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O Universo das Fadas e Elementais

Nas culturas tradicionais o termo “Fada” estava relacionado às forças femininas da Natureza ou diferentes elementos da Natureza. O termo “Fada” já foi aplicado a ninfas e demônios, espíritos e gênios, fantasmas e goblins, djins e dakinis.

 

Originariamente, a palavra fada vem do francês antigo “Faerie” e este por sua vez vem do latim fatua, “visionária”, e “fatum”, fado, destino.

Para os povos germânico, anglo-saxônico e mesmo grego- romano as Fadas (ou equivalentes) tinham relação com o destino, fatalidade. Para  esses povos Fadas eram entidades diretamente ligadas às forças capazes de alongar ou abreviar uma vida humana, referindo-se daquilo que nos está fadado.

O conceito popular New Age que todos os Seres Faéricos (elementais) são seres de luz amigáveis é totalmente equivocado. As Fadas são de natureza elemental e, como tais, são criaturas amorais e seu comportamento depende muito daqueles que fazem contato com tais seres. Na Alta Magia a chamada “Magia das Fadas” é um tópico importante, mas que difere da abordagem superficial e ingênua em que é tratado na maioria das tradições neopagãs que tratam do mesmo tema. De forma alguma é um assunto para iniciantes em ocultismo prático.

A palavra “Elemental” não significa apenas as criaturas dos quatro quadrantes, mas designa também muitas outras criaturas (fays, ninfas, fadas, goblins, djins etc) algumas das quais se divertem causando perturbações e outros afetam a psiquê humana de forma obsessiva e podem mesmo drenar/vampirizar nossas energias. Os habitantes dessas estranhas regiões são amoraes e podem mesmo ser um pouco caprichosos, e há muitas armadilhas para os incautos. Entretanto, o Magista deve saber lidar com os vários tipos de Elementais fazendo deles aliados de seu trabalho mágico.

Alguns associam as Fadas aos humanóides altos e esbeltos que os celtas chamavam de sidhe. Também já foram associadas aos genius que eram figuras aladas masculinas e femininas, por vezes híbridas, na arte do oriente antigo. Para outros, as Fadas podem ser criaturas diminutas dotadas de asas delicadas, cavalos feitos de água, com cascos de aço, ou fantasmas lamurientos cuja presença vaticina a morte. As tribos germânicas chamavam tais seres de Elfos, enquanto os povos bálticos conheciam-nos como Laume que, em geral, eram tidos como favoráveis aos seres humanos.

Todas essas criaturas podem ter sido inspiradas na antiga Tradição das Fadas, mas nenhuma delas apreende uma parte significativa da verdade. A verdade é que em seus reinos encantados as Fadas não costumam ter forma definida, e elas são tão poderosas e incompreensíveis quanto os deuses.

De fato, a palavra “Fada” foi suavizada nas últimas décadas assumindo por vezes uma aparência branda de esoterismo new-age. Na verdade, o Culto aos Encantados (seres faéricos) apresenta uma longa tradição na magia branca européia onde os antigos deuses de uma religião são transformados em deuses menores e elementais e vão habitar o mundo subterrâneo, o interior das florestas e profundezas das águas.

O equivalente oriental das Ninfas ou fadas gregas no Budismo Tântrico são as Dakinis.

Versados Gurus da Tradição dos Siddhas Yogues (Magos Tântricos) são  unânimes em afirmar que o trabalho avançado ao atingimento do Estado de Buddha (Iluminado) exige, em um certo ponto do processo místico, prestar um culto de oferendas propiciatórias aos Viras (Heróis) e Dakinis (Fadas) e entidades não-humanas similares. Isso tem que ser assim porque, para se conquistar os poderes místicos (siddhis) necessários para vencer os inúmeros obstáculos da conquista espiritual, o tântrico tem que se estabelecer com segurança no Plano Astral, onde habitam esses seres. Como o mago ocidental o tântrico (seja ele budista ou hindu) sabe que as dimensões astrais funcionam como uma espécie de plataforma para os reinos espirituais superiores.

“(…) Em geral essas oferendas rituais devem ser de comida, da qual os “Hérois” e “Fadas” extraem em invisíveis essências espirituais de que se nutrem. Essa moderna prática tibetana, e também hindu, lembra aquelas dos antigos e altamente civilizados gregos, de sacrificar aos demônios, na crença de que estes apreciavam o odor de oferendas queimadas. E o camponês celta (…) ainda faz oferendas de alimentos à “boa gente”, aos “duendes”, diabretes (leprechauns) e outras criaturas mágicas, da mesma forma como o camponês bretão o faz em favor dos espíritos dos mortos, para que esses habitantes do Além-mundo Celta venham se mostrar amistosos em vez de hostis, protegendo assim o lar e a família e causando o crescimento dos rebanhos e uma safra generosa no ano vindouro.” (W.Y. Evan-Wentz)

Os Viras Tibetanos equivalem aos Daemons gregos, muitas vezes associados aos guerreiros mortos nos campos de batalhas, que após o desencarne transformavam-se em Gênios Protetores (daemons) de uma religião ou culto.

Por sua vez as Dakinis, como as Ninfas gregas, muitas vezes eram vistas como demônios alados. Dakinis, segundo a Tradição Budista Vajra, são dotadas de poderes mágicos e sobrenaturais e prestam assistência divina ao tântrico que as invoque no momento de executar um ritual difícil, além de ajudá-lo a aprofundar seu discernimento espiritual.

Não é difícil ver as Dakhinis surgirem como mulheres com a cabeça de um leão ou de um pássaro, e com a face de um cavalo ou de um cão. A aparência demoníaca que esses seres etéreos apresentam ao não-iniciado deve-se ao fato que eles parecem personificar tudo que nós não podemos ajustar ao nosso mundo de pensamento bem ordenado, e que por essa razão nos parece ameaçador, perigoso e aterrorizante.

Esses seres etéreos trabalham no interior do nosso inconsciente e agem como impulsos atavísticos vinculados à questão do nosso destino, descendência e imortalidade.

É comum no Budismo Tibetano (e no Xamanismo Nepalés) Dakinis iniciarem noviços nos ensinamentos secretos dos Tantras. Aliás isso foi comum também na tradição da magia medieval européia quando lemos inúmeros relatos de transmissão de gnosis (conhecimento) e poderes mágicos do Mundo de Elphame para os humanos.

Sem dúvida, as fadas, sidhes, dakhinis são forças da Natureza que nos convidam a entrar em nosso reino inconsciente e emergir dele com a luz da gnose, estejamos ou não preparados para isso.

Sobre o Autor: Helio Kerikeyon

Helio Kerikeyon é praticante de Artes Mágikas e Terapias Holísticas. Como fundador da Ordo Umbrae Lucet escreve sobre Alta Magia, Bruxaria Luciferiana e temas correlatos.

E-mail: heliomonteiro1966@gmail.com

Telefones de contato:  22 81709992 (TiM) /  22 99334062 (VIVO)

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Sobre Kerykeion

Sobre Helio Kerykeyon Helio Kerykeion é graduado em Educação Física, Seitai (quiropraxia japonesa) e estudioso de Filosofia Yogui, Ocultismo Tântrico e Espiritualismo desde a década de 1980. Em 1991 recebeu iniciação mística no Budismo Vajrayana e em 2011 nos Ritos Tântricos da Anuttara Amnaya (Suprema Consecução). Helio Kerykeion é fundador da Escola Shamballa de Terapias Iniciáticas e Formado como Reiki Master nos sistemas de Reiki Xamânico (Amadeus e Ma’Heo’o ), Reiki Cosmo-Ascensional (Sete Pérolas) e Wicca Reiki (Reiki Mágico). É certificado como Sensei (professor) nos sistemas Gendai Dentho Reiki (Tradicional Japonês) e Bushidô Reiki (Reiki Samurai) assim na Iniciação Egípcia YOD e Ordem de Melchizedek. Helio Kerykeion é versado nas técnicas de Alta Feitiçaria e Alquimia Sexual da Ordo Lotus Nigra, fraternidade ocultista por ele fundada e na qual cumpre a função de Hierofante. Também mantém os graus de Aprendiz, Servidor, Sacerdote e Grão-Sacerdote dos Mistérios Thelêmicos e Gnósticos do Club Choronzon na linhagem de sucessão de Peter R. Koenig, Hyeronimus II (Geoffrey George) e Frater Shabbathai (Fernando Liguori). endereço e-mail: heliomagista@1966@gmail.com endereço Ordo Lotus Nigra (O.L.N) facebook: https://www.facebook.com/groups/1379191525636747/

Um comentário em “O Universo das Fadas e Elementais

  1. Realmente ótimo. Imparcial e muito claro. Parabéns!

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