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OS DEGRAUS PARA O HOLOCAUSTO

Política racial da Alemanha Nazista

Foi uma série de políticas e leis implementadas pela Alemanha Nazista em apoio à teoria de superioridade da “raça ariana”, baseada em uma doutrina racista que alegava legitimidade científica. Foi combinada a um programa de eugenia cuja finalidade era a higiene racial alcançada por esterilizações compulsivas e o extermínio dos Untermensch (ou “subumanos”), o que eventualmente culminou no Holocausto. Esta política mirava indivíduos, particularmente judeus, ciganos, homossexuais e deficientes mentais, que foram considerados “inferiores” na hierarquia racial que posicionou os Herrenvolk (ou “raça superior”) da Volksgemeinschaft (ou “comunidade nacional”) no topo, enquanto eslavos, romenos, pessoas de cor e judeus foram colocados na base.

Acordo Haavara
O Acordo Haavara (em hebraico הסכםהעברה, translit. Heskem Haavara ou Ha’avarah: “acordo de transferência”) foi assinado em 25 de agosto de 1933, após três meses de discussões, entre a Federação Sionista da Alemanha (Zionistische Vereinigung für Deutschland ou ZvFd), o Banco Anglo-Palestino (agindo sob ordens da Agência Judaica) e as autoridades econômicas da Alemanha nazista. O acordo foi projetado para facilitar a emigração de judeus alemães para a Palestina. O emigrante pagava um certo montante de dinheiro a uma empresa de colonização sionista, a título de investimento, e recuperava os valores pagos na forma de exportações alemãs para a Palestina.

A Hanotea (em hebraico: הנוטע), uma empresa sionista de plantação de cítricos, foi uma peça importante para colocar em marcha o engenhoso esquema de transferência de dinheiro dos judeus alemães que emigravam para a Palestina. Segundo o acordo estabelecido com as autoridades econômicas da Alemanha, a Hanotea deveria captar dinheiro dos potenciais emigrantes, e esse dinheiro deveria ser usado posteriormente, já na Palestina, para comprar produtos alemães. Os produtos eram despachados juntamente com os emigrantes. Importadores instalados na Palestina compravam os produtos alemães. Assim, quando chegavam ao destino, os migrantes recuperavam seu dinheiro. Conectado à Hanotea havia um judeu sionista polonês, Sam Cohen, que representou os interesses sionistas em negociação direta com os nazistas a partir de março de 1933. Em maio de 1933, a Hanotea solicitou ao governo alemão permissão para transferir dinheiro da Alemanha para a Palestina. Esse arranjo operou com êxito e abriu o caminho para o posterior Acordo de Haavara.

A partir de 1933 houve uma tentativa internacional de boicotar os produtos da Alemanha, em razão de suas leis racistas e de suas políticas opressivas. Todavia, enquanto organizações judaicas, sindicatos e partidos de esquerda apoiavam o boicote, produtos alemães eram normalmente exportados para a Palestina, através do esquema de Ha’avara.

Em 1935, foi criada uma outra empresa, denominada Ha’avara, com finalidades idênticas às da Hanotea, também no quadro do acordo firmado com o governo alemão. Houve também a Paltreu, uma Schwestergesellschaft, isto é, uma empresa afiliada à Ha’avarah, através da qual o dinheiro era pago, em marcos, e posteriormente recuperado no escritório da Ha’avarah, em Tel Aviv.

CERTIFICADO
A Haavara Ltdª. coloca
à disposição dos bancos na Palestina valores em marcos que lhe tenham sido confiados por imigrantes judeus provenientes da Alemanha. Os bancos vão dispor desses montantes em marcos para fazer pagamentos de mercadorias importadas da Alemanha, em nome de comerciantes palestinos.

Os comerciantes pagam o valor dessas mercadorias aos bancos e a Haavara Ltdª. reembolsa, em moeda local, os imigrantes judeus da Alemanha.

Na mesma medida em que os comerciantes locais farão uso desse acordo, a importação de produtos alemães servirá para retirar capital judeu da Alemanha. — Exemplo do certificado emitido pela Haavara para emigrantes judeus com destino à Palestina.

Na Alemanha, o acordo funcionou regularmente pelo menos até 1938 e era conhecido como Kapitaltransfer nach Palaestina (“Transferência de Capital para a Palestina”). Além das transferências de capital para a Palestina, através das empresas sionistas, os migrantes judeus também podiam levar consigo uma certa quantia em dinheiro, em geral equivalente a 1.000 libras esterlinas – e em alguns casos especiais, até 2.000 libras. O principal proponente do Acordo Haavara foi Haim Arlosoroff. O acordo entre sionistas e nazistas, além de permitir a saída de judeus da Alemanha, possibilitou a recuperação de boa parte dos valores dos ativos de que dispunham na Alemanha – apesar do imposto sobre a remessa de capitais para o exterior, correspondente a 25% sobre o valor transferido, conforme previsto pela legislação alemã.

Aproximadamente 60.000 judeus alemães beneficiaram-se dessa cooperação entre as organizações sionistas e autoridades alemãs. Ao emigrar, levaram consigo 100 milhões de dólares (em torno de $1.7 bilhões, em valores de 2009), recursos que serviram para lançar as bases da infraestrutura do futuro estado de Israel.

Leis de Nuremberg

Leis de Nuremberg – (do alemão Nürnberger Gesetze), são três textos adotados pelo Reichstag sob iniciativa de Adolf Hitler, na sequência de uma sessão extraordinária realizada em Nuremberga por ocasião do 7.º congresso anual do Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores, em 15 de setembro de 1935 (Reichsparteitag): Reichsflaggengesetz (lei da bandeira do Reich); a Reichsbürgergesetz (lei da cidadania do Reich); a Gesetz zum Schutze des deutschen Blutes und der deutschen Ehre (Lei da proteção do sangue e honra alemães).

A segunda destas leis foi decretada em 14 novembro de 1935, e a terceira define essencialmente a transcrição para instrumentos legislativos do Terceiro Reich de toda a ideologia antissemita do nazismo.

Permitiram e fomentaram os processos de perseguição aos judeus na sociedade alemã.

Lei da proteção do sangue e honra alemães

Gráfico do governo nazista de 1935 explicando os
esquemas familiares que determinavam a pureza do sangue

Tendo como base a origem dos quatro avós de um indivíduo, se estabelecia se este era alemão (os quatro avós alemães), judeu (quatro ou três avós judeus) e mestiço se descendia de um ou dois judeus.

Baseados nesta distinção, os nazistas determinaram leis de segregação racial, que proibiam a união matrimonial, coabitação e relações sexuais entre judeus e alemães, por exemplo, além de estabelecer uma divisão social que relegava os judeus a cidadãos de segunda categoria.

Artigos
Art. 1º
1) São proibidos os casamentos entre judeus e cidadãos de sangue alemão ou aparentado. Os casamentos celebrados apesar dessa proibição são nulos e de nenhum efeito, mesmo que tenham sido contraídos no estrangeiro para iludir a aplicação desta lei.
2) Só o procurador pode propor a declaração de nulidade.

Art. 2º – As relações extra-matrimoniais entre Judeus e cidadãos de sangue alemão ou aparentado são proibidas.

Art. 3º – Os Judeus são proibidos de terem como criados em sua casa cidadãos de sangue alemão ou aparentado com menos de 45 anos…

Art. 4º
1) Os Judeus ficam proibidos de içar a bandeira nacional do Reich e de envergarem as cores do Reich.
2) Mas são autorizados a engalanarem-se com as cores judaicas. O exercício dessa autorização é protegido pelo Estado.

Art. 5º
1) Quem infringir o artigo 1º será condenado a trabalhos forçados.
2) Quem infringir os arts. 3º e 4º será condenado à prisão que poderá ir até um ano e multa, ou a uma ou outra destas duas penas.

Art. 6º – O Ministro do Interior do Reich, com o assentimento do representante do Führer e do Ministro da Justiça, publicarão as disposições jurídicas e administrativas necessárias à aplicação desta lei.

Eugenia Nazista


Pôster de 1938 do Programa de Esterilização: “60 000 Reichsmarks é o que essa pessoa portadora de defeitos hereditários custa ao Povo durante sua vida. Companheiro alemão, é o seu dinheiro também”.

Propaganda publicada no Neues Volk, a revista mensal do Escritório de Políticas Raciais do Partido Nazista.

Eugenia nazista foi a política social racial da Alemanha Nazista que posicionou no centro dos interesses do governo a melhoria da raça ariana através da eugenia. O alvo foram os indíviduos marcados como “indignos de viver”, como criminosos, degenerados, dissidentes, deficientes mentais, homossexuais, vadios, insanos e fracos, que deveriam ser eliminados da cadeia de hereditariedade. Mais de 400,000 pessoas foram esterilizadas, enquanto 70,000 foram mortas pelo programa Aktion T4.

Aktion T4

Aktion T4 ou Programa de Eutanásia foi um programa de eugenismo e eutanásia obrigatória da Alemanha nazista que durou de outubro de 1939 a agosto de 1941, cujo objetivo era a eliminação ou a esterilização de pessoas com deficiências físicas, mentais, doentes incuráveis ou com idade avançada, denominados de “vida que não merecia ser vivida” (em alemão: Leben unwürdig zu leben), durante a qual os médicos mataram declaradamente 70.273 pessoas. Em outubro de 1941 devido aos protestos do bispo católico de Münster Clemens August von Galen contra o Aktion T4, houve um grande clamor público contra o programa, então o T4 foi finalizado oficialmente, porém nos Julgamentos de Nuremberg foram encontradas provas de que os médicos continuaram o programa e indícios de que cerca de 275.000 pessoas foram mortas pelo T4.

O código T4 é uma abreviação de Tiergartenstrasse 4, endereço da central do programa em Berlim, onde se situava o ente público para a “sáude e assistência social” (Gemeinnützige Stiftung für Heil und Anstaltspflege).

Oposição
Hitler e seu staff estavam cientes de que o início de um programa de execução de um grande número alemães com inabilidade seria impopular. Embora Hitler tivesse uma política fixa de não emitir instruções escritas, fez uma exceção quando forneceu a Bouhler e Brack autorização para o que veio a ser chamado de programa T4 em carta confidencial de outubro de 1939. Este documento tinha por objetivo, aparentemente, superar a oposição dentro da burocracia do estado alemão – ao ministro da justiça Franz Gürtner, foi necessário mostrar a carta de Hitler, em agosto de 1940, para obter a sua cooperação.

Hitler orientou Bouhler no sentido de que “a chancelaria do Führer não deveria, sob nenhuma circunstância, ser vista atuando nesta matéria.” Havia uma necessidade de particular cuidado nas áreas católicas que, após anexação da Áustria e da região dos Sudetos em 1938, aumentou para quase a metade a população da grande Alemanha, e se poderia esperar deles uma opinião pública hostil. Em março 1940 um relatório confidencial da linha de frente na Áustria advertiu que o programa de extermínio deveria ser executado com discrição “a fim evitar uma possível forte reação da opinião pública durante a guerra.”

A oposição persistiu dentro da burocracia. O juiz Lothar Kreyssig escreveu a Gürtner protestando que o programa T4 era ilegal uma vez que nenhuma lei ou decreto formal de Hitler o havia autorizado, ao que Gürtner replicou: “Se você não pode reconhecer o desejo do Führer como fonte da lei, então você não pode permanecer como juiz.” e Kreyssig foi demitido.

A Igreja Católica havia concordado em retirar-se de toda a atividade política na Concordata de 1933 entre a Alemanha e a Santa Sé, mas o projeto de matança maciça de cidadãos alemães sancionado pelo estado desafiou a visão católica da santidade da vida humana. Em 1935 a Igreja Católica já havia apresentado um protesto privado contra as propostas de se aprovar um projeto de legalização da eutanásia o que impediu a sua aprovação.

Em janeiro de 1939, entretanto, Brack comissionou um papel de Dr. Joseph Mayer, Professor de Teologia Moral na Universidade de Paderborn, nas reações das Igrejas no evento de um estado de um programa de eutanásia sendo instituído. Mayer – um advogado a favor da eutanásia – reportou que as igrejas não iriam se opor ao programa se fosse o interesse nacional.

Brack mostrou seu papel a Hitler em julho, e isso pode ter aumentado sua confiança de que um programa de “eutanásia” seria aceito pela opinião pública alemã.

(Quando Gitta Sereny entrevistou Mayer rapidamente antes de sua morte em 1967, ele negou que teria aprovado matar pessoas com deficiência, mas uma vez que nenhuma cópia desse papel sobrou, isto não pode ser determinado.)

Isto revelou-se não ser o caso.

De fato o programa T4 foi o único exemplo de uma ação dos Nazistas que provocou uma larga escala de protestos públicos.

Era impossível manter o programa T4 secreto, uma vez que centenas de médicos, enfermeiras e administradores foram envolvidos nele, e dada a maioria dos mortos terem famílias que estavam preocupadas com sua saúde. Apesar de ordens diretas de manter o segredo, alguns dos funcionários nos centros de assassinato falaram – algumas vezes bêbados em bares – sobre o que acontecia. Em alguns casos as famílias podiam dizer que as causas da morte notificadas eram falsas, como quando era dito que o paciente havia morrido de apendicite e não tinha apêndice. Em outros casos várias familias na mesma cidade receberiam certificados de óbito no mesmo dia. Nas cidades onde os centros de assassinato residiam, muitas pessoas viram os futuros falecidos chegarem em ônibus, viam a fumaça das chaminés de crematórios e desenhavam a conclusão correta. Em Hadamar, cinzas contendo cabelo humano choveram pela cidade. Em Maio de 1941 a Corte do Condado de Frankfurt escreveu para Gürtner descrevendo cenas de Hadamar onde crianças gritavam nas ruas que pessoas estavam sendo levadas em ônibus para serem gaseificadas.

Durante 1940 rumores do que estava acontecendo se espalharam, e muitos alemães retiraram seus parentes de asilos e sanatórios para cuidarem deles em casa – normalmente com muito custo e dificuldade. Em alguns lugares médicos e psiquiatras cooperaram com famílias para terem pacientes dispensados, ou, se as famílias podessem pagar, transferiam-nos para clínicas privadas onde o alcance do T4 não se estendia (O aspecto do T4 que deve ser notado: eram em maioria famílias da classe operária cujos parentes ficavam em instituições estaduais. Famílias poderosas podiam proteger seus parentes mantendo-os em casa ou em clínicas privadas). Outros médicos concordaram em “rediagnosticar” alguns pacientes para que eles não estivessem mais nos critérios da T4, apesar de este tipo de risco de exposição ser claro quando zeladores nazistas de Berlim conduziram inspeções. Em Kiel, o Professor Hans Gerhard Creutzfeldt conseguiu salvar praticamente todos os seus pacientes. Na maior parte, entretanto, médicos cooperaram com o programa, tanto por ignorância quanto pela verdadeira natureza do acordo com os Nazistas.

Durante 1940 cartas de protesto começaram a chegar na chancelaria do Reich e no ministério da justiça, alguns por membros do partido nazista. O primeiro protesto aberto contra a remoção de pessoas de asilos teve lugar em Absberg, na Franconia, em fevereiro de 1941, e outras seguiram. O relatório da SD sobre o incidente em Absberg notou que a “remoção de residentes da Casa Ottilien causou uma grande onda de desgosto”, como foram destridas as grandes multidões de pessoas da vila, entre membros do partido, protestando contra a remoção. Oposição a política do T4 ficou mais firme depois do ataque da Alemanha à União Soviética em junho de 1941, porque a guerra no leste produziu pela primeira vez fatalidades alemãs em grande escala, e os hospitais e asilos começaram a se encher de soldados alemães jovens e feridos. Rumores começaram a circular de que estes homens também seriam alvo da “Eutanásia”, apesar de nenhum plano existir de fato.

Durante 1940 e 1941 alguns pregadores protestantes protestaram privadamente contra o T4, mas nenhum fez um comentário público. Theopil Wurm, o Bispo Luterano de Württemberg, escreveu uma carta forte ao Ministro do Interior Frick em março de 1940. Outros que protestaram privadamente foram o teólogo luterano Friedrich von Bodelschwingh, que era o Diretor da Instituição natal para epiléticos em Bielefield, e anteriormente já tivera desavenças com o governo nazista devido á sua canditura à Bispo da Igreja do Reich, e o Pastor Paul-Gerhard Braune, diretor da Instituição Hoffnungstal em Berlin. Ambos usaram suas conexões com o regime para negociar exceções para suas instituições: Bodelscwingh negociou diretamente com Brandt e indiretamente com Hermann Göring, cujo primo era um proeminente psiquiatra. Braune teve reuniões com o ministro da justiça Gürtner, que sempre foi dúbio sobre a legalidade do programa, e depois escreveu uma carta mal educada para Hitler protestando contra isso: Hitler não leu, mas ouviu falar pelos seus cordeiros. Em geral, no entanto, a igreja protestante estava fincada no regime nazista e não tinha vontade de criticar suas ações.

A Igreja Católica, que desde 1933 vinha buscando uma política de escapar de um confronto com o regime nazista na esperança de preservar suas instituições intactas, começou cada vez mais a não conseguir manter o silêncio conforme surgiam as evidências de assassinato de internos de hospitais e asilos. O líder da Igreja Católica, Michael von Faulhaber, Cardeal de Munich, escreveu privadamente para o governo protestando contra esta política. Em julho de 1941 a Igreja quebrou seu silêncio quando uma carta pastoral dos Bispos saiu em todas as igrejas, declarando que era errado matar (exceto em autodefesa ou em uma guerra moralmente justificada). Isto permitiu aos Católicos fazerem mais protestos em público.

Algumas semanas depois da carta pastoral ter saído, o Bispo Católico de Münster em Westphalia, Clemens August Graf von Galen, publicamente denunciou o programa T4 em um sermão, e telegrafou para Hitler, chamando o “Führer para defender o povo da Gestapo”. “É uma coisa terrível, injusta e catastrófica quando homem põe sua vontade acima da de Deus”, Galen disse. “Estamos falando de homens e mulheres, nossos compatriotas, nossos irmãos e irmãs. Pessoas pobres e improdutivas, se você quiser chamar assim, mas isto significa que eles não tem direito de viver?”.

Robert Lifton disse deste sermão: “Este sermão poderoso e populista foi imediatamente reproduzido e distribuido através da Alemanha. De fato, foi jogado entre as tropas alemãs pelos aviões da Real Força Aérea Britânica. O sermão de Galen provavelmente teve um impacto maior que qualquer outro pronunciamento em consolidar o sentimento anti-eutanásia.”

Outro Bispo, Franz Bornewasser de Trier, também mandou prostestos a Hitler, apesar de não em público. Em agosto Galen foi ainda mais longe, condenando a perseguição Nazista a ordens religiosas e ao fechamento de instituições católicas.

Ele atribuiu o bombardeio pesado aliado em Westphalia à fúria de Deus contra a Alemanha por quebrar Suas regras. Obviamente os sermões de Galen não foram impressos na imprensa alemã, mas eles foram largamente circulados na forma de folhetos ilegalmente impressos. Nazistas locais pediram a prisão de Galen, mas Goebbels disse a Hitler que se isso acontecesse provavelmente haveria uma revolta em Westphalia.

Em agosto os protestos se espalharam pela Baviera.

De acordo com a Serenidade Gitta, o próprio Hitler foi vaiado por uma multidão raivosa em Hof – O único momento em que ele sofreu oposição em frente ao público em seus 12 anos de governo. Apesar de sua fúria privada, Hitler sabia que ele não aguentaria um confronto com a Igreja em um momento em que a Alemanha estava engajada em uma fronte de guerra de vida ou morte, um sentimento que foi reforçado com o aviso de Goebells, Martin Bormann, o líder da Chancelaria, e Heinrich Himmler, cabeça da SS. Robert Lifton escreveu: “Líderes Nazistas encontraram a proposição de prender homens do clero altamente admirados e proeminentes e outros protestantes – um caminho com consequências em termos de reação pública adversa que eles temiam profundamente – ou então encerrar o programa.”

Himmler disse: “Se a operação T4 tivesse sido entregue a SS, as coisas teriam acontecido de forma diferente”, porque “quando o Führer nos entrega um trabalho, nós sabemos como lidar com ele corretamente, sem causar alvoroços sem que seja sentido pelo povo.”

Em 24 de agosto de 1941 Hitler ordenou o cancelamento do programa T4, e também enviou instruções estritas para as instituições de que não seriam mais aceitas provocações de Igrejas durante a guerra. A invasão da União Soviética em junho abriu novas oportunidades para o pessoal do T4, que logo foi transferido para o leste para começar a trabalhar em um programa de assassinato muito maior: a “Solução final”.

Lifton documenta que a morte tanto de crianças quanto de adultos continuou até o fim da guerra, na iniciativa local de diretores de instituto e líderes de partido. Os métodos reverteram para aqueles usados antes da implantação das câmaras de gás: injeções letais, ou simplesmente fome. Kershaw estima que pelo final de 1941 aproximadamente 100.000 pessoas haviam sido mortas como resultado do programa, mas muitos outros internos foram mortos em campos de concentração, e pessoas julgadas incapazes de trabalhar foram mortas na Alemanha entre 1942 e 1945 (Isto não inclui Judeus que foram deportados para suas mortes em 1942 e 1943). Hartheim, por exemplo, continuou matando pessoas enviadas de toda a Alemanha até 1945.

Plano Madagáscar
O Plano Madagáscar foi uma sugestão da política do governo Nazista para forçar o deslocamento da população dos Judeus da Europa para a ilha de Madagáscar.

O plano começou a ser formado em 1938, pelas ideologias nazistas de Julius Streicher, Hermann Göring e Joachim von Ribbentrop. No começo de agosto de 1940, o projeto foi abandonado pelo governo da Alemanha Nazista.

Conferência de Wannsee

A Conferência de Wannsee foi a discussão por um grupo de oficiais nazis acerca da “solução final da questão judaica” (Endlösung der Judenfrage). Teve lugar a 20 de Janeiro de 1942 no palacete (Villa) de Wannsee, com vista para o lago Wann (Wannsee), no sudoeste de Berlim e que levaria ao Holocausto.

A discussão centrou-se no objetivo de expulsão dos judeus de todas as esferas da vida do povo alemão.

Foram discutidas medidas a tomar e o conceito de ‘deportação’ dos judeus para o Leste da Europa foi introduzido – para “trabalho apropriado… no curso do qual sem dúvida uma grande porção será eliminada por causas naturais”, o “restante final será tratado de forma apropriada, porque, se libertado, iria agir como semente de uma nova restauração judaica”.

O número de judeus na Europa foi calculado (aproximadamente onze milhões) e os métodos de evacuação foram considerados com relação à idade e ao país de origem. O tratamento de pessoas de “sangue misto” foi também cuidadosamente discutido.

O dr. Josef Buhler pressionou Reinhard Heydrich a implementar a solução final no Governo Geral. Tanto quanto lhe dizia respeito, o problema do Governo Geral era um mercado negro muito extenso, que desorganizava o trabalho das autoridades. Ele viu o remédio em resolver a questão judia o mais depressa possível.

A reunião é lembrada como a primeira discussão da “solução final” e também porque os registros e minutas dos encontros foram encontrados intactos pelos aliados no fim da Segunda Guerra Mundial e usados nos Julgamentos de Nuremberga.

Planejamento da conferência
Em novembro de 1941 o alto escalão nazista já sabia que o desejo de Hitler era que todos os judeus da Europa fossem transferidos para os territórios do leste e assassinados por lá.

Este procedimento, que envolvia o registro, agrupamento e transporte de milhões de pessoas num período em que a infraestrutura alemã estava sob severo ataque, tinha uma logística complexa. Era também um empreendimento que seus organizadores sabiam também que enfrentaria oposição e obstruções dentro do aparelho de estado nazista. Assim, pareceu-lhes necessário juntar representantes de todos os departamentos importantes e lhes explicar o que se pretendia fazer e como, e que o plano fora decisão daautoridade máxima do Reich e que não poderia ser recusado.

A 29 de novembro Reinhard Heydrich enviou convites para uma reunião que ocorreria a 9 de dezembro no quartel-general da Comissão Internacional de Polícia Criminal (antecessora da Interpol) no endereço 16 Am Kleinen Wannsee, no confortável subúrbio leste de Berlim às margens do lago Wannsee. Ele juntou uma cópia de uma carta de Hermann Göring do dia 31 de julho para provar sua autoridade. Para demonstrar que se tratava de um encontro de administradores para discutir em nível político, os convidados foram principalmente secretários de estado. Também estiveram presentes representantes da Chancelaria do Reich, da Chancelaria do Partido Nazista e da Gestapo. Hans Frank enviou um representante, enquanto o SS-Sturmbannführer Lange era convidado, por sua experiência no extermínio de judeus alemães na Letônia. O braço direito de Heydrich, Adolf Eichmann, foi encarregado de redigir a minuta da reunião.

Uma série de eventos em dezembro de 1941 forçou o adiamento da reunião. A 5 de dezembro o exército soviético iniciou sua contra-ofensiva nas cercanias de Moscou, pondo um fim ao sonho nazista de uma rápida ocupação da URSS. A 7 de dezembro o Japão ataca os EUA em Pearl Harbour, e a 11 de dezembro a Alemanha declara guerra aos EUA. Estes eventos fizeram com que a reunião fosse adiada até 20 de janeiro de 1942.

A conferência aconteceu numa mansão no nº 56–-58 Am Grossen Wannsee, uma tranquila rua residencial que se iniciava na popular praia lacustre de Wannsee.

A mansão, construída em 1914 fora adquirida pela SS em 1940 para ser um centro de conferências.

Quando esta se iniciou, ao meio dia de 20 de janeiro de 1942, os presentes eram:
¤ SS-Obergruppenfuhrer Reinhard Heydrich (Chefe da Polícia Secreta de Segurança (Gestapo) e da SD)
¤ Gauleiter Dr. Alfred Meyer (Ministério do Reich para os territórios ocupados no Oeste)
¤ Reichsamtleiter Dr. Georg Leibbrandt (Ministro do Reich para os territórios ocupados no Leste)
¤ Dr. Wilhelm Stuckart (Ministro do Reich para o Interior)
¤ Dr. Erich Neumann (Chefe da secretaria do plano dos 4 anos)
¤ Dr. Roland Freisler (Ministro do Reich da Justiça)
¤ Dr. Josef Buhler (Governo do Governo Geral)
¤ Dr. Martin Luther (Ministério do Exterior)
¤ SS-Oberführer Gerhard Klopfer (Chancelaria do Partido)
¤ Ministerialdirektor Friedrich Wilhelm Kritzinger (Chancelaria do Reich)
¤ SS-Gruppenführer Otto Hofmann (Race and Settlement Main Office)
¤ SS-Gruppenführer Heinrich Muller
¤ SS-Obersturmbannführer Adolf Eichmann (Secretaria central da segurança (Gestapo))
¤ SS-Oberführer Dr. Karl Eberhard Schongarth (Comandante da SD)
¤ SS-Sturmbannführer Dr. Rudolf Lange (Comandante da SD para a Letônia)

FONTE: Wikipédia

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