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Sophihammer – Vomitório de Ideias

Pois afinal a lágrima de ontem será o sorriso de amanhã, a semente cresce da superfície para as profundezas e das profundezas para a superfície.

Não sabia o significado daquela palavra, hiperbóreo, uma palavra, sem dúvidas.

Não há poesia se não há nome, mas não há um único nome sem poesia, ou uma palavra sem significado, tudo é arte.

Hiperbórea, esse foi o termo escolhido para descrever a mim mesma para quem quiser ouvir.

Oh! Conheci toda a beleza do amor em sua forma mais perversa, e ele moldou-me em mármore com grande destreza.

O sorriso branco e cheio de doçura é o bem precioso de quem vive o presente, pois a sabedoria é uma maldição.

Ingênua, inocente, ignorante, caracterização do cordeiro que se satisfaz com o nada, que para ele é como tudo.

Mas o niilismo foi pregado em minha pele, e remover um prego é atividade demasiado dolorosa para uma egoísta.

Mas como temer a dor em toda a sua natureza, se a ela atribui-se tantas formas de prazer? Agora escrevo de caneta, não há volta.

Deliciosa, porém, é a emoção de um coração partido, esmigalhado e destruído. Por que não dividir essa linda emoção?

Doze mil maravilhas pude presenciar, ninguém é mais feliz que aquele que sofre e que tem seu prazer no sofrimento. Pois se o humano sofre em sua excursão imunda, por que não tirar dos espinhos afiados o seu doce vinho?

Masoquistas em minhas emoções, assim posso falar, sentir bem ou ruim, paixão ou rejeição, não há diferença alguma, vive-se, sente-se, e cada vitória e derrota será um prazer hedônico.

Quem vive na riqueza possui sua oportunidade, tive a minha e agradeço à… mamãe, que sorte a minha. E onde está papai?

Demasiado intimista, este é como um diário, no entanto não o chamaria de diário, mas de vomitório das ideias, termo grosseiro por excelência, que o define bem… melhor cuspir do que engolir.

Todos estavam preocupados com geografia, matemática e português, nada para mim tem valor, triunfo de olhos fechados sobre tamanha mediocridade.

Sócrates tinha o dom do questionamento, uma mente acima da média de todos os tempos e seres, todavia cometeu seus erros e mesmo o mais sábio dos homens não conhece a perfeição. Esse foi o primeiro antecessor do primeiro exemplar daquele a quem me refiro: o hiperbóreo.

Ignorar as moscas é necessário para caracterizar tal indivíduo, suas picadas não o atingem, e a morte não o assusta. Um homem forte, uma mulher forte, espírito livre, cujos pés pisam abaixo de nuvens. Muito acima, o hiperbóreo não pisa na lama, não afunda no mar, não se queima no fogo, e se fogo tenta tocá-lo, a queimadura não terá importância.

Mas se Platão em seu excesso de platonismo, idealismo e sua semente do comunismo já era capaz de desprezar. Quem, em seu infinito amor, terá bondade o bastante para praticar a real virtude filosófica?

Nos montes elevados onde os seres superiores regozijam de saúde e prazer, todos os males da ignorância são ausentes, e é essa ausência de mal que define de fato o bem, meu bem.

Poderíamos atravessar o tempo e falar de Aristóteles, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Descartes, Voltaire, Kant e Bacon, mas nenhum deles me interessa, pois somente atrai, desprezar torna a existência tão mais agradável.

Foi um niilista não assumido, é difícil viver feliz entre os porcos, é inevitável odiar a própria raça. A menos que se supere o estado de homem entre bestas, a menos que se eleve àquelas terras do norte, a menos que não se viva como os extremos me atraem.

Falemos de Nietzsche, ora, o seu desprezo meu(?) homem entre porcos mas como ubermensch entre homens. Ubermensch, super-homem, a superação do ser humano, esse é o objetivo definido pelo filósofo, esse é o monte elevado a ser escalado.

Superação, destruição dos antigos valores, tão vazios, tão insignificantes, não, caem esses impotentes valores, de joelhos aos meus pés, diante de mim, hiperbórea, o super que foi profetizado. É essa a história.

Dormindo o mais longo dos sonos, adormecida além da áurea graça, uma bela adormecida.

Adormecida em feiúra, na imperfeição pálida de um pato.

Quando tornar-me-ei um cisne de extensas asas?

Falsa superioridade, este é meu sentimento. Do que adianta um advogado na selva? De nada!

De nada adiantou a minha falsa superioridade! Ser especial é uma maldição! Ser diferente de forma alguma poderia ter algum valor, a ovelha negra sempre morre antes.

Oh! Mas se odeio o rebanho e ainda mais o pastor, como posso me adaptar a eles? Tornar-me comum? Como? Por quê? Por que a normalidade me gera tanta repulsa? Ainda assim… fora do rebanho não é melhor, vejo os ordinários juntos, felizes e bem alimentados, e mesmo no meu maior desprezo, invejo-os.

Como seria ter um amigo? Não ser vista com espanto nem como assombração? Queria achar alguém como eu, mas é mais fácil ser como o mundo é, ou tornar o mundo como se é?

O rebanho não se torna negro por minha causa, e a vida solitária é demasiado estéril e gelada.

Dormindo despertei de meu sonho de doze anos, o mais ingênuo de todos, e ninguém na realidade era como eu. Única, a fera a ser abatida; melhor jogar fora o meu desprezo.

Colocarei afinal a máscara da sanidade, suportarei o cheiro de imundície? Pois que intelecto vale a felicidade?

Colocada, não me tornei de fato estúpida, e o fedor já não era tão fétido. Desprezo se torna conveniência, respeito se torna amizade e o amor eu guardo para mim.

Foi assim que me tornei verdadeiramente hiperbórea.

Ser uma deusa entre porcos, agindo como porca é mais divertido do que parece. O mais adaptado sobrevive, e não o mais forte, afinal.

Sou tão contraditória, não é mesmo? Ou não. Não! A melhor forma de desprezo e de superioridade entre os homens é viver feliz entre eles, lidando com seus métodos ridículos, usando a minha máscara para me elevar pelo caminho deles, para rir deles e para desprezá-los de cima. Como poderia de baixo? A vítima que amaldiçoa seu algoz sente o mais intenso desprezo. De que lhe serve? Ainda assim morrerá e com maior amargura.

Não existe nada pior que a inveja, e esta é tão notória exige de mim uma caneta verde (esse trecho estava escrito com caneta verde). Mas abrirei mão desse recurso, verde é demasiado claro e ilegível.

Afinal conheci a beleza, transformei a face sem brilho no rosto mais lindo, e uma vez que se tenha conhecido a beleza, nunca mais se desejará a feiúra, o imperfeito é insuportável.

E essa foi a minha primeira luz. Presa em uma cela quente, escura, desconfortável, só. Prisão de corpo e alma, nenhuma companhia além dos insetos venenosos, e como a odiei, de corpo e alma. Pois a primeira luz é demasiado dolorosa, como fogo para os olhos do recém libertado, um mito da caverna que ecoa pela eternidade.

Mas depois! Ó, depois que o desconhecedor da felicidade, o infeliz involuntário, o filho dos infortúnios vê a primeira luz que é a felicidade, mesmo a menor delas parecerá a maior.

Onde a água vale mais? Em um rio ou em um deserto? O primeiro gole dessa água divina é sempre o melhor de todos. E isso me lembra de uma pobre amiga que eu tinha, contarei sua triste história, Goethe me invejaria.

Tamires todos os dias se dedicava ao estudo das letras, escrevia em seu caderno, mesmo nas aulas de matemática e geometria, ninguém sabia o que saía de sua caneta. Um dia alguns garotos decidiram desvendar o mistério, pegaram o caderno debaixo da mesa enquanto ela estava no corredor e leram em voz alta. Terríveis segredos do mais profundo amor platônico, pobre Tamires, o amado Calebe aceitou uma brincadeira maldosa. Quando a menina voltou para a sala, viu todos lendo suas declarações de amor, correu desesperada, ruborizada ao extremo, gritou, esperneou, tentando tomar o caderno das mãos de um rapaz alto. Calebe a chamou gentilmente, ela perdeu a voz de tanta vergonha, ele, porém, declarou seu amor. Correspondia? Aquele vexame acabou, para Tamires foi a maior das alegrias, saía de sua cela, a mais intensa primeira luz. Amor! Amor correspondido! O mais doce sentimento! Muito lamentável quando o malvado gargalhou dela, pobrezinha, a primeira luz se apagou e Tamires foi atirada na cela solitária. De tão humilhada e desesperada lançou-se pela janela daquele segundo andar. Suicídio. Assisti tudo com interesse, foi assim que percebi que quem vê a Primeira Luz prefere morrer a voltar pra prisão. Lamentável! Estava, em dizer ser ela minha amiga, demasiado errada, a boa menina está morta, na glória ou não.

Gosto de respirar, sem insegurança é melhor, que eu esteja pronta para todas as cargas. Tristemente pensava demais. E por que não sentir? É o melhor sabor que se tem, é vida, saúde, mas nunca como os bobinhos que agem sem a cabeça, mas antes ser um deles que ser um estéril positivista. Pois se a existência é a maior das graças, como poderia haver algo de mais valor? Os espiritualistas creem que o mundo material seja uma cópia de seu “mundo verdadeiro”, mas não perceberam que suas idealizações são contraditórias. Pois eles dizem que não devemos nos importar com os bens e felicidade terra, que ser feliz na Terra não é importante, que o importante é preparar sua alma. Porém, se a vida material é a cópia da espiritual, por que haveríamos de sacrificá-la? De vivê-la sem prazeres? Ao contrário, caso se deseje felicidade do outro lado, ela também é desejada no plano físico, devemos obter o máximo de prazer, riquezas e felicidade, esse é nosso objetivo, não o sacrifício, não a privação.

Podem chamar-me de hedonista, talvez seja o termo conhecido mais correto, mas prefiro “hedonista espiritualista”. Por que minha busca por prazer terminaria na morte? Só muda o tipo de satisfação a se ter, substituir as delícias carnais pelas delícias espirituais que sequer imagino quais sejam.

Mas a liberdade da vida pode ser demasiado perigosa para algumas pessoas, e essas almas fracas, impotentes e indignas de respeito não podem lidar com si mesmas, não podem controlar suas vidas, e, portanto não podem ser livres, precisam de um guia ou um freio para protegê-los deles mesmos. Inúteis! Se tivessem discernimento não precisaria haver leis, por causa da maioria de celerados é que os espíritos superiores têm seu verdadeiro livre arbítrio restrito.

O Espírito Superior cria suas próprias regras, mas não se limita a tal, ele também as segue e não produz leis que não possam ser perfeitamente cumpridas por ele.

Eu criei meus mandamentos de tal maneira que eles se adaptem a mim, e não eu a eles, a roupa é feita pro corpo, não o corpo pra roupa, não nós para o mundo, mas o mundo para nós. A Terra é meu banheiro e todas as coisas devem ser adaptadas ao ser humano, como se diz: “A mulher é a medida de toda as coisas”. Talvez não sirvam aos outros, mas para mim servem. Não proíbo, apenas permito, permito a beleza, a saúde, o intelecto, a desenvoltura da fala, a coragem e a boa condição física. Como necessito de inteligência e conhecimento, de saber me relacionar com as outras pessoas, me adaptar a essas e adaptá-las a mim mesma, sou loucamente apaixonada por mim, e o resto sempre será substituível e imperfeito. Odeio timidez, desprezo o medo, a culpa, a feiúra, quero riqueza, delícias, toda forma de bens, sou gananciosa e também egoísta.

Por que viver pelos outros e não pelo doce eu? Por isso nunca me apaixonarei, e meu desprezo pela fraqueza e desatenção, e ser filósofa não é pensar sentada o dia todo, mas alcançar satisfatórios ou excepcionais padrões emocionais (auto-controle), intelectuais e físicos.

Ser poderoso emocionalmente é ter equilíbrio e se adaptar a toda as situações, controlar completamente seus sentimentos. O amor é propriedade privada de valor inestimável. Como seria possível e aceitável que tamanho tesouro fosse dado a outrem? Não se sabe que ninguém cuida do que é de outro como cuida do que lhe pertence. Não, o amor não pode ser banheiro público, não deve ser compartilhado, tudo que se compartilha é degradado, o bem comum é sujo, é corrompido, apenas o amor egoísta a si mesmo é puro, completo.

E meu amor egoísta é azul e imenso como o mar.

Vivi muitos anos de vida rodeada por pedestais, sabem? Em cima de todo pedestal existe um ídolo, uma mentira, um objeto a que é atribuído um valor que não é realmente merecido. É uma estátua de barro aos quais são atribuídos poderes mágicos e divinos, também pode ser qualquer pessoa ou ideia que é tratada de forma diferente daquele que condiz com a realidade, pode-se dizer que ídolo é tudo aquilo que é idealizado, em que se tem falsas noções, o que inclui idealizar algo que não existe como se existisse de fato. O Ideal tem sido considerado o maior tesouro da humanidade, tudo o que é utópico e inalcançável é o que as pessoas consideram como valioso, é o seu precioso ideal. Que valor poderia ter o que não existe?

O Ideal tem sido o grande Ídolo da humanidade, e é por isso que ela sofre mais do que é necessário.

Na realidade, não existe uma diferença clara entre Ídolo e Ideal, o primeiro é um engano, e o segundo é um engano também, se pudermos considerar uma diferença é que Ídolo é como chamamos o ideal que desmascaramos, ou como chamamos o ideal de outra pessoa. Muitas das guerras da humanidade foram feitos em nome de um Ideal inalcançável (isso é redundante), o mundo sem desigualdade do comunismo, o império cosmopolita dos romanos, o mundo virtuoso dos cristãos, a liberdade do mundo capitalista, o mundo sem infiéis da Jihad, o mundo de raça superior dos nazistas e tantos outros casos. Cada um com seu ideal, seu objetivo inalcançável, impossível, pois todos os Ideais têm em comum a tentativa de criar uma regra universal para todos, ou até mesmo uma ausência completa de leis (o que não deixaria de ser uma regra às avessas); essa universalização é um erro inaceitável, os homens não são iguais, tentar impor uma forma de comportamento para uniformizá-los é apenas a maior demonstração de estupidez que se pode fazer. Não é o caso de leis necessárias para a convivência entre os indivíduos, é muito razoável que se proíba que qualquer um possa entrar na sua casa, te espancar, estuprar, matar e roubar, essas são regras realistas, não Ideais, a liberdade total dos anarquistas também é um ideal estúpido. E mesmo com uma lei que proíbe tais atos, eles ainda são cometidos, pois os indivíduos não são iguais, e nem todos tem a mesma propensão a obedecer normas de qualquer tipo, mesmo que essas sejam muito justas. Dessa forma, como pode-se impor uma forma de pensamento? Uma fé? Algo que interfira no espírito, na mente, nos gostos, nas vontades da pessoa? Não pode! Cada um é dono de si mesmo, as leis realistas que devem existir só devem servir para evitar que a liberdade de uma pessoa seja ameaça a outro indivíduo, mas esse não é foco, voltemos ao assunto.

O ato desprezível da tentativa de uniformização é tão inútil quanto prejudicial, é prejudicial às mentes fracas que se deixam alienar por essa idéia irreal e baseiam seus valores em algo que não existe, seja o comunismo, ou seja o islamismo, e inútil às mentes fortes, que livres de sua influência, não serão afetadas pelos Ídolos, ficando fora do alcance das intenções do idealizador. Eis meu lema:

Tudo importa, nada é igual.

Existem três tipos de Ídolo:
Ideologias que se tornam Ídolos, ou o ideal propriamente dito, já falei bastante dele. É o ídolo não físico, baseado em uma ideia que o seu criador considera como correta, é aqui que vemos o comunismo, o cristianismo, anarquia, a moral, a repressão sexual e o neo-liberalismo. A ideologia geralmente estará ligada de alguma forma a política e moral, todavia essa não é uma regra. Uma dica para quem acredita cegamente em ídolos ideológicos:
Nunca existirá igualdade, sempre existirá fome, sempre existirá miséria, a violência nunca terminará, a corrupção não sumirá, sempre existirão doenças sem cura, sempre existirão idiotas, trapaceiros, conflitos, injustiça, estupidez, ignorância, e uma diversidade imensa de defeitos e qualidades, pois os homens não são iguais, e é impossível que eles vivam de forma que uma única ideologia possa ser seguida perfeitamente, sempre haverá alguém que se oporá a ela, talvez eu.

Crença, ídolo por excelência, a religião seria considerada um tipo de ideologia como outro qualquer, e de fato é, religião é Ideologia quando se trata de uma doutrina moral e ética que define regras. Só que por trás de toda moral religiosa há a fé, que é sua parte mais importante, a fé sim é um ídolo de classificação diferente, uma vez que se baseie na crença em algo que não pode ser visto, sentido ou comprovado, seja um mundo diferente, deuses, fada do dente. Às vezes podemos passar por uma experiência e interpretá-la erroneamente, como ter um sonho e achar que estava em projeção astral, então se converter ao espiritismo, ou fazer uma projeção astral e achar que foi um sonho em que Satã tentou nos influenciar, esses são ídolos de crença que, mesmo baseadas na experiência, acabam sendo gerados por uma incompetência de quem a vive.

Deve ficar bem claro para os mais céticos que nem tudo que não se vê, sente ou comprova é Ídolo, é muito provável que exista vida após a morte, por exemplo, no entanto a forma como se costuma descrevê-la é tão rica de erros que é absolutamente um Ídolo, se os ideais não existem aqui, não é mais provável que existam perfeitamente em outro mundo.

Infelizmente não posso martelar os ídolos da crença com muita precisão, eles são escorregadios e gasosos, dissipam e escorregam ao levarem o golpe, são impalpáveis, fugidios, incompreensíveis e obscuros. De qualquer forma, posso afirmar pelo menos um fato com meu martelo: Sua possível religião católica/evangélica/islâmica/qualquer uma é baseada nas palavras de um homem que inventou dogmas e os definiu como absolutas, não tem nada a ver com a vontade divina, posso não poder afirmar ou negar a existência do Senhor, no entanto é fácil perceber que as organizações religiosas pouco tem a ver com ele.

Às vezes transformamos pessoas em Ídolo, como se fossem muito melhores do que são. É quando falo do amor romântico e ingênuo, eis aqui a idolatria de chefes políticos e religiosos, a exaltação de ídolos artísticos, a idealização das pessoas, a atribuição de valores muito superiores aos da realidade em qualquer indivíduo, incluindo a si mesmo. Quanto a esses, tenho apenas três conselhos:
O modo correto de se quebrar um Ídolo é martelando o pedestal em que se apóia.

Uma vez que o Ídolo perde seu valor, ele se torna apenas uma estátua, real e palpável.

Tente martelar o seu próprio pedestal, é doloroso.

Quem disse que a dor é ruim?

Suas mães não são virgens como imaginam, o bom padre também se masturba, seu cantor favorito é um canalha, aquela atriz maravilhosa só está lá porque chupou o diretor, o seu herói caridoso só fazia caridade para ganhar publicidade, você não significa nada para esse mundo, seu companheiro te trai (em pensamento, pelo menos), seus amigos são falsos com você (pelo menos, às vezes), você nunca será perfeito, nunca terá uma família perfeita, um namorado perfeito, um patrão perfeito, nada, e jamais, jamais espere que alguém te escute/entenda, ou que a humanidade deixe de ser estúpida e cruel como sempre foi. Aliás, por que tais marteladas em seus possíveis ídolos tornariam a vida menos prazerosa? Quem disse que a dor é ruim?

Oh, estão bem esclarecidos, não estão? Quem disse que a vida é boa? Quem disse que a vida é ruim? Não há justiça, não há amor incondicional! Vivemos em uma grande selva chamada mundo, somos os animais mais perigosos já produzidos pela natureza, matamos uns aos outros pelos motivos mais fúteis. Que importa? Que importa se há fome e miséria? Não é assim também na natureza? Igualdade, eis o mais desejado e mais impossível de todos os ideais! O mundo não é justo, a vida não é justa, algumas pessoas são justas! Nada disso torna a vida ruim, pois não existe nada sem conflito, e não existe conflito sem sofrimento, seja da parte derrotada ou da parte vitoriosa. O universo é um constante fluxo de energia e matéria, o que hoje está vivo, amanhã estará morto, o rei que governou metade da Terra, logo se torna alimento dos vermes que rastejam no chão. As maiores nações caem, talvez se elevem novamente, o que se vê é que nada é eterno, esse fluxo define os conflitos que constroem a humanidade, a briga pela vida, dinheiro, comida e poder; aqui a grande verdade, o conflito causa dor, desconforto, miséria, uns ganham para que outros percam. A lei do mais forte se aplica na vida humana, é por isso que não acredito na justiça, embora simpatize com sua possibilidade. Ah, a justiça é o meu ideal! Não devo me prender a ela, é apenas um ídolo… mas parece tão bom, tão correto.

Ser forte ou ser fraco, as duas únicas possibilidades que podem definir um homem, não se trata da quantidade de músculos, da inteligência, da honestidade ou das riquezas que ele tem, o que difere o forte do fraco é:
Tudo é o que é, não como eu queria que fosse, não como deveria ser. Nada é perfeito, nada é ideal, nada é igual.

Aceitar a realidade como ela é, sem fugir, sem idealizar, sem temer, eis o sintoma da bem aventurada doença do Homem Filosófico, assim chamo o indivíduo que aceita o mundo como é, e ao invés de idealizar uma utopia, aprende a superar os obstáculos de forma prática e realizável, conseguindo ser feliz mesmo sendo parte de um mundo, de certa forma, ruim. O mundo não é belo, a vida é. Que importa o mundo? Eu sou o que faço, e não o local onde minha existência se encontra. O determinismo é a desculpa do incapaz para seu próprio fracasso, ou mesmo para o fracasso de outros imprestáveis. Malditos sejam os que acreditam em determinismo e que se apóiam no coletivo, o coletivo é a grande destruição da liberdade e do livre pensamento, da capacidade de pensar e inventar, é o abrigo do fraco e daquele que eu chamo de Imbecil.

Os leitores com o mínimo de raciocínio entenderão a minha mensagem, mas sempre há alguns menos agraciados pela luz da inteligência, não que essa seja especialmente rara, só que também não é comum, portanto devo esclarecer com maior precisão que em momento algum Aceitar a Realidade Como Ela É signifique ser impotente e passivo contra tudo a que a vida te submete, significa entender que ela não é perfeita e estar preparado para passar por cima de todas as suas dificuldades. É saber que as pessoas mentem, que doenças existem, e que o universo não conspira a seu favor, mas nem por isso baixar a cabeça e aceitar o que acontece, apenas entender o que é que pode acontecer, conhecer os fatos para combatê-los. Basicamente, o que se deve entender como “as coisas são assim” significa “eu sei que há muitas coisas ruins, porém estou pronto para lidar com todas elas sem esperar que sejam diferentes”, o que é
“assim” geralmente é o que não Está Sobre Nosso Controle, não se deve esperar que as outras pessoas sejam honestas, boas, razoáveis, inteligentes, nada disso está sobre nosso controle, não se deve esperar que alguém te ame do nada, que chova do nada, que tudo aconteça como você quer Sem Que Você Faça Com Que Aconteça. Além disso, toda pessoa nasce diferente, e às vezes tenta seguir o exemplo de outras que nada tem em comum com ela, aceitar ser o que você é também é Aceitar As Coisas Como Elas são, é ser o homem como ele é, e não como deveria ser. Só que para se ser o que se é, antes é preciso descobrir o que se é, por isso é importante conhecer-se a si mesmo, tarefa difícil que Sócrates já havia lançado, e que evita que acabemos por usar o “sou o que sou” como desculpa para defeitos desleixados que poderiam ser facilmente superados.

Sofrer não é motivo de lamentação, é motivo de superação. O que seria da vida sem sofrimento? Não teria graça, a luz que penetra na escuridão é sempre mais forte. Sem sofrimento, todos os prazeres seriam em vão, eis a vida, a eterna luta, a eterna superação. É o teste sem juiz em que não existe outra opção além de trespassar os obstáculos ou morrer, na vida, como ela é, a dor é inata, a dificuldade é inata, superemos a dor. Melhor! Saboreamos a dor e bebamos do seu mel amargo com prazer.

Toda pessoa tem três componentes, como já dizia Platão, corpo, mente e alma, ou em uma visão mais materialista, corpo, cérebro e coração, que representam respectivamente os prazeres físicos e materiais, como sexo, comida e riqueza; a inteligência, intelectualidade, o prazer de se ser culto, sábio, racional, perspicaz, de se ter boas faculdades mentais; e os valores espirituais ou emotivos, entre os quais se encontram os sentimentos, a fé, as virtudes, a personalidade, são os prazeres que vêm a partir do sentir da alma, é o amor, o ódio, a construção de uma vida religiosa ou espiritual, fé em Deus ou em Buda.

Devo antes explicar um pouco sobre o engano tem se propagado através dos anos sobre a virtude da Alma, costumam dizer que ela se baseia apenas na bondade e na fé em Deus, é o mais comum. Enfim, esta definição é absolutamente errônea, pelo menos no nosso mundo material, o correto é que o Espírito Superior (aquele que tem uma alma “forte”) é aquele que consegue controlar suas emoções de acordo com a necessidade. Não me refiro a um psicopata, e muito menos a um reprimido, mas essa inteligência de alma pode ser resumida como a capacidade de adaptar seus sentimentos à necessidade, podemos ser totalmente recalcados ou totalmente soltos, só importa a situação, em uma festa, podemos mostrar todas as nossas emoções mais pueris e primitivas, isso nos trará prazer e satisfação, porém essa conduta seria inaceitável no trabalho, onde devemos agir de forma séria e mais racional. Não são os mais virtuosos que sobrevivem, são os mais bem adaptados. Obviamente isso também não significa que se deve deixar influenciar demais pelo ambiente, só quero dizer, devo explicar para os mais “lentos”, que exponha seus desejos e sentimentos quando essa exposição convir, e se faça de duro e frio quando não for necessário seriedade. Auto-controle, eis a virtude, e o maior auto-controle é saber quando se descontrolar.

Um Ídolo que tem sido exaltado através dos anos é a necessidade que se tem de eleger um único foco para os esforços humanos, alguns diziam que era a alma e a salvação, outros que era a mente e a racionalidade, já alguns outros falavam do corpo e do prazer. Mentiras estúpidas! Como pode-se alcançar a melhor vida quando se negligencia um de seus três formadores básicos? Não se deve ser muito racional, muito espiritual e nem muito carnal, todas as opções são mentiras criadas por pessoas fracas, que foram incapazes de conciliar os três. Você pode ser a pessoa mais inteligente do mundo e ter um espírito evoluído ao máximo (como já disse, chamo espírito evoluído aquele que controla seus sentimentos e sabe se adaptar), de nada adianta se ele tiver um corpo frágil e doente, pois fica muito fácil de “quebrar”. Da mesma forma, alguém forte e inteligente demais, que não possui controle emocional, facilmente poderia surtar, o espírito evoluído é necessário para se lidar com essas altas faculdades, os artistas de cinema sabem como é isso, seus talentos excepcionais, sem o acompanhamento de um espírito evoluído (auto-controle, na língua popular), acabam em guiá-lo para as drogas. E parece redundante dizer que uma pessoa sem inteligência não funciona, não é? Poderia até sentir a tentação de dizer que a inteligência é o formador mais importante, porém não é, a explicação só se torna mais direta porque a falta de inteligência é a que mostra efeitos negativos mais diretos e claros na sociedade de hoje, o que não significa que seja mais grave que um corpo ou espírito fraco, ela não funciona sozinha, os outros formadores são tão importantes quando, isso pode ser observado facilmente com qualquer exemplo empírico… Steve Jobs? Bela mente, pelo equilíbrio emocional, mas a doença o destruiu e nem todas as suas virtudes interiores puderam salvá-lo. Espero que tenha ficado claro que esses três formadores têm igual valor, que todos necessitam estar em perfeito, ou, sendo mais realista, razoável equilíbrio, eis meu retrato de um homem superior.

FONTE: kinetia2: Sophihammer

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