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O BUDDHA SIDDHARTHA E A TRAJETÓRIA DO HERÓI

Resumo
A história de Siddhartha Gautama, o Buddha, traça uma trajetória que pode ser comparada ao “Monomito” ou “Mito do Herói”. Nesta perspectiva pretende-se analisar as narrativas de sua vida dentro deste esquema teórico-metodológico, considerando três fases a serem exploradas: de início a separação, medianamente a iniciação, e por fim, o retorno, as quais se configuram como as fases básicas da estruturação do Mito do Herói. Analisando a trajetória do Buddha Gautama, percebe-se a simetria nos acontecimentos de sua vivência com a trajetória do herói.

Além desse primeiro ciclo, e indo um pouco além do esquema utilizado, vislumbra-se através dele, um ciclo metafísico de crescimento da individualidade que busca a integração com o todo ou essência divina, traçado exotericamente dentro do indivíduo, que poderia por similitude ser assim representado: desapego–superação–doação. Essa investigação, de cunho bibliográfico e caráter exploratório, busca traçar paralelos entre a história do Buddha Gautama e o ciclo percorrido pelo herói mitológico como forma arquetípica de vivência humana à procura da auto-superação enquanto caminha para a iluminação espiritual.

Palavras-chave: Mito, Monomito, Budismo.

Introdução
A história de Siddhartha Gautama, o Buddha, traça uma trajetória que pode ser comparada ao “Monomito” ou “Mito do Herói”. Não se quer com isso, negar a existência histórica de tal personalidade, nem se trata, aqui, de buscar provas para afirmá-la. O que se pretende, é analisar as narrativas de sua vida dentro do esquema em que se enquadra o monomito.

Os dados da vida do príncipe Siddharta foram analisados a partir da obra Mitos Hindus e Budistas de Ananda Coomaraswamy e Irmã Nivedita onde os autores procuram condensar sua história, retirando o que eles pensam ser a parte mitológica, ficando a parte histórica provável.

Usar-se-á também o esquema simplificado proposto por Joseph Campbell no livro O Herói de Mil Faces, onde ele mesmo propõe esse paralelo, não só com a vida do Buddha, mas com diversos outros personagens, históricos ou não:

“O percurso da aventura mitológica do herói é uma magnificação da fórmula representada nos rituais de passagem: separação-iniciação-retorno que podem ser comparados à unidade nuclear do monomito” (CAMPBELL, 2007, p.36).

Serão essas três fases, portanto, a serem exploradas utilizando-se do esquema observado na citação de Campbell: de início a separação, medianamente a iniciação e por fim, o retorno.

1. Separação
O Príncipe Siddhartha nasceu no clã dos Shakyas, filho do Rajá Suddhodana. O nome de sua família era Gotama ou Gautama. Casou-se com sua prima Yoshodhara, teve um filho e viveu rodeado de luxo e riquezas, uma existência despreocupada até os seus 29 anos.

Nessa idade:

“…tendo-se deparado com quatro pessoas que lhe expuseram a velhice, a doença, a morte e por último o digno afastamento do mundo, o problema do sofrimento apresentou-se-lhe de modo repentino e opressivo” (COOMARASWAMY, 2002, p.234).

Ocorre aí o chamamento, fator primordial do apartamento do herói de sua antiga realidade. O fator sofrimento, a que ele era antes alheio, tirou Siddhartha do mundo idealizado em que habitava e, apresentando-lhe uma nova realidade:

“A façanha convencional do herói começa com alguém a quem foi usurpada alguma coisa, ou que sente estar faltando algo entre as experiências normais franqueadas ou permitidas aos membros da sociedade. Essa pessoa então parte numa série de aventuras que ultrapassam o usual, quer para recuperar o que tinha sido perdido, quer para descobrir algum elixir doador da vida. Normalmente, perfaz-se um círculo, com a partida e o retorno” (CAMPBELL, 2003, p.131).

Nesse caso, o motivo gerador para a mudança de conduta foi a incerteza da felicidade humana que o inquietou, levando-o a separar-se da própria família e das facilidades que usufruía, partindo em busca de novos caminhos.

“Na verdade, o que conduz os homens aos grandes feitos é o perigo e a vida difícil, e não a segurança e a felicidade” (COOMARASWAMY, 2002, p.234).

Otto Rank (1914) em sua obra O Mito do Nascimento do Herói analisa os mitos de diversos personagens, como, Moises, Paris, Perseu, Gilgamesh, Jesus, dentre outros. Percebeu ele, símbolos recorrentes em todos esses mitos, tais como a água, a luta para nascer e, por fim, a vitória do herói. Ele afirma, no livro acima citado, que o mito do nascimento do herói, nos conta que tal qual o príncipe Siddhartha:

“…somos todos heróis ao nascer, quando enfrentamos uma tremenda transformação, tanto psicológica quanto física, deixando a condição de criaturas aquáticas, vivendo no fluido amniótico, para assumirmos, daí por diante, a condição de mamíferos que respiram o oxigênio do ar, e que, mais tarde, precisarão erguer-se sobre os próprios pés. É uma enorme transformação, e seria, certamente, um ato heróico, caso fosse praticado conscientemente. E existe aí também um ato heróico de parte da mãe, responsável por tudo isso” (RANK, 1914, p.147).

Em sua linha de raciocínio, mitos são derivações de dramas infantis. E, a eliminação do ego infantil é a maior das lutas na passagem do jovem para o adulto. Os embates internos são muito mais difíceis e complicados do que combater outro ser humano. Dessa forma, a independência é conquistada quando se desprende da dependência dos pais. O primeiro passo para essa conquista é a oposição à ordem vigente e, todo herói começa por rebelar-se contra uma figura de autoridade:

“Começa sua carreira em oposição à geração mais velha. Ele é ao mesmo tempo um rebelde, um renovador e um revolucionário. Entretanto, todo revolucionário é originalmente um filho desobediente, um rebelde contra o pai” (RANK, 1914, p.95).

A oposição é sem dúvida o ponto de partida do caminho para encontrar a individualidade, mas não é o fim, é o primeiro passo. Assim o fez o Buddha ao abdicar de riquezas e poder. Não se quer com isso afirmar que toda ela seja concluída a contento, mas sim que faz parte do processo.

2. A Iniciação
Após abandonar seu palácio, o príncipe seguiu vários brâmanes, escutou suas pregações, meditou a respeito de suas filosofias, mas ainda não se satisfez. Partiu para a floresta com o intuito de passar penitências, sozinho “à maneira dos ascetas brâmanes, para obter poder sobre-humano e discernimento” (COOMARASWAMY, 2002, p.234).

Como, com esse método, ainda não alcançou o fim desejado, tornou a alimentar-se normalmente, escandalizando seus discípulos, que o deixaram. Ficando novamente só, passou pela prova da tentação “simbolicamente referida como tendo sido representada por Mara, o demônio, na forma de tentação material e agressão” (COOMARASWAMY, 2002, p.235). Saindo incólume, o antigo príncipe alcançou a iluminação quando, “pela madrugada, veio a perfeita sabedoria e Gautama tornou-se Buddha, o iluminado (COOMARASWAMY, 2002, p.235).

Tem-se aí, claramente descrita a iniciação do herói que “vindo do mundo cotidiano se aventura numa região de prodígios sobrenaturais ali encontra fabulosas forças e obtém vitória decisiva” (CAMPBELL, 2007, p.36). Todo esse simbolismo traduz o processo do jovem em busca de sua maturidade psicológica: “evoluir dessa posição de imaturidade psicológica para a coragem da auto-responsabilidade e a confiança exige morte e ressurreição” (CAMPBELL, 2003, p.132). Ao obter uma “vitória decisiva” ele conseguiu a auto-superação, deixando morrer o adolescente para adentrar na fase adulta. Venceu a si mesmo ao ultrapassar todos os percalços do difícil caminho escolhido: “solidão, desejos, abandono, tentações. Esse é o motivo básico do périplo universal do herói” (idem, p.132).

3. O Retorno
Alcançando a iluminação, tornando-se Buddha, Siddharta passa a refletir no modo de partilhar a experiência com seus semelhantes. Ponderando a respeito das dificuldades do processo, uma se sobressai: como proceder no intuito de: “persuadir alguém da verdade de uma doutrina de auto-salvação pelo auto-controle e pelo amor”, sem utilizar-se dos mecanismos que os outros religiosos usavam até então – rituais e teologias – “nos quais os homens por toda parte e durante todo o tempo o tempo se apóiam?” (COOMARASWAMY, 2002, p.)

Movido dessa vez pela compaixão, pelo amor e pelo altruísmo, opta pelo difícil caminho do retorno. Em Benares, na região de onde partiu, iniciou seu sacerdócio. Por 45 anos pregou sua Doutrina expandindo-a aos estados circunvizinhos, fazendo seguidores e discípulos.

A jornada do herói é vivenciada em profundidade, até o âmago do espírito humano. E, após uma experiência transformadora:

“O herói retorna de sua misteriosa aventura com o poder de trazer benefícios aos seus semelhantes” (CAMPBELL, 2007, p.36).

O Buddha Siddhartha, como a maioria dos heróis, não teve uma morte natural: sucumbiu envenenado. Não deixou por isso de exemplificar, aceitando a situação e cumprindo seu destino com calma e resignação até o fim. Fecha-se, neste ponto, o ciclo de atuação do herói que segundo Arnold Van Gennep (1960) é possível de ser traduzido em três fases, semelhantes às de Campbell (2007), mas que ele deu uma interpretação psicológica: primeiro a separação que seria o desprendimento dos pais e do ego infantil; segundo a busca da autonomia, que é o trabalho objetivando despertar as qualidades do adulto; e a última, a agregação, que traduz-se pela aquisição do domínio de si, quando o jovem retorna não mais como criança, mas como adulto.

4. O Mesmo Herói em Várias Culturas
Otto Rank (1914) identifica as semelhanças do Mito do Herói ao redor do mundo e faz menção a algumas teorias de outros pesquisadores que também tentaram explicá-las. Entre elas a “Idéia de Povo” de Adolf Bastian (1826-1905), que possuía uma ampla e diversificada formação acadêmica. Este autor desenvolveu esse conceito para explicar que as semelhanças nos mitos decorrem da existência de uma unidade psíquica da humanidade, ou seja, todos os humanos fazem parte de uma mesma rede neural. Este conceito será retomado por Carl Gustav Jung (1875-1961) que desenvolverá a partir dele os conceitos de arquétipos e de inconsciente coletivo.

Outra teoria citada por Otto Rank (1914) é a existência de uma comunidade original que cresceu e se espalhou por todo o globo enquanto retinha seus mitos originais. Isto explicaria as semelhanças entre os mitos. O primeiro autor a sugerir a existência de uma comunidade original foi Theodor Benfrey (1809-1881), um filologista alemão. Esta mesma teoria foi adaptada por Rudolf Schupert para explicar os símbolos recorrentes nos mitos. Otto Rank discorda das teorias de Theodor Benfrey e de Adolf Bastian. Para ele, a fonte do mito é o próprio ser humano. A constatação das semelhanças entre diversos mitos diferentes pode ser atribuída ao próprio ser humano, que guarda semelhança em todas as épocas e lugares independentemente de cor, de raça, de cultura ou de tempo histórico. Nesse ponto, Rank concorda com Campbell, a diferença entre eles é que para o primeiro, o mito do herói surge do drama infantil do incesto e para o segundo, o mito é uma produção espontânea dos recôncavos da psique, da parte mais transcendente do ser humano, impossível de ser explicada em palavras. Em contrapartida, para Joseph Campbell o mito do herói está relacionado com “a eliminação do ego infantil, quando vem à tona o adulto, seja menina ou menino” (CAMPBELL, 2003, p.147), enquanto Otto Rank faz a relação com a rebeldia do filho contra o pai.

5. Heróis e Realidade Pós-Moderna
As relações da realidade e do mito são apontadas por Gilbert Durand em sua obra As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Dentro dessa teoria, a realidade não é fruto dos fatos, ela é criada e interpretada a partir dos mitos, é imaginada. O real é acionado pela eficácia do Imaginário, das construções do espírito.

Na teoria do Imaginário de Gilbert Durand, os mitos nascem não do conflito com a figura paterna, mas sim do conflito com a morte. Os mitos seriam uma forma de compreender e/ou re-significar essa realidade: “Numerosos investigadores têm enfatizado que a compreensão da formação do mito requer o retorno para a sua derradeira fonte, a faculdade da imaginação individual” (RANK, 1914, p.66). De acordo com ela está a filosofia pregada pelo Buddha Siddartha, ao afirmar que nós fazemos a nossa própria realidade.

Na modernidade, o “desencantamento do mundo” – conceito de Max Weber para designar a perda da crença no sobrenatural e na magia – mudou não apenas a nossa percepção de mundo, mas também a forma como lidamos com ele, com o outro e com nós mesmos. Mudou as nossas concepções míticas:

“Uma vez que o ascetismo se encarregou de remodelar o mundo e nele desenvolver seus ideais, os bens materiais adquiriram um poder crescente e, por fim, inexorável sobre a vida do homem, como em nenhum outro período histórico” (WEBER, 2006, p.83).

Os heróis mitológicos continuam presentes na atualidade, mas redirecionaram suas performances: ligados ao mundo de consumo e sucesso instantâneo, suas imagens são as das celebridades, dos “homens de sucesso”. Seus feitos, não são lutas homéricas contra bestas e monstros, mas a escalada rumo à fama, o acúmulo de riquezas e de poder. Entretanto, passados os dias de negação absoluta do sobrenatural, “nosso tempo retoma” pouco a pouco “a consciência da importância das imagens simbólicas dentro da vida mental” (DURAND, 2002, p.42).

6. Considerações Finais
Analisando a trajetória do Buddha Gautama, percebe-se a simetria nos acontecimentos de sua vivência com a trajetória do herói. É inegável a semelhança com o esquema básico apresentado por Joseph Campbell em seu O Herói de Mil Faces: separação-iniciação-retorno. Ao analisar sua trajetória, constata-se além disso, semelhanças entre a sua trajetória e a de outros heróis, caracterizando o arquétipo do herói. A mesma estrutura está presente em diversos outros mitos através da história e em diversas culturas ao redor do mundo. Mudam-se as circunstâncias e cenários, mas a estrutura norteadora da jornada do herói continua presente. Ela atravessa inclusive a barreira imposta entre os sexos. Se tomar-se, por exemplo, o mito de Psiquê, encontrar-se-á uma figura feminina, passando por diversas provas que são típicas das enfrentadas pelo herói no monomito. Possuem em seu cerne a mesma estrutura do mito do herói, contado e recontado de diferentes maneiras.

Indo um pouco além, do esquema utilizado, vislumbra-se através dele, um ciclo metafísico que poderia ser assim representado: para tornar-se realmente um herói, um ciclo invisível é traçado dentro do indivíduo que consiste em desapegar-se da situação linear que está vivendo há algum tempo; passar por um aprendizado onde suas certezas anteriores são demolidas e superar-se usando o que restou para sua auto-reconstrução; e, por fim, ampliar ainda mais sua visão para perceber que, o único meio de continuar seu crescimento interior/espiritual é retornando renovado para doar desinteressadamente seu aprendizado àqueles que ainda não conseguiram nem perceber o início do caminho.

Separação–iniciação–retorno o ciclo proposto pelo monomito ou desapego–aprendizado/superação–doação, o grande ciclo do herói forjado pela própria coragem. A maior delas, a aventura do crescimento humano.

Os mitos continuam presentes em nossa sociedade, sinalizando caminhos muitas vezes antes percorridos. Não são mais fracos que os de qualquer outra sociedade ou de qualquer época, pois sua fonte geradora – os conflitos – continuam presentes hoje tanto quanto no passado. As inseguranças e buscas humanas também permanecem iguais. A tecnologia não supre a necessidade de convívio e de trocas afetivas, como também a necessidade de crescimento moral do Ser Humano. Atualmente, auxiliados pela expansão e relatividade teórico-metodológica e epistemológica, observa-se uma retomada de percepção em relação à importância da imaginação e dos mitos na vida cotidiana. Novas mitologias e novos heróis surgem e surgirão, refletirão as experiências humanas e as formas de organização social, como também as suas projeções de futuro.

Quanto ao crescimento interior, o príncipe Siddharta – transformado em Buddha, através da auto-iluminação – independente da discussão de sua existência histórica, lega à humanidade, um exemplo digno de respeito e admiração. Em sua jornada para a iluminação, o maior dos embates de Siddartha foi o combate interior, travado em sua mente. Aí está uma semelhança entre o mito em todos nós: esse embate mental que enfrentamos no momento da transição entre o adolescente e o adulto ou em todas as fases que possam representar situações caracterizadas pelos ritos de passagem rumo a uma possível maturidade espiritual.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. 11 ed.
SP: Pensamento, 2007.

CAMPBELL, Joseph, MOYERS, Bill. O Poder do Mito. 21 ed. SP: Palas Athena, 2003.

COOMARASWAMY, Anada e NIVEDITA, Irmã. Buda in, Mitos Hindus e Budistas. SP: Landy, 2002.

DURAND, Gilbert. As Estruturas Antropológicas do Imaginário. SP: Martins Fontes, 3 ed. 2002.

_________ L’imagination symbolique. 3 ed. França: Presses Universitaires de France, 1976.

RANK, Otto. The Myth of the Birth of the Hero: a psychological interpretation of mythology. Publicado no Nervous and Mental Disease Monograph Series No. 18, The Journal of Nervous and Mental Disease Publishing Company, New York,1914.

VAN GENNEP, Arnold. “The Rites of Passage”. University of Chicago Press, 1960.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. SP: Martin Claret, 2006.

Eline de Oliveira Campos
Especializanda em Ciências das Religiões. Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Licenciada em Artes UFPB.

Marileuza Fernandes Lima
Mestranda em Ciências das Religiões. Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Mestra em Ciência da Informação – UFPB. Especialista em Ciências das Religiões – UFPB.

André Miele
Mestrando em Ciências das Religiões – UFPB. Licenciado em Física – UFPB.

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