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Sexo, Espiritualidade e Tantra


Na busca do conhecimento e de si próprio, na procura incessante de respostas para as questões fundamentais acerca do Ser, o Homem desenvolveu a Filosofia (ou filosofias) e a Religião (ou sistemas religiosos).

O sexo, neste caminho para a iluminação, foi entendido de diferentes formas e assimilado de forma diversa ao longo dos tempos e consoante as culturas.

A libido freudiana ou Kundalini, bem como a prática sexual podem ser vistas como um obstáculo, um caminho ou um ritual.


Na maior parte das Religiões, nomeadamente no mundo Ocidental, o sexo é tido como um obstáculo à transcendência. O desejo sexual é visto como algo pecaminoso e impeditivo ao progresso espiritual e do acesso ao divino. Uma exceção é o Paganismo e o Wicca (ou a recuperação dos ritos pagãos e da religião dos povos pré-cristãos).

Na religião Wicca, por vezes confundida com “Bruxaria” – nome a que o Catolicismo deu um sentido pejorativo com o intuito de a minar por completo e a substituir -, faz-se o culto à natureza e o sexo faz parte dos rituais, nomeadamente o Sex Magick.

O Sex Magick vem desde tempos imemoriais, também desde a época pré-cristã. No fundo, é algo que é intuitivo e que a ver com tudo o que fazemos para preencher as nossas fantasias sexuais, pois não há maneiras certas ou erradas de ter sexo. Sex Magick é uma técnica que usa a sexualidade para “fazer magia”. Pode incluir role-plays ou fantasias em que o casal representa uma cena (enfermeira-doente ou professor-aluna, por exemplo), práticas sado-maso (mais ou menos hard), acessórios ou brinquedos sexuais, ou ainda sexo em sítios inusitados.

Resumindo: trata-se de uma técnica que pode ser usada em todas as formas de se encarar o sexo.

Nas filosofias Tantra e Taoísmo, o sexo é o caminho para a espiritualidade.

Se aplicarmos o Tantra ao Budismo (que é uma religião) temos o Budismo Tântrico, Se aplicarmos o Tantra ao Yoga (que também é uma filosofia) temos o Yoga Tântrico, um dos muitos ramos do Yoga.

Esta pequena introdução serviu apenas para demonstrar que há religiões, filosofias e técnicas que se podem combinar entre si.

Contudo, o que é muito falado e provoca a curiosidade geral é a aplicação do Tantra (filosofia) ao sexo, o chamado “sexo tântrico”. Vulgarizou-se esta expressão que suscita a fantasia de uma larga maioria que desconhece o seu verdadeiro significado, não só porque sonha com mais e melhor sexo, mas também porque vivemos num mundo mais aberto a experiências e há um receio da rotina ou monotonia sexual. As pessoas procuram manter a chama do romance acesa procurando novas práticas sexuais, o que é perfeitamente legítimo.

Tantra é uma palavra que vem do sânscrito (a língua que está para o povo Indiano como o Latim está para nós, Portugueses) e significa literalmente “rede” ou “tecido”.

Esta filosofia surgiu na Índia há mais de 5 mil anos, como caminho para a iluminação, acessível a todos, independentemente da sua casta ou condição social.

O Tantra é:
– matriacal, porque a mulher é considerada uma divindade e é, mais do que respeitada, venerada;
– sensorial, porque se baseia nas sensações experimentadas através dos nossos sentidos;
– desrepressor, porque alheio a julgamentos, a hierarquias e backgrounds e baseado na aceitação do indivíduo e do todo.

Trata-se de uma vivência que passa pelo auto-conhecimento para depois conhecer o outro. Por ser um modo de vida, rejeita o álcool, o tabaco, os químicos (nomeadamente estupefaciente) e o consumo de carne.

Noutro sentido, Tantra é “o que leva ao conhecimento” pelo que sexo tântrico será a prática sexual que conduz à iluminação.

O primeiro pressuposto é o de que somos fonte do nosso próprio prazer sexual, em vez de depositar no outro a responsabilidade de um prazer que é nosso.

Por isso, a primeira etapa do sexo tântrico é o auto-conhecimento: explorando o nosso próprio corpo, desenvolvendo as nossas capacidades como seres sexuais temos depois mais condições para nos relacionarmos sexualmente com os outros.

Mas sexo tântrico ultrapassa a noção de sexo como realidade puramente física passando o ato sexual para o plano da experiência mística, para a união espiritual e o orgasmo como meditação e atingimento do Samadhi ou hiperconsciência.

Há consideráveis benefícios a nível físico, mas o importante passa-se ao nível da mente.

É muito mais do que uma forma de adiar o máximo possível o orgasmo com vista ao prazer prolongado. O sexo tântrico proporciona uma transcendência que leva ao aumento da criatividade, da concentração e da energia vital, traduzindo-se na prática por melhoria do rendimento físico e aumento da esperança de vida.

O sexo tântrico possibilita:
– melhoria da intimidade do casal;
– orgasmos mais prolongados para homens e mulheres;
– o atingimento do orgasmo simultâneo;
– aumento da sensibilidade e intuição;
– uma melhor relação com o corpo (o nosso e o do parceiro);
– aumento da auto-estima;
– libertação de condicionamentos e preconceitos pela via da meditação.

O sexo tântrico não torna o orgasmo numa obrigação, num fim que necessariamente se tem de atingir no momento da prática sexual. Isso implica ter sexo dias e dias seguidos sem orgasmo.

Mas, ao mexer-se com energias psíquicas está a potenciar-se um estado superior de consciência – a hiperconsciência (ou Samadhi).

Numa fase de aprendizagem, nas posições tântricas mais básicas a mulher ocupa o lugar superior, preferencialmente sentada de alguma forma em cima do homem. A prioridade é o gozo da mulher, a quem é permitido ter o máximo de orgasmos, enquanto que o homem aprende a retardar o seu orgasmo. É o orgasmo feminino que alimenta a energia vital e que a introduz num circuito que é construído por ambos os intervenientes no processo, usando a via espiritual. A escolha das posições tântricas pelo casal tem também de ter em conta a possibilidade do homem controlar o seu grau de excitação.

A prática de sexo tântrica não é exclusiva de casais heterossexuais. O Tantra como filosofia não lida com julgamentos morais e preconceitos, por isso nada impede que o sexo tântrico possa ser desenvolvido por casais homossexuais.

A Revolução Sexual dos Sixties além do LSD e outras drogas psicadélicas renovou um interesse pela sabedoria oriental. Por isso, quando se diz que o Tantra é um Manual de Sexo ou um culto ao sexo livre ou uma terapia sexual New Age estamos a falar de partes de uma realidade.

O sexo tântrico tem como base o Kama Sutra, mas não todas as posições do conhecido manual de sexo de Vatsyayana.

O sexo tântrico popularizou-se numa época de Revolução Sexual em que proclamava o sexo pelo sexo e o sexo livre e sem compromissos.

Osho, o guru indiano, concebeu, no início dos anos 70, uma fusão do Tantra com a psicoterapia, numa versão mais acessível ao Ocidente que ficou conhecida como Neo-Tantra e que usa o sexo tântrico tendo por fim a meditação. É essa a noção espelhada nos ensinamentos que Osho a mais difundida do sexo tântrico, que chega até nós em livros, vídeos, cursos e workshops.

Vocabulário em sânscrito usado no sexo tântrico
Linga:
Falo, pênis
Yôní: vagina
Kundalini (acentuando o último i): é uma Deusa. Serpente que dorme na base da coluna vertebral, enrolada 3 ½ vezes ao redor do primeiro chakra, aguardando a expansão. Quando ela é acordada, através de qualquer das inúmeras técnicas, entre elas o ato sexual, ela desenrola-se e sobe através do centro do corpo espetando e despertando cada chakra conforme sobe. Quando ela alcança o topo, ou o chakra coronário (no topo da cabeça), então todos os chakras foram abertos e diz-se que a pessoa atingiu a iluminação.

Kundalini é uma força de grande poder, que pode produzir mudanças físicas e mentais radicais. Alguns dizem que ela é energia sexual sublimada; outros que é uma conexão de ritmo vibratório entre as ondas cerebrais e os subsistemas psicológicos. Há várias teorias, mas nenhuma delas conclusiva. Ela pode ser acionada pela prática da yoga, meditação, estimulação física, excitação mental, relação sexual ou por um mestre formado na arte de despertar a Kundalini.
Maithuna: relação sexual tântrica.

Notas:
Este texto é tudo menos exaustivo sobre um tema tão vasto e complexo como é o sexo tântrico. É apenas uma noção muito básica e superficial que abre as portas para um aprofundamento do assunto.

FONTE: Tudo sobre Eva

Para os que querem técnicas:
www.sivasakti.com

Para quem quer mais:
www.swamij.com

Om Namah Shivaham

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