA MAIA FALANDO SOBRE A RAINHA SERPENTE E UM PERÍODO NEGRO DA CIVILIZAÇÃO MAIA

Uma equipe de arqueólogos, enquanto realizavam uma série de escavações sob o templo principal da antiga cidade maia de El Perú-Waka, no norte da Guatemala, descobriu uma monumento de pedra finamente esculpido.

O texto em hieróglifo narra as aventuras de uma princesa do século VI pouco conhecida pelos pesquisadores, cuja descendência prevaleceu depois de uma luta sangrenta entre dinastias reais para a tomada do poder.

“Os grandes governantes gostavam de descrever a adversidade como um prelúdio para o sucesso final”, disse David Freidel, professor de antropologia da Universidade de Washington e coordenador da pesquisa. “Aqui a ‘Rainha Serpente’, Lady Ikoom, acabou por prevalecer”. A escultura, oficialmente batizada com o nome de “Stele di El Perù 44”, oferece uma riqueza de novas informações sobre um período negro da história maia, incluindo os nomes de dois governantes maias desconhecidos e as dinâmicas políticas que ocorreram após o seu desaparecimento.

“O relatório da Estela 44 é cheia de voltas e reviravoltas, semelhantes às que ocorrem durante as guerras, mas raramente foram detectadas pela arqueologia pré-colombiana”, diz Freidel. “A informação contida no texto fornece um novo capítulo sobre a história do antigo reino Waka e as suas relações diplomáticas com os poderosos reinos de seus contemporâneos.”

Os pesquisadores acreditam que a estela foi feita há 1.500 anos por um descendente da dinastia Wak Wa’oom Uch’ab Tzi’kin, um título que pode ser traduzido como “Colui che alza l’Offerta della Aquila”. Depois de ser exposta por de mais de 100 anos, a estela 44 foi colocada no interior do novo templo de El Perú-Waka.

Mas o personagem mais intrigante e enigmática que emerge é Lady Ikoom, uma princesa desconhecida para os investigadores e que deve ter sido importante para aqueles que queriam a estela.

Os pesquisadores acreditam que Lady Ikoom pertencia à dinastia Kan (Serpente) e foi dada em casamento a um dos governantes de El Perú-Waka como uma ferramenta para consolidar o controle da dinastia Kan nesta região. Era a prática da dinastia Kan para dar como esposas suas princesas e mulheres nobres aos governantes de estados vassalos, como o reino de Wak. Mulheres como K’abel criaram uma ligação familiar com as grandes cidades do norte, como Calakmul. Foram representadas nos monumentos e tornaram-se parte do simbolismo político nos reinos menores.

Lady Ikoom precedeu uma das maiores rainhas do período clássico da civilização maia, Lady K’abel, a soberana que foi chefe do reino de Wak entre 672 e 692 d.C., e conhecida pelo nome de “Senhora do Deus Serpente”. Casada com o rei K’inich Bahlam, possui o título de “Kaloomte”, isto é, o guerreiro supremo.

No final do século VII, a estela foi tomada no templo principal da cidade, por ordem do K’inich Bahlam e enterrada como oferenda, provavelmente como parte dos ritos fúnebres em honra de sua esposa K’abel.

Foi apenas Freidel, com sua equipe, em 2012, que descobriu o que poderia ser o túmulo de Lady K’abel no templo de El Perú-Waka.

Apesar do mau estado de conservação do esqueleto ter impedido determinar com certeza seu sexo e idade, as características do crânio parecem coincidir com as de um retrato antigo do severo rosto da rainha Maya.

De acordo com os pesquisadores, a estela 44 foi construída no final de um período muito negro na história dos Maias, que durou cerca de 100 anos e caracteriza-se por amargas guerras e conquistas. A estela mostra que, ao longo do seu reinado, o soberano Chak Took Ich’aak tornou-se um vassalo da dinastia da serpente, diz Freidel. Na sua morte, seu filho Tikal sucedeu-lhe no poder, recusando-se, no entanto, à imposição de vassalagem externa. “Esta mudança dramática deu origem a uma série de batalhas que levaram à derrota de Tikal”, relata Freidel. “O soberano derrotado foi sacrificado para Rei Serpente em 562 d.C.”.

Freidel e sua equipe vão continuar a estudar a estela 44 para encontrar mais pistas sobre o pano de fundo da história Maya. “Embora o texto da estela esteja preservada apenas em parte, revela um momento chave na história do Waka”, diz Freidel.

Fonte: Il Navigatore Curioso

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