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MÚSICA PARA CAMALEÕES

Há quase uma década longe dos palcos da Capital, Lobão se apresenta hoje no encerramento do Mundo Unifor. Em excelente fase, cantor falou ao Caderno 3 do passado (superado) e do futuro (desafiador).

O homem que escreveu “O Rock Errou” acertou na mosca. João Luiz Woerdenbag Filho, o Lobão, que já era um estranho no ninho do rock brasileiro dos anos 80, resolveu por a carroça na frente dos bois na década de 90. Antecipou-se às principais transformações que atingiriam a música brasileira e a indústria fonográfica. Lobão tornou-se um camaleão musical. Prova disso é seu momento atual: é respeitado tanto pelos artistas independentes quanto pelo mainstream (que, de fachada, lhe torce o nariz); arrasta para seus shows os saudosistas do BRock oitentista e as novas gerações, que o conheceram por empreitadas como a revista OutraCoisa e pelos programas da MTV; revisita o passado, numa caixa de CDs retrospectiva e em uma autobiografia best-seller, e celebra o presente, em uma vitoriosa e elogiada turnê. Além disso, faz o futuro acontecer.

É este artista em permanente mutação que encerra hoje a programação do Mundo Unifor, evento multidisciplinar que acontece no campus da Universidade de Fortaleza (Unifor). A programação é gratuita (sendo necessária uma inscrição no site da Universidade – http://www.unifor.br) e começa às 19 horas, com Groovytown. O show integra a turnê “Lobão Elétrico”, que começou no fim de 2010. Em tempo: há quase uma década o artista não se apresenta na Capital.

O show:
“A turnê é um grande sucesso”, comemora Lobão, por telefone, do estúdio que mantém em sua casa, em São Paulo. O cantor atendeu o Diário do Nordeste em pausa nas preparações do DVD que lançará na primeira metade de 2012, com um registro da presente turnê. “A prova desse sucesso é que gravamos o DVD,
em São Paulo, no mesmo período do Rock in Rio. E a casa estava superlotada”
, conta. “Foi uma comemoração desse sucesso de crítica e de público de uma turnê que começou meio torta. Agora, ela está cada vez melhor. Banda, equipe, repertório: tudo. Tá muito divertido tocar”, explica Lobão.

Pretérito perfeito:
Desde o ano passado, Lobão vive uma espécie de onipresença. Afinal, do sucesso como apresentador de TV (nos hilários, sob seu comando, “Debate MTV” e “Lobotomia”) ele partiu para dois novos sucessos. Um deles foi a caixa “Lobão – 81/91”, reunindo três CDs, com suas principais músicas do período, e o DVD do “Acústico MTV”, que gravou em 2007. “Era algo que tinha de acontecer há mais de 20 anos. O resultado de um processo natural. Se não saiu antes, é porque tinha uma briga entre eu e a gravadora. Daí, chegamos a um acordo e a caixa saiu. Mas não existe isso de uma fase ´saudosista´. Estou em outra”, explica Lobão.

O repertório de sua primeira década, claro, não fica de fora do novo show. “Reformulei a textura do meu som. Hoje, sou soberano de minha obra. Virei guitarrista, estou aqui no estúdio, produzindo, tocando, tudo. Estou onde sempre quis estar”, explica empolgado.

Outro sucesso da nova fase é a autobiografia “50 Anos a Mil”. “É um relato importante de uma pessoa que viu muita coisa, e ainda está viva”, avalia. “E é um livro necessário. Tem uma molecada aí que não sabe muita coisa. Eu falava de Mutantes e tinha neguinho pensando em novela da Record”, satiriza. Lobão faz questão de dizer que o livro mostra a diferença radical que há entre ele e outros “companheiros” de anos 80.
“Na verdade, nunca fui daquela geração. Comecei a tocar em 1974, 1975”, argumenta.

Para ele, as bandas daquela época se perderam na banalidade. “Não sei de nenhum que esteja gravando bons discos. Você conhece?”, desafia.

Qual a diferença entre o velho lobo mau e a geração mais festejada do rock nacional?
“Ah, cara, é que eu me neguei a virar titio”.
Prova disso é a nova turnê. Sem falsa modéstia, “a melhor que tá acontecendo hoje”, na opinião de seu comandante. “Quando chegamos numa cidade, sabemos que vamos detonar”.
O recado está dado.

MAIS INFORMAÇÕES:
Lobão – show com o cantor encerra a programação do Mundo Unifor 2011. Praça Central do campus da Unifor (em frente ao Centro de Convivência). Abertura com Groovytown, a partir das 19h. Entrada franca. Contato: (85) 3477.3400

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE

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