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I AM IN HELL! HELP ME!

13 de Setembro, sexta-feira.

Deitada, de bruços, de calcinha e camiseta, sobre o lençol negro, Clarice balançava os pés envoltos nas coloridas meias 3/4, seu corpo de curvas arredondadas parecia uma etérea estátua de mármore, o cabelo ligeiramente preso deixava seu pequeno rosto semi-coberto, os fios ondulados caiam ao lado dos olhos negros de cílios grossos, a boca carnuda parecia acompanhar o ritmo da letra da pesada música de death metal. Distraída, ela olhava as figuras sem nexo que ornavam as paredes de seu quarto, demora a perceber que o celular está tocando – somente o percebe pois a luz do visor pisca de forma incessante.
Era Matheus Cloude, um rapaz com quem esbarrara pelas madrugadas da cidade movimentada pelo movimento underground, ele a convidara para uma festa de rock pesado, que ela logo aceitara. Para que algo melhor que descontrair um pouco numa sexta?, era isso que ela pensara.
Pulando da cama Clarice abriu seu guarda roupa e rapidamente escolheu um micro vestido preto, uma meia-calça velha e suas botas, fez a maquiagem forte e saiu ainda com os cabelos desgrenhados, sua beleza nata não necessitava de excessivos retoques, a juventude ainda lhe dava o tom de graça celestial ao rosto, deixando-a com feições de anjo caído, uma lolita negra.

Era final de tarde, o sol era apenas um pobre brilho leitoso e débil atrás das camadas de nuvens, molhadas e ventosas estavam as ruas, o clima frio e o céu nublado davam um ar triste à cidade. Com o endereço na mão, Clarice pega o táxi. O local era demasiadamente afastado, entrando numa área da cidade que ela desconhecia, em uma esquina Matheus a esperava, quando o táxi pára ao seu lado, o rapaz acena cordialmente e abre a porta para que ela desça.

O rapaz estava vestido com extremo cuidado e sobriedade, o sobretudo aquecia-lhe o corpo, o cabelo negro caindo sobre os olhos cobria-lhe a tez pálida, os lábios finos e vermelhos se destacavam com facilidade no rosto afilado e tipicamente sulino, os olhos verdes levemente sombreados lhe davam uma expressão forte e atraente.

Sem delongas o rapaz deu-lhe o braço e foi guiando-lhe pelo caminho até um ponto no mínimo inesperado: um velho prédio, visivelmente abandonado, com letreiro de neon apagado e caído. Na parede havia a pixação em vermelho forte “THOSE WHO ENTER HERE WILL NO LONGER BE THE SAME”.(1)

* (1) “AQUELES QUE AQUI ENTRAREM NUNCA MAIS SERÃO OS MESMOS” *

Olhando-lhe nos olhos, Clarice disse:
Que brincadeira idiota é essa, Matheus?!
Sem nenhuma expressão de alteração no pálido rosto, ele disse com a voz calma:
Eu lhe disse que era uma festa exclusiva, somente para os escolhidos, venha comigo que não se arrependerá.
Levando a mão ao queixo, colocando os lábios pro lado esquerdo, ela suspirou e disse:
Ahh! Tudo bem, pior não pode ficar!
Matheus, olhando para os lados para certificar-se de que não havia nenhuma transeunte a vê-los, tirou do bolso uma chave de 4 lados e rapidamente abriu a velha porta, o local era escuro e sujo, segurando a mão de Clarice ele a guiou; como um gato, ele parecia enxergar perfeitamente no ambiente escuro. Chegou até uma nova porta, após abri-la, disse à garota:
Agora calma, deixe-me iluminar o caminho! – ele aparentava conhecer muito bem o local, colocando a mão para o lado esquerdo pegou algo e com a outra retirou um isqueiro do bolso, a chama logo revelou o que Matheus havia pego, um velho candelabro com uma vela de cera, ao acendê-lo ele a chamou para que o acompanhasse, primeiramente mostrando os degraus que haveriam de descer.
Quanto mais desciam mais se tornava audível a música, ao final do caminho Clarice se depara com um ambiente banhado pela luz vermelha das lâmpadas fracas e pessoas trajando negro – Nada além do esperado.
No palco a banda toca um som pesado, no balcão alguns bebem e nas paredes há alguns quadros, as figuras mostravam orgias, torturas e demônios, mas para Clarice nada mais eram que somente algo para acrescentar um diferencial ao subsolo do prédio abandonado.

Tentando desviar dos corpos que dançam freneticamente, Matheus e Clarice, vão até o bar. Pedem um vinho e logo são servidos pelo barman. Enquanto o rapaz sove lentamente o líquido da taça, Clarice o admira, antes ela não houvera reparado o quanto o mesmo era atraente, os olhos claros parcialmente escondidos sob os cabelos lhe davam um ar misterioso. Ela poderia passar horas apenas olhando-o e escutando-o, e não se cansaria.
O rapaz descansa a taça na mesa e a afasta de si, com um leve sorriso no rosto, diz:
Espere-me, irei cumprimentar um velho amigo.
Ela o segue com os olhos, desviando-se dos presentes, Matheus abre caminho até um rapaz de sobretudo vermelho acompanhado de uma jovem de feições delicadas e olhar forte, enquanto os olha Clarice saboreia o vinho lentamente, até que ela repara que a jovem que acompanha o amigo de Matheus a olha diretamente, nesse momento sua vista se torna embaçada, os corpos parecem moverem-se lentamente, a música se torna um som longícuo e ela ouve uma voz calma e penetrante em sua mente: “Ola, criança”. Ela tenta levantar-se mas sua coordenação falha, a banda parece tocar uma música cada vez mais forte, no entanto as batidas aceleradas de seu coração lhe são audiveis. Com passos debeis ela esbarra nas pessoas, que dançam de modo luxuriante, se assustando a cada olhar, os rostos de todos carregam uma expressão maligna que antes não era vista. Aos poucos os movimentos embalados pela música dão lugar a um grande bacanal violento.
Clarice, quase desmaiando, esboça um fraco sorriso.
Onde pensa que vai? – Diz o rapaz com uma expressão fria e perversa.

Segurando seus pulsos firmemente com apenas uma mão, ele tira de seu bolso um lenço e amarra os pulsos dela atrás de suas costas. Empurrando, a garota semi-desperta, ele a leva até a frente de um velho barril de carvalho destampado, sem entender nada Clarice o fita, seu rosto se contorce numa expressão de espanto quando o rapaz rasga sua calcinha, levanta a saia de seu vestido e abaixa sua alças deixando-lhe os grandes seios de bicos rosados à mostra. Matheus abre o ziper da calça expondo o pênis rígido e a penetra com força por trás, segurando-lhe os seios, ele os aperta e beija-lhe a nuca, fazendo-a gemer e suspirar em um misto de dor e prazer.
Respire fundo – diz o rapaz com a voz ofegante e, segurando-lhe os cabelos, a força a enfiar a cabeça no velho barril cheio de um líquido extremamente gelado.
Enquanto a garota tenta respirar o rapaz continua os movimentos de estocadas mais fortes e rápidos, retirando a cabeça da garota da água várias vezes para que esta possa recuperar ligeiramente o fôlego.
Ele retira a cabeça dela da água, segurando-lhe os cabelos, traz sua cabeça para próximo da sua e, com um tom de ódio, diz:
Está gostando, cadela?
Ainda tentando recuperar o fôlego, tossindo e respirando rápido, com os olhos ainda fechados, Clarice implora que ele pare e pergunta o motivo daquilo, mas a única resposta que ele lhe dá é a aceleração dos movimentos e o gosto da água em sua boca afogando-a enquanto ele a penetra.

Depois de inundá-la com seu gozo, o rapaz retira sua cabeça da água mais uma vez e beija-lhe a nuca, Clarice sente uma lâmina fria em suas costas que a faz estremecer, Matheus num movimento sutil faz um corte fino nas costas da garota e, levando o punhal até a boca, degusta lentamente com prazer o líquido escarlate ao limpar a lâmina com sua língua. Ele parece em êxtase ao passar o sangue dela, que escorre da ferida recente, em sua face. Clarice sente um pavor profundo ao olhar ao redor e ver que quase todos transam violentamente, ninguém ali parece se importar com o que está acontecendo com ela, apesar de estar no meio daquele bacanal frenético ela está mais sozinha e desprotegida que nunca.

O garoto a vira, deixando-a de frente para si e a beija com força, mordendo-lhe os lábios, Clarice sente o gosto de seu próprio sangue, mas não consegue se desvencilhar de Matheus, ele segura forte seus cabelos com a mão próxima à sua nuca e vai descendo os lábios pelo seu pescoço e colo, até chegar aos fartos seios com bicos ouriçados pela fria água do barril, com voracidade ele os abocanha enquanto a encurra-la de encontro ao velho barril. Os lábios do rapaz são ainda mais frios que água onde há pouco ela lutava para respirar, o toque de sua boca nos seios dela a deixa arrepiada.

Com a vista turva ela olha ao redor, a única que não estava participando daquela orgia grupal, naquele subsolo escuro, era a garota que antes acompanhava o amigo de Matheus, ela olha para Clarice diretamente, com um leve sorriso na face, sua voz invade novamente a mente de Clarice: Está se deliciando com meu paraíso?
“Quem sois?” – Responde Clarice em sua própria mente.
– “De hoje em diante serei tua mãe, tua deusa e tua amante! – diz a garota com o mesmo sorriso inflexível como numa boneca de porcelana, ela retira os cabelos negros de cima da face, que cobrem-lhe os olhos, revelando suas pupilas brancas, Clarice sente um raio penetrar sua mente e não mais a ouve.

Matheus arrasta Clarice, segurando no que ainda lhe resta das vestes negras, passa entre os amantes doentios que encenam o ato dantesco de luxúria – a orgia infernal é completa, os corpos pálidos se unem em posições inigualáveis, sangue, suor e gozo completam a cena.
Com uma das mãos derruba as garrafas vazias que jaziam em uma grande mesa poeril, deparando-se com uma ainda completa, diz:
Opa! Esta não! – E com um sorriso malicioso sorve seu conteúdo.
Ainda com a garrafa à boca, o rapaz joga Clarice violentamente de encontro à superfície áspera da mesa, a fazendo bater a face e busto na madeira dura, rasga-lhe o que resta das vestes e a contempla nua e indefesa. Olhando para o bumbum arrebitado o rapaz dá-lhe um tapa e com as mãos o abre e a penetra com força numa só estocada. Clarice grita – saindo do estado de atordoamento, causado pela curta conversa que tivera com a estranha de imagem insólita e voz penetrante – a dor a faz voltar a si, tudo parece confuso nem em seus mais pervertidos sonhos – ou pesadelos – todo aquele cenário de luxúria infernal se fazia presente.
Um rapaz de longos cabelos lisos e negros se aproxima, o sobretudo aberto revela o tórax definido e o pentagrama que lhe adorna o pescoço, sua face de traços juvenis é parcialmente encoberta pelos fios negros que lhe caem insistentemente sobre o rosto, sorrindo ele salta, como um felino, sobre a mesa, o coturno pesado faz um barulho grave sobre a madeira.
Ele puxa os cabelos de Clarice, que grita – aproveitando-se disto – ele se ajoelha e enfia seu pênis rígido na boca da garota, segurando-a pelos cabelos, ele guia seus movimentos, fudendo sua boca enquanto ela – ainda com mãos amarradas – recebe as estocadas fortes de Matheus em seu rabo apertado. Violentamente os dois a possuem, como demônios insanos destroçando as entranhas da puta banhada pelo próprio sangue. O gozo recente de Matheus desce da vulva da garota, escorrendo pelas suas pernas, deixando-a com cheiro de fêmea no cio.
O que acha puta safada de ser fodida por dois? – Fala Matheus, nem de longe ele lembra o jovem galanteador que ela conhecera, a besta dentro de si o controla, tornando-o animal insaciável e impiedoso.
Clarice geme de dor, mas seus gemidos são abafados pelo pênis do estranho, que adentra por sua garganta, a sufocando.
Matheus, à cada estocada mais forte, arromba-lhe o cuzinho, enquanto bate no bumbum da garota o deixando vermelho, a banha com o líquido da garrafa – que ainda mantinha à mão -, enquanto a bebida se espalha pelo corpo de Clarice, ele se curva por sobre as costas dela lambendo o sangue que escorria da ferida feita por seu próprio punhal.
No ápice os rapazes gozam juntos, Matheus inunda o cuzinho de Clarice, deixando o seu gozo escorrer aos poucos para fora do rabo deflorado. O estranho retira o pênis da boca da garota, lhe cobre a face com o gozo branco e se afasta sorrateiramente.

Clarice está esgotada.

A mesa está posta, vamos ao banquete! – dizendo isto, Matheus despeja o restante da bebida no corpo da jovem e em seguida faz a garrafa espatifar-se contra o chão.
Ele dá alguns passos para trás e admira a cena do seu paraíso surreal.
Uma jovem de longos cachos dourados – que lhe caem sobre o corpo, cobrindo-lhe os fartos seios desnudos – atravessa o salão a passos largos, as meias 3/4 negras chamam atenção para suas coxas grossas. Com um sorriso debochado admira Clarice quase desmaiada. Sem forças a jovem não esboça nenhuma reação quando esta pega-lhe o queixo para melhor analisar sua fisionomia, o gozo do estranho ainda lhe cobre a face. Os olhos azuis, adornados pela maquiagem forte, da loira brilham com a visão de Clarice completamente fraca. De sua boca carnuda, excessivamente vermelha escorre um filete de sangue, de forma luxuriante, ela passa dois dedos na face e os arrasta até a boca, limpando o sangue que jazia de forma perdida em seu rosto.
Outra jovem se aproxima, os traços orientais são evidentes, os cabelos presos por duas finas lâminas em dois pequenos coques lhe davam um ar de ninfeta vampirica. Ela usa apenas um corset vermelho com rendas negras, que deixa seus pequeninos seios à mostra, uma cinta-liga lhe cai sobre as coxas e nos braços longas tatuagens de ramos de flores negras eram visíveis.
Sorrateira ela avança sobre a boca carnuda da loira e a beija com volúpia – enquanto ela ainda segurava a face de Clarice desfalecida -, suas línguas dançam conforme a música dos anjos caídos e as mãos passeiam pelas curvas que levam à perdição. Elas viram a jovem que até então estava de bruços na superfície áspera da velha mesa. Felinamente as duas lambem o rosto de Clarice, se deliciando com cada gota do gozo carnal que lhe cobria a face pálida. Segurando os lábios quentes da jovem, a ninfeta oriental a beija como a uma estátua gótica – Clarice permanecia imóvel – e a loira abocanha os seios descomunais da desfalecida, os beija, lambe, mordisca, chupa incessantemente, aproveitando cada centímetro do belo colo, enquanto introduz dois dedos na boceta molhada de Clarice.
Logo recuperando-se um pouco, a jovem geme ofegante, entre suas pernas desce o líquido quente saído de suas entranhas. A oriental posiciona seu rosto entre as pernas de Clarice, com a boceta da jovem em sua boca, ela a lambe, enfia a língua lá dentro, tira e a passa em seu clitóris, o morde com gosto e enfia os dedos dentro da buceta encharcada, pega os líquidos da deliciosa lubrificação e os espalha pelo ânus de Clarice, logo a jovem sente um dedo penetrando seu cuzinho, depois dois, três dedos. Clarice geme e rebola ofegante. A cena era linda e excitante. Por mais temor que aquela noite a estivesse proporcionando ela não podia negar o intenso prazer que sentia.
Matheus a poucos metros admirava a cena do êxtase carnal, sentado no balcão do bar, saboreando lentamente um cálice do vinho entre um gole e outro, ele sorri, seu trabalho já estava feito. Belial – seu verdadeiro nome – nunca perdia.
Clarice começa a gozar na boca da jovem oriental, enquanto a loira lhe chupa os bicos dos seios – quase decepados pelas mordidas de Matheus – enfiando e tirando dois dedos na boca da jovem que estava completamente entregue ao prazer.
Nem em seus mais pervertidos sonhos – ou pesadelos – aquele inferno do êxtase carnal mais doentio podia ser imaginado.


Enquanto isso uma jovem brinca com sua máscara branca cobrindo parte da face, ela balança os pés, como uma criança ansiosa, ao seu lado se encontrava Belial, ainda saboreando o gosto doce do vinho. Como camaleão ela se transforma, seus olhos agora são azuis e sua pele pálida ganha um tom corado. Ele sorri singelamente e direciona um olhar às jovens que faziam Clarice delirar. Sentindo sua ordem, a jovem oriental retira as finas lâminas que lhe prendiam os cabelos, os fios finos caem ao lado de sua face, a deixando ainda mais bela.

Clarice sente uma dor cruciante, uma lâmina fria corta-lhe a barriga à altura da cintura, a jovem oriental impiedosamente desenha um pentagrama sobre sua carne, dilacerando-a.
Mais uma vez Clarice desfalece.

Clarice desperta ainda tonta pela dor de sua pele dilacerada, chamas de grossas velas de cera iluminam o ambiente, o sangue quente escorre espesso por seu ventre frio. Ao seu redor os participantes da orgia dantesca formam um enorme circulo, todos trajam capas negras com capuzes que cobrem-lhes a face. Clarice os observa com um olhar interrogativo.

Por que ela? Qual o motivo de tais atos?

Ela pensa em fugir, mas à sua frente uma jovem – a camaleoa que tinha sido espectadora passiva de seus infortuneos recentes – a observa, seu rosto está parcialmente coberto por vestes sacerdotais rubras que deixam apenas seus olhos de âmbar hipnotizantes à mostra. Clarice não consegue desvencilhar-se daqueles olhos penetrantes. Sua própria alma é refletida. Seu corpo começa a ficar mole e um calor insólito e prazeroso espalha-se por seus membros, aos poucos o olhar começa a ficar cada vez mais próximo, Clarice se sente mergulhando em um rio quente e vai afundando naquela imensidão âmbar.
O corpo da jovem parece vazio, sua alma afundava cada vez mais no olhar da sacerdotisa.
A sacerdotisa vermelha ergue um punhal de prata com cabo de ouro branco cravejado por rubis e o transpassa no peito de Clarice que nada sente, aquele corpo já não se encontravava habitado. A jovem perde-se no abismo oceanico do inferno carnal. Com um cálice a sacerdotisa colhe o sangue do seio ferido de Clarice, prova um pouco e em seguida – com o mesmo punhal com o qual ferira mortalmente a jovem – ela corta a palma de sua mão esquerda, fecha o punho com força deixando o seu sangue cair dentro do cálice sagrado, um a um, todos os presentes repetem o ato. O líquido rubro quase transborda.
Matheus ergue a cabeça de Clarice e a sacerdotisa começa a recitar em tom alto:
Sanguinem nostrum illa bibet et nobisque offeret et nemini allorum id faciet…
(*Do nosso sangue beberá e servir-nos-á e a ninguem mais o fará…)

Em coro todos repetem suas palavras, enquanto a sacerdotisa posiciona o cálice nos lábios de Clarice e começa a deixar que o sangue caia dentro de sua boca.
Nobis oboediet… Nobis oboediet… Ita sit et ita erit – prossegue a sacerdotisa.
(* Obedecer-nos-á… Obedecer-nos-á… Que assim seja e assim será.)

Aos poucos algo estranho ocorre: a jovem desfalecida começa a sorver o sangue, de todos, que o cálice continha. Em coro a sacerdotisa e os demais começam a recitar sem parar:
Carnem illa edewt. Sanguinem illa bibet.
(* Carne ela comerá. Sangue ela beberá.)

Depois de beber todo o sangue a jovem agarra o pulso da sacerdotisa com força e mordê-lhe, ela não parece mais a jovem Clarice, aquela ali presente era um animal faminto. Reconhecendo o gosto da carne da sacerdotisa ela larga seu braço e como uma loba salta sobre um dos participantes do ritual, rapidamente ele rasga-lhe as vestes negras e dilacera-lhe a carne pálida, comendo-lhe o coração enquanto o rapaz ainda o podia sentir pulsando.

Ela ergue-se, sua pele nua esta coberta pelo sangue de sua primeira vítima mortal.
Lupina como sempre, minha querida – diz-lhe Matheus.
Por que demoraram tanto, Babalon? – Ela interroga a sacerdotisa e seus caninos brancos salientados se tornam visíveis nos lábios manchados de sangue.

Lilith, não foi nada fácil encontrar seu corpo… – a sacerdotisa responde antes que Matheus a interrompesse.
Agradeça-me por isto, eu que a encontrei, mas antes tive que brincar um pouco contigo para que se relembrasse dos bons e velhos tempos…
Sim, Belial que a encontrou – disse-lhe a sacerdotisa.
Lilith contempla o local, o achando simplório, fala com desdenho:
Vejo que descemos bastante, mas isso irá mudar, a partir de hoje tomarei o que me pertence. Nosso reino há de ressurgir, irmãos contemplem o mal em sua forma mais sádica e perversa! Está na hora de todos os filhos da trevas rebelarem-se!

Lilith é aplaudida com louvor, logo o reino do mal imperará, nenhum deles duvida das palavras da lasciva demônia encarnada.

Sobre a Autora:

LIZZA BATHORY

Lizza Bathory

Lady Godiva dos profanos, andarilha notívaga dos inquietos, perpetuadora da confusão na líbido dos incautos meninos.
elizabeth.bathory.ce@gmail.com
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