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Sobre as vielas de areia da vila, virtuosos da música brasileira fazem shows e ministram oficinas de amanhã a domingo no terceiro Festival Choro & Jazz de Jericoacoara – Ivan Lins e Celso Viáfora encerram a primeira noite


Certamente mais perto de elevar-se ao patamar pleno de paraíso, a vila de Jericoacoara (distrito de Jijoca, a 295 km de Fortaleza) estará imersa a partir de amanhã nas ondas iluminadas da música brasileira. A terceira edição do Festival Choro & Jazz tem participação de artistas virtuosos, com foco na música instrumental, ministrando oficinas, fazendo shows e convivendo com moradores e visitantes, em seis dias estrelados e de rara beleza.
O jazz e o choro dão o fio condutor, como dois dos gêneros mais ricos e bem acabados da música popular
aproximados pela riqueza de suas melodias, improvisos e capacidade de envolver as demais expressões musicais. Entre os destaques desta edição, estão a dupla de compositores Ivan Lins e Celso Viáfora, que abrem a programação em show conjunto nesta terça-feira; Nenê Trio, do baterista Nenê, na quarta-feira; o saxofonista novaiorquino Bob Mintzer e o multi-instrumentista cearense Zé Menezes, homenageado pelo festival, ambos na sexta-feira; Carlos Malta, com seu show “Pife Muderno”, no sábado; e, por fim, a
banda da Velha Guarda da Portela, encerrando a semana.

“A maior estrela aqui está no céu”, adverte o organizador do festival, Capucho, sobre a convivência entre o público e artistas durante a semana. Seguro na defesa da música brazuca, ele destaca que o grande diferencial da mostra é reunir e valorizar uma música mais orgânica, incluindo boas expressões da música popular internacional. “A música brasileira é carente desse tipo de iniciativa. Eu não acredito no pop.
Acredito no Brasil. Qualquer lugar que formos no mundo, a gente é respeitado por isso (pela música)”
, reforça.

Formação:
Capucho destaca o papel educativo do festival, não só pelas oficinas, mas por abrir espaço para uma qualidade musical que geralmente é vedada pela indústria. “Eu não vou ficar trazendo coisa para agradar. O brasileiro precisa conhecer melhor o Brasil.
A gente fica bitolado a conhecer essas Lady Gaga, esses forrós universitário, tem muita coisa ruim que o povo está dando importância”
, defende. Ele destaca ainda o bom público das edições anteriores como termômetro do interesse. “O povo é inteligente, só é mal informado. Quando recebe música de qualidade, como não vai gostar?”, aponta.
Ao todo, serão ministradas treze oficinas, por músicos que se apresentam no festival. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do festival (www.chorojazzjericoacoara.com.br). Entre as modalidades, estão violão, com Zé Paulo Becker; contrabaixo/guitarra e prática de conjunto, com Arismar do Espírito Santo; bateria, com Nenê, clarinete, com Alexandre Ribeiro, pandeiro e percussão, com Carlinhos Pandeiro de Ouro e Fábio Pascoal, construção de Pife, com João do Pife, entre outras.
“O ‘Rock in Rio’ é um perigo para a juventude. Porque ela fica deslumbrada com aquela porcaria que vem pra cá. E os caras vem, fazem um show meia boca, enchem os bolsos e vão embora”, retruca Capucho, reforçando a necessidade de investir-se em atividades que contribuam com a formação musical do brasileiro.
Um dos bons frutos que o festival vem cultivando em Jeri é a Escola de Música Choro e Jazz. A escola foi criada na primeira edição da mostra. Funcionando ainda sem sede própria no prédio do conselho comunitário, aos poucos ela vai conseguindo os apoios necessários para o pleno funcionamento.
“Já conseguimos violão, violino, saxofone, flauta, trombone, instrumentos percussivos. Esse ano, vou me dedicar pessoalmente a esse projeto. Vamos fazer parceria com professores de São Paulo e Rio de Janeiro”, adianta.

Abertura:
Hamilton de Holanda, o “Principe do Baldolim”, é a primeira atração da noite de amanhã. Acompanhado do quarteto formado por Daniel Santiago (violão), André Vasconcellos (baixo) Gabriel Grossi (harmônica) e Márcio Bahia (bateria), ele imprime sua marca no bandolim, com interpretações precisas e versáteis que já lhe renderam elogios de mestre como Hermeto Pascoal e João Bosco.
Depois dele, Ivan Lins e Celso Viáfora exercitam parceria de longa data em um show com composições conjuntas e sucessos de um e de outro. “Ainda não chegamos a fechar o repertório. Eu, para me prevenir, estou relembrando algumas canções nossas que fazia tempo não cantava. Tem alguns roteiros que a gente já fez nos quais existem brechas pra músicas individuais e a gente atualiza”, conta Celso Viáfora.
No último sábado ele fez show com a cearense Apá Silvino no Mercado dos Pinhões, em Fortaleza. Em Jeri, deve tocar algumas músicas de seu novo DVD, “Batuque de Tudo”, incluindo uma parceria com Ivan Lins. Os shows do festival serão realizados em palco montado na Praça Central de Jericoacoara e são todos gratuitos.

MAIS INFORMAÇÕES:
III Festival Choro & Jazz de Jericoacoara, de 29 de novembro a 4 de dezembro em Jericoacoara.
Inscrições abertas para 13 oficinas musicais.

FONTE: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1075875

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